Detenção de menino de 5 anos pelo ICE após prisão do pai gera crise nos EUA
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, admite que um menino de cinco anos está detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) após a prisão do pai, em Minneapolis. O caso, ocorrido na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, envolve o pequeno Liam Conejo Ramos e acende um novo embate sobre a política migratória americana.
Da porta de casa a um centro de detenção
Liam volta da pré-escola no fim da tarde, em Minneapolis, e encontra agentes federais na porta de casa. Minutos depois, o menino deixa o bairro sob custódia do ICE, enquanto o pai, um imigrante em situação irregular, é levado a um centro de detenção no Texas. A operação, reconstruída por fontes ligadas ao caso, transforma uma ação de rotina de imigração em um símbolo da tensão em torno da aplicação das leis migratórias nos Estados Unidos.
Segundo uma fonte familiarizada com a investigação, os agentes chegam à residência para cumprir a prisão do pai de Liam por violação das leis de imigração. A informação é que ele tenta fugir, o que leva o ICE a assumir também a custódia da criança. O menino é levado diretamente da entrada de casa, sem tempo para que a família organize alternativa imediata. Hoje, pai e filho permanecem sob responsabilidade federal, em instalações diferentes, a quase 2,5 mil quilômetros de distância.
Vance defende ação e tensiona debate sobre famílias imigrantes
O caso ganha dimensão nacional quando JD Vance decide falar publicamente sobre a operação. Ao comentar críticas de que o governo estaria prendendo crianças, o vice-presidente rebate de forma direta e escolhe transformar o episódio em um teste para a política migratória americana. “Foram prender o pai dele, um imigrante ilegal. O pai fugiu. Então, a história é que o ICE deteve uma criança de 5 anos. Bem, o que eles deveriam fazer? Deixar uma criança de cinco anos morrer de frio? Não prender um imigrante ilegal nos Estados Unidos da América?”, afirma.
Vance procura enquadrar a discussão como uma questão de lógica e de limite da lei. “Se o argumento é que não se pode prender pessoas que violaram nossas leis porque elas têm filhos, então todo pai ou mãe teria imunidade total para nunca ser alvo da aplicação da lei. Isso não faz sentido. Ninguém acha que isso faça sentido”, completa. A fala, em tom de confronto, ecoa em Washington, em capitais estaduais e entre governos estrangeiros que acompanham a política migratória dos EUA desde as separações de famílias na fronteira em 2018.
Impacto político, jurídico e internacional
Organizações de direitos civis veem na detenção de Liam um sinal de recrudescimento da política migratória. Entidades lembram que, após 2018, a Casa Branca enfrenta pressão interna e externa para evitar a separação de pais e filhos em ações de imigração. A imagem de uma criança de cinco anos sob custódia federal, enquanto o pai está isolado em um centro no Texas, reabre esse trauma político. Nos bastidores, advogados de imigração falam em um “teste de limite” para a atuação do ICE e para a interpretação de normas que tratam da proteção infantil em contextos de deportação.
O episódio também expõe um dilema prático. A lei americana permite a prisão e deportação de adultos em situação irregular, mas não oferece respostas simples para o destino imediato de filhos pequenos, especialmente quando familiares legais não estão presentes. Em casos anteriores, autoridades recorrem a abrigos temporários, programas de assistência social ou familiares com status regular. A decisão de manter Liam sob detenção federal, ainda que sob a justificativa de proteção, alimenta críticas de que a estrutura migratória trata crianças como extensão do processo penal do adulto.
O que pode mudar a partir de agora
Parlamentares democratas e parte dos republicanos moderados sinalizam que o caso pode acelerar propostas de mudança no tratamento de menores em ações de imigração. Grupos de direitos humanos já preparam pedidos formais de informação ao Departamento de Segurança Interna e ações judiciais para questionar a legalidade da custódia prolongada de crianças em instalações do ICE. A expectativa é de que cortes federais sejam acionadas nas próximas semanas, definindo prazos máximos de detenção e exigindo alternativas como guarda temporária em lares cadastrados.
No plano internacional, governos europeus e organismos multilaterais acompanham o desfecho e avaliam possíveis manifestações sobre direitos da criança e padrões mínimos de proteção humanitária. O governo americano tenta equilibrar a promessa de rigor na fronteira com o desgaste de uma imagem associada a operações traumáticas. O destino de Liam, agora ligado a processos burocráticos que podem levar meses, se torna mais do que uma história familiar: é um termômetro da disposição dos Estados Unidos em conciliar a aplicação rígida da lei com a proteção de crianças em um sistema migratório em permanente disputa.
