Dos EUA, Flávio Bolsonaro prevê ‘quebradeira’ no Brasil e fala em eleições antes de 2030
Em live, senador agradeceu aos eleitores, insinuou dúvidas sobre a legitimidade dos votos de Lula e convocou apoiadores para a luta; parlamentar está nos Estados Unidos após deixar o Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma transmissão ao vivo diretamente dos Estados Unidos nesta sexta-feira (30), na qual agradeceu aos eleitores que votaram em sua candidatura à Presidência da República, previu um cenário de “quebradeira” no Brasil e convocou apoiadores a continuarem mobilizados. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026, o parlamentar também afirmou esperar que a situação política do país seja resolvida antes de 2030.
Durante a transmissão, Flávio afirmou que o Brasil atravessa tempos difíceis e demonstrou preocupação com os próximos anos. Ao falar sobre a economia, fez uma previsão de dificuldades e possível quebradeira, mas não apresentou indicadores ou projeções para sustentar a avaliação.
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O senador também destacou sua votação na disputa presidencial e agradeceu aos eleitores. Ao afirmar que recebeu votos de pessoas reais, deu a entender que haveria dúvidas sobre a legitimidade dos votos destinados a Lula. A insinuação retoma questionamentos que Flávio já havia feito sobre o resultado eleitoral, mas ele não apresentou provas de fraude durante a live.
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Flávio Bolsonaro fala em eleições antes de 2030
Outro trecho da transmissão que chamou a atenção foi a referência a 2030, ano previsto para a próxima eleição presidencial regular. Flávio disse esperar que a situação brasileira seja resolvida antes desse período.
O senador não detalhou como isso poderia acontecer nem apresentou uma proposta formal de antecipação das eleições. Na mesma transmissão, convocou seus apoiadores a continuarem na luta e destacou que a expressiva votação recebida representa força política.
A manifestação indica a intenção de manter mobilizada a base de eleitores mesmo após a derrota na disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro está nos EUA após deixar o Brasil
A live ocorre poucos dias depois de Flávio deixar o Brasil com a mulher e as duas filhas. O senador chegou a Miami, nos Estados Unidos, em 28 de outubro, após passar pela Argentina e pelo Equador.
A viagem ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o parlamentar entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibiu de deixar o país. A ordem foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.
Flávio não cumpriu o prazo estabelecido pela Justiça. A Polícia Federal comunicou o descumprimento da determinação. Antes de deixar o país, o senador havia publicado um vídeo afirmando que não pretendia viajar e que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula.
Carta de Flávio Bolsonaro contestou resultado das eleições
Já nos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta na qual questionou a vitória de Lula e levantou suspeitas sobre o processo eleitoral. Na primeira versão, chegou a se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil“. Posteriormente, alterou o texto e passou a se definir como “líder do Brasil”.
Entre os argumentos utilizados estava a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a extensão do horário de votação em seções que ainda estavam abertas no segundo turno.
Entretanto, não há comprovação de fraude eleitoral que tenha alterado o resultado da disputa.
Lula venceu Flávio Bolsonaro por mais de 4,4 milhões de votos
Segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula venceu a eleição presidencial com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59,8 milhões, ou 48,21%.
A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
Com a nova transmissão, Flávio mantém o discurso de contestação ao resultado eleitoral e sinaliza que pretende continuar mobilizando seus apoiadores a partir dos Estados Unidos. A referência a uma solução antes de 2030, porém, não foi acompanhada de explicações sobre qual mudança política ou institucional ele defende.


