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Díaz-Canel lidera ato em Havana contra imperialismo e exalta Martí

Miguel Díaz-Canel lidera na noite de 28 de janeiro de 2026 um ato em Havana contra o que chama de “imperialismo”. A manifestação reúne milhares de pessoas, boa parte delas jovens, e presta homenagem a José Martí e Fidel Castro.

Ato simbólico em data chave do calendário cubano

A marcha percorre o centro da capital com tochas, bandeiras e retratos de líderes históricos da revolução. O governo fala em dezenas de milhares de participantes, muitos organizados por universidades e comitês de bairro, numa mobilização que começa ainda no fim da tarde e avança pela noite.

A escolha do 28 de janeiro não é casual. A data marca o aniversário de 173 anos do nascimento de José Martí, herói da independência e um dos pilares da narrativa nacional cubana. Ao associar a homenagem a Martí a um protesto explícito contra o imperialismo, Díaz-Canel reforça a linha que une Martí a Fidel Castro e ao atual governo, apresentada como uma mesma corrente de resistência externa.

Reafirmação da narrativa de resistência

O presidente caminha à frente do cortejo e discursa a uma multidão concentrada em uma das principais praças de Havana. Em falas transmitidas pela televisão estatal, ele volta a acusar “forças imperialistas” de tentarem sufocar a ilha por meio de sanções econômicas e campanhas digitais. “Cuba não se rende, Cuba não se vende”, afirma, em referência direta à política dos Estados Unidos na região.

A retórica encontra eco em jovens que empunham cartazes com frases contra o bloqueio e em defesa da soberania nacional. Estudantes de ao menos cinco universidades de Havana carregam faixas com a imagem de Martí e slogans da década de 1960, agora adaptados às redes sociais e impressos em celulares erguidos como tochas. Professores e veteranos da revolução destacam Fidel como elo entre o passado de independência e o presente de embargo prolongado, vigente há mais de 60 anos.

O ato insere-se numa sequência de iniciativas oficiais que, desde o fim de 2024, buscam reagrupar militantes, movimentos sociais e sindicatos em torno do discurso de resistência externa. Em 2025, o governo organiza ao menos uma grande mobilização por trimestre com foco na soberania, quase sempre combinando datas históricas com críticas a Washington e a aliados europeus.

Impacto interno e mensagem ao exterior

A marcha reforça um dos principais pilares da legitimidade do governo cubano: a ideia de que a revolução se mantém cercada e precisa de unidade interna para sobreviver. Ao mostrar ruas cheias em Havana, Díaz-Canel tenta responder a sinais de desgaste social, como a inflação que corrói salários e o aumento da emigração, que passa de centenas de milhares de pessoas na última década segundo estimativas de organismos internacionais.

No discurso oficial, o imperialismo aparece como causa central dos problemas econômicos cotidianos, da escassez de alimentos à dificuldade de acesso a combustíveis. Analistas críticos ao governo, dentro e fora da ilha, apontam também falhas de gestão e resistência a reformas econômicas mais amplas. A narrativa do ato, porém, privilegia o enfrentamento externo e coloca jovens no centro de uma continuidade revolucionária calculada, em que gerações se sucedem sob as mesmas palavras de ordem.

No campo diplomático, o evento sinaliza que Havana não pretende suavizar o tom contra governos que considera “imperialistas”, em especial os Estados Unidos. A repetição de palavras de ordem contra o bloqueio pode ampliar o atrito com Washington e com países que apoiam sanções, mas também conversa com aliados tradicionais da ilha na América Latina, na África e na Ásia, para os quais Cuba se apresenta como símbolo de resistência.

Soberania, juventude e próximos desdobramentos

Dentro do país, o ato fortalece o discurso de unidade nacional. A presença maciça de jovens, muitos nascidos após os anos 2000, é explorada pela comunicação oficial como prova de continuidade da militância política. Dirigentes estudantis falam em “nova etapa” da revolução e prometem ampliar a participação em comitês locais e ações de mobilização nas escolas e universidades ao longo de 2026.

O governo indica que novos atos devem ocorrer em datas simbólicas do calendário revolucionário, como 1º de maio e 26 de julho, mantendo o foco na defesa da soberania e na exaltação de figuras como Martí e Fidel. Resta saber como essa estratégia de reafirmação simbólica vai dialogar com a pressão concreta de uma população afetada por filas, salários baixos e incerteza. A próxima etapa da história cubana passa por essa encruzilhada entre memória, resistência e a urgência de mudanças materiais no cotidiano.

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