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Deputada pede prisão preventiva de Lulinha e irmão de Lula na CPMI do INSS

A deputada Coronel Fernanda (PL-MT) protocola, nesta quarta-feira (25.fev.2026), pedido de prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, no âmbito da CPMI do INSS. A parlamentar alega risco concreto de fuga e tentativa de frustração da aplicação da lei penal.

Pedido na CPMI amplia pressão sobre família presidencial

O movimento da deputada transforma a CPMI do INSS em mais um foco de tensão em Brasília. O alvo direto são o filho e o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, figuras centrais nas investigações políticas e judiciais sobre a atuação da família presidencial. O protocolo é feito em 25 de fevereiro de 2026 e passa a orientar parte das discussões no colegiado.

Nos requerimentos, Coronel Fernanda pede que a comissão solicite à Justiça a prisão preventiva de Lulinha e de Frei Chico. A parlamentar sustenta que há, no caso do filho de Lula, “risco concreto de fuga e de frustração da aplicação da lei penal” após a mudança dele para Madri, na Espanha, onde reside atualmente. O endereço fora do país é apontado como elemento central do pedido, por aumentar, segundo a deputada, a dificuldade de eventual responsabilização criminal.

A iniciativa parte de uma das autoras do requerimento que deu origem à CPMI do INSS, instalada para apurar suspeitas de irregularidades em benefícios e na gestão do instituto. Ao levar à mesa a hipótese de prisão preventiva, a deputada amplia o escopo político da comissão, que passa a lidar também com o destino judicial de dois dos parentes mais próximos do presidente. O gesto ocorre em um ambiente já marcado por disputas intensas, com a oposição buscando associar o governo às investigações.

Lulinha, de 49 anos, volta ao centro do noticiário político após a revelação de que se mudou para Madri nos últimos meses. A mudança é usada pela oposição como indicativo de tentativa de se afastar de eventuais processos no Brasil. Frei Chico, sindicalista histórico e hoje vice-presidente do Sindnapi, é incluído no mesmo pedido, o que aumenta o peso simbólico da ofensiva sobre o núcleo familiar de Lula.

Disputa política e efeitos na CPMI do INSS

O pedido de prisão preventiva não tem efeito automático. A CPMI, composta por deputados e senadores, precisa primeiro discutir e votar o requerimento. Se aprovado, o colegiado poderá encaminhar a solicitação ao Ministério Público e ao Judiciário, que são os únicos com poder para pedir e decretar prisões. Mesmo assim, o simples protocolo muda o patamar da disputa e dá novo combustível à oposição no Congresso.

Coronel Fernanda argumenta que a permanência de Lulinha fora do país torna mais provável a tentativa de escapar da Justiça brasileira. Ao associar a viagem à possibilidade de fuga, a deputada busca enquadrar o caso nas hipóteses de prisão preventiva previstas em lei, que incluem riscos à aplicação da lei penal. A estratégia também tenta pressionar o governo em um momento de grande sensibilidade política e judicial, às vésperas de decisões importantes em outras frentes envolvendo aliados do Planalto.

Parlamentares governistas tendem a reagir acusando a oposição de usar a CPMI como palanque eleitoral e instrumento de desgaste político. A base de Lula deve insistir que mudanças de endereço no exterior, mesmo em países como a Espanha, não configuram automaticamente risco de fuga. A defesa de Lulinha e de Frei Chico, caso se manifeste, deve contestar a narrativa de que há tentativa de obstruir a Justiça, apontando a ausência de condenações definitivas ou ordens judiciais de restrição de movimento até o momento.

O movimento também reabre debate sobre os limites das comissões parlamentares de inquérito. A Constituição garante poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, mas não autoriza CPI ou CPMI a decretar prisões, salvo em casos de flagrante. Qualquer medida cautelar mais dura, como a preventiva, depende da concordância do Ministério Público e da decisão de um juiz. Na prática, o pedido da deputada é tanto um gesto jurídico quanto um ato político para marcar posição e pautar o noticiário.

O que pode mudar para Lula, CPMI e cenário político

A ofensiva de Coronel Fernanda aumenta o custo político da CPMI para o governo. A partir do protocolo, espera-se reação organizada do PT, de partidos aliados e de entidades sindicais ligadas a Frei Chico. Manifestações públicas, notas oficiais e discursos na tribuna devem se multiplicar nas próximas horas, em uma tentativa de conter o desgaste na opinião pública. A forma como a base do governo reage pode indicar o grau de coesão em um momento em que o Planalto tenta preservar apoio no Congresso.

O pedido de prisão preventiva também pode levar a novas medidas cautelares, mesmo que a Justiça não aceite a tese da detenção. A CPMI pode propor convocações urgentes, pedidos de quebra de sigilo ou exigência de comparecimento presencial de Lulinha e Frei Chico, com prazos específicos. Esses movimentos tendem a alimentar uma disputa diária por narrativas, em que cada fala ou ausência dos investigados é usada para reforçar a versão de um dos lados.

A repercussão recai diretamente sobre Lula. O presidente, que constrói sua imagem em torno da trajetória familiar e sindical, vê o sobrenome envolvido em mais um embate jurídico e político. A oposição explora a situação para questionar o compromisso do governo com a transparência e o combate a irregularidades. Integrantes do governo, por sua vez, devem tentar separar o papel institucional do presidente de questões envolvendo parentes, reforçando que não há imunidade automática para familiares.

Os próximos dias serão decisivos. A presidência da CPMI precisa definir quando o pedido entra na pauta de votação, se ouvirá antes a deputada autora ou representantes da defesa dos citados e se haverá sessão específica para tratar apenas desse tema. A depender do calendário, a discussão pode coincidir com outras votações relevantes no Congresso, como projetos econômicos e indicações para cargos estratégicos, contaminando a agenda legislativa.

O desfecho também terá impacto nas eleições futuras. A forma como partidos de centro se posicionam diante do pedido de prisão preventiva pode antecipar alianças, rompimentos e estratégias de campanha. A dúvida que passa a orientar Brasília é se a CPMI do INSS continuará focada em questões técnicas do sistema previdenciário ou se se consolidará como palco central da guerra política em torno da família presidencial.

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