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Depay inicia 2026 irritado no Corinthians por lesões e política

Memphis Depay inicia 2026 irritado no Corinthians. O atacante ainda não entra em campo no ano por problemas físicos e se incomoda com a influência política no clube.

Lesões em série e frustração com o planejamento

O início de temporada expõe um contraste incômodo para o principal nome estrangeiro do elenco corintiano. Contratado para ser protagonista em 2025, Depay chega a janeiro de 2026 sem um minuto jogado no ano e com a sensação de que o corpo cobra um preço de decisões equivocadas no passado recente.

O atacante lida com dores no joelho esquerdo e carrega um histórico recente de lesões que muda a rotina no CT. Ele planeja estar em campo na Supercopa do Brasil, contra o Flamengo, mas já admite que chegará ao jogo sem a minutagem que considera ideal. Pessoas próximas relatam que ele queria usar os primeiros compromissos do Paulistão para ganhar ritmo. Em vez disso, passa mais tempo no departamento médico do que com chuteiras nos pés.

A irritação nasce de episódios específicos. Em setembro de 2025, Depay avisa à comissão técnica que volta desgastado da data Fifa com a seleção holandesa. Mesmo assim, é escalado como titular no jogo seguinte, contra o Athletico-PR, pela Copa do Brasil. Deixa o gramado nos minutos iniciais após sentir um incômodo na coxa direita. A cena, vista por ele como previsível, abre uma ferida que não cicatriza.

Dois meses depois, em novembro, o corpo volta a dar sinais mais graves. Em duelo com o São Paulo pelo Brasileirão, Depay sente primeiro uma fisgada na coxa e, ao tentar frear, torce o joelho esquerdo. Sai com um edema ósseo diagnosticado, lesão que costuma exigir semanas de cuidado. Desde então, a desconfiança em relação ao planejamento físico se transforma em convicção de que houve erro de condução.

Depay, hoje com a carreira consolidada na Europa e referência da seleção holandesa, encara 2026 como ano-chave. A Copa do Mundo no fim da temporada é o grande objetivo, e o atacante teme que qualquer novo problema físico coloque em risco a preparação para o torneio. Internamente, repete que precisa chegar ao meio do ano em alto nível, com sequência de jogos e números que sustentem sua posição na equipe nacional.

Bastidores políticos acentuam desgaste no clube

A insatisfação de Depay não se limita ao departamento médico. A rotina no Parque São Jorge e no CT Joaquim Grava também incomoda o holandês, que vê na presença constante de figuras políticas um ruído desnecessário no dia a dia do elenco. Ele se surpreende com o peso de dirigentes em conversas de vestiário e na convivência com os jogadores.

O UOL apura que dois dirigentes, em especial, irritam o atacante. Os nomes não são tornados públicos, mas a leitura é de que atravessam linhas que, em outros clubes, costumam ser restritas a comissão técnica e diretoria de futebol. Depay acreditava que o cenário mudaria após o desabafo no vestiário do Maracanã, logo depois do título da Copa do Brasil, no fim de 2025, quando expôs o incômodo com interferências externas.

A chegada de Marcelo Paz ao cargo de executivo de futebol, ainda em dezembro, alimenta a expectativa de um ambiente mais profissionalizado. Na prática, porém, o jogador percebe pouca mudança. As mesmas figuras continuam circulando em treinos, preleções e viagens. Em conversas reservadas, Depay descreve a política interna do Corinthians como barulhenta e desgastante para quem está acostumado a estruturas mais blindadas na Europa.

O presidente Osmar Stábile tenta administrar o caso sem abrir novas frentes de conflito. Pessoas ligadas à diretoria admitem que o clube enxerga Depay como ativo técnico e de imagem, fundamental tanto dentro de campo quanto fora dele. O entendimento é de que ele precisa de “demonstrações de carinho” e de um tratamento à altura de um atleta de patamar internacional, expressão repetida também por Marcelo Paz em conversas internas.

O incômodo, porém, já transborda das paredes do CT para as redes sociais. Em meio à chateação, Depay retira do perfil no Instagram a marcação ao Corinthians e apaga as fotos fixadas que celebravam o título paulista e a conquista da Copa do Brasil de 2025. O gesto, silencioso, funciona como recado público de que algo vai mal na relação.

Pressão esportiva, imagem em jogo e próximos passos

O desgaste chega em um momento em que o Corinthians tenta consolidar um projeto esportivo mais ambicioso. Depay é peça central dessa estratégia. Um atacante com histórico em clubes de ponta e titular de seleção em Copa do Mundo aumenta a exposição internacional, facilita negociações de patrocínio e eleva o sarrafo interno de rendimento. Quando esse jogador está insatisfeito, o sinal de alerta acende para todas as áreas do clube.

O afastamento por lesão diminui a força ofensiva imediata da equipe, mas o risco maior está no médio prazo. Se o holandês não recuperar confiança no planejamento físico e no ambiente político, a tendência é que negocie cada passo com mais cautela, evite se expor em campo e reduza o ímpeto de assumir protagonismo. O vestiário sente quando a principal referência técnica entra em campo mais preocupada em não se machucar do que em decidir partidas.

O episódio também pressiona a estrutura de futebol a revisar processos. A sequência de avisos ignorados, lesão muscular e problema no joelho expõe falhas de comunicação entre jogador, departamento médico e comissão técnica. Em um calendário que empilha jogos a cada três dias, qualquer erro de avaliação cobra um preço alto. O caso Depay pode acelerar a adoção de protocolos mais rígidos de controle de carga, descanso e minutagem.

No campo político, o Corinthians lida com um equilíbrio delicado. Reduzir o trânsito de dirigentes em treinos e vestiário atende a uma demanda de jogadores e comissão, mas mexe em tradições e interesses internos. A forma como Stábile conduz esse ajuste terá impacto direto não só na relação com Depay, mas na percepção de outros atletas sobre o ambiente do clube.

Depay, por sua vez, caminha sobre uma corda bamba. Precisa demonstrar comprometimento com o Corinthians para manter o respaldo da torcida e da direção, ao mesmo tempo em que preserva o próprio corpo pensando na Copa do Mundo. A estreia em 2026, prevista para acontecer antes da Supercopa ou no próprio duelo contra o Flamengo, tende a funcionar como termômetro: se o desempenho for convincente e o planejamento físico respeitado, a temperatura baixa. Se novas dores aparecerem, a crise pode ganhar outra dimensão.

Entre sessões de fisioterapia, treinos controlados e conversas a portas fechadas, o clube tenta reconstruir a ponte com seu principal astro. O Corinthians sabe que precisa de um Memphis Depay saudável, motivado e convencido de que está em um ambiente competitivo e estável. O jogador, por sua vez, sabe que 2026 não oferece muito espaço para erros. A resposta virá em campo, mas também nos bastidores que hoje o incomodam tanto.

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