Diego Costa anuncia aposentadoria e encerra carreira no futebol
Diego Costa anuncia que está aposentado do futebol e não pretende voltar a jogar. O atacante de 37 anos confirma o fim da carreira em entrevista divulgada em fevereiro de 2026, mais de um ano após o último jogo pelo Grêmio, em dezembro de 2024.
Decisão madura após afastamento dos gramados
O anúncio não surpreende quem acompanha os últimos passos da carreira do centroavante, mas coloca um ponto final oficial em uma trajetória de quase duas décadas no profissional. Sem clube desde o fim de 2024, ele vinha afastado do dia a dia do futebol e recusava sondagens. A confirmação agora transforma a ausência em escolha definitiva.
A aposentadoria é revelada em conversa com o ex-companheiro Mário Suárez, no podcast “El camino de Mario”. Diego fala com naturalidade sobre o momento em que percebe que já não tem mais a mesma chama competitiva. “Já tem um tempo que me aposentei. Algumas pessoas me procuravam por alguma coisa ou outra, mas minha gana (de jogar) acabou”, afirma, ao explicar por que não leva adiante propostas para seguir em campo.
O atacante admite que se afasta do futebol aos poucos, depois da passagem pelo Grêmio em 2024. Ele treina, escuta ofertas, mas não encontra motivação para recomeçar um novo projeto. A decisão amadurece em silêncio, longe de anúncios oficiais de clubes ou agentes. Só agora ele verbaliza o fim da carreira, em um ambiente mais íntimo, mediado por um antigo colega de vestiário.
No Grêmio, Diego disputa 27 partidas em 2024, marca 8 gols e distribui 5 assistências. O último ato acontece em 8 de dezembro, na derrota para o Corinthians, em Porto Alegre, pelo Campeonato Brasileiro. A despedida não tem clima de adeus público, mas acaba se tornando o jogo final de uma carreira que passa por alguns dos maiores clubes da Europa.
De Sergipe ao topo da Europa
Nascido em Lagarto, no interior de Sergipe, Diego Costa sai cedo do Brasil e constrói o auge esportivo fora do país. O caminho até a elite europeia começa em clubes como Celta de Vigo, Rayo Vallecano e Valladolid, portas de entrada para o Atlético de Madrid. É em Madri que ele se transforma em protagonista.
Pelo Atlético, Diego tem três passagens e soma 215 jogos, com 84 gols marcados. Participa de campanhas que redefinem o status do clube na Espanha e na Europa. Conquista dois títulos de Campeonato Espanhol e uma Liga Europa, além de três Supercopas da Espanha. Deixa a equipe colchonera em 2020, depois de consolidar a imagem de atacante físico, intenso e decisivo em jogos grandes.
No Chelsea, mantém o padrão de protagonismo. Em 120 partidas pelo time inglês, faz 59 gols e ainda oferece 24 assistências. Ajuda o clube londrino a conquistar duas vezes a Premier League, o campeonato nacional mais rico e divulgado do mundo. A passagem pela Inglaterra reforça a reputação de centroavante de elite, capaz de influenciar sistemas de jogo e carregar ataques inteiros.
Diego também se torna personagem de um dos capítulos mais complexos da relação entre Brasil e Europa no futebol de seleções. Apesar de nascer em Sergipe, ele opta por defender a Espanha. Disputa as Copas do Mundo de 2014, no Brasil, e de 2018, na Rússia, com a camisa da seleção espanhola. A escolha gera debates acalorados na época, mas consolida o vínculo com o país onde constrói a maior parte da carreira.
Antes do retorno recente ao Brasil, ele ainda atua por clubes como Wolverhampton, na Inglaterra, e outras equipes europeias de médio porte. No país natal, além do Grêmio, veste as camisas de Botafogo e Atlético-MG. As passagens mostram um jogador já em fase final de trajetória, ainda capaz de decidir jogos, mas convivendo com desgaste físico e ritmo menos intenso do que nos anos de auge.
Impacto da despedida e lugar na geração de atacantes
A aposentadoria de Diego Costa simboliza o fechamento de um ciclo de centroavantes que marcam o futebol dos anos 2010. Ele integra uma geração de atacantes de área que combinam força física, presença na grande área e participação intensa na pressão sem bola. Em Atlético de Madrid e Chelsea, vira referência de um estilo de jogo que valoriza a imposição nos duelos individuais.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho da trajetória. Somados, os títulos nacionais por Espanha e Inglaterra, além de conquistas europeias, colocam Diego em uma prateleira de jogadores que influenciam diretamente decisões de campeonato. Ao longo da carreira, atua em ligas consideradas as mais competitivas do planeta, enfrenta os principais zagueiros de sua época e constrói fama de jogador incômodo, duro e pouco disposto a recuar.
A confirmação do adeus deve provocar uma onda de homenagens em clubes onde ele deixa marcas mais profundas. No Atlético de Madrid, a identificação com a torcida é antiga e construída em partidas decisivas de La Liga e competições europeias. No Chelsea, os gols em campanhas de título colocam o brasileiro naturalizado espanhol na memória recente do clube. No Grêmio, o anúncio pode reavivar o debate sobre o papel que ele cumpre em uma temporada de reconstrução e transição ofensiva.
Entre torcedores, a notícia tende a alimentar discussões sobre a forma como carreiras de alto rendimento terminam. Diego deixa o futebol sem uma grande festa de despedida, sem jogo de encerramento lotando estádio, sem volta simbólica ao clube mais marcante. A saída silenciosa, confirmada em um podcast, contrasta com a visibilidade que acompanha quase toda a trajetória.
O que vem depois dos gols
O futuro de Diego Costa fora dos gramados ainda não está definido. O currículo e a personalidade forte abrem espaço para caminhos variados. Ele pode seguir a rota de ex-jogadores que se tornam comentaristas, treinadores, dirigentes ou empresários de atletas. Também pode optar por um afastamento maior, dedicando-se à vida pessoal após anos de calendário apertado, viagens constantes e pressão competitiva.
No Brasil e na Espanha, qualquer movimento que ele faça tende a despertar interesse imediato. A experiência em vestiários de alto nível, a convivência com técnicos de referência e a participação em duas Copas do Mundo são credenciais valiosas em um mercado que busca vozes com bagagem real de campo. Clubes e emissoras avaliam, cada vez mais, a capacidade de ex-atletas de traduzir o jogo para o público.
A aposentadoria também reacende o debate sobre o limite físico e mental de atacantes que vivem no choque e na disputa constante por espaço. Lesões, desgaste e exigência tática aceleram decisões de parar. Aos 37 anos, Diego se retira em uma idade comum para a posição, mas em um contexto em que outros jogadores estendem a carreira até perto dos 40. A escolha dele expõe uma questão central: até que ponto vale insistir quando a “gana” desaparece?
O fim da trajetória como jogador não encerra o impacto de Diego Costa no futebol. A forma como ele ocupa o espaço, provoca adversários e decide jogos segue como referência para uma geração de atacantes que cresce vendo seus gols. A partir de agora, a pergunta passa a ser outra: de que maneira ele vai usar essa experiência num futebol que continua mudando em alta velocidade?
