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Defesa Civil em alerta para chuva forte e risco de enchentes em BH

A Defesa Civil de Belo Horizonte e do estado mantém, neste domingo (18/1), alerta para pancadas de chuva moderada a forte em toda a capital e Região Metropolitana. A previsão indica céu nublado, raios, rajadas de vento e risco de enchentes, enxurradas e alagamentos ao longo do dia.

Domingo marcado por instabilidade e volumes elevados

A manhã começa com temperatura mínima de 17,9 ºC na Região Centro-Sul da capital, registrada por volta das 6h35, e não deve esquentar muito ao longo do dia. A máxima prevista é de 24 ºC, segundo a Defesa Civil municipal, sob um cenário de céu carregado e pancadas de chuva a qualquer hora. A umidade relativa mínima do ar fica em torno de 70% à tarde, longe do desconforto típico da seca, mas suficiente para manter o tempo abafado.

O alerta não se restringe a Belo Horizonte. Toda a Região Metropolitana está sob aviso da Defesa Civil estadual desde sexta-feira (16/1), com validade até sábado (24/1), para um período de forte instabilidade atmosférica. A preocupação cresce com a possibilidade de formação de um novo episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul, a ZCAS, sistema que concentra nuvens de chuva sobre a mesma faixa do país por vários dias seguidos. Na prática, isso significa precipitações frequentes, em alguns casos quase ininterruptas, com acumulados que podem ultrapassar 200 milímetros em poucos dias.

O coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Roberto Bermudes Rezende, traduz o número para o cotidiano dos municípios. “Quando falamos em 200 milímetros de chuva, estamos nos referindo a um volume que, em muitos municípios, equivale a toda a chuva esperada para um mês inteiro concentrada em poucos dias”, afirma. Segundo ele, esse patamar é suficiente para sobrecarregar sistemas de drenagem, córregos, rios e encostas, criando um ambiente propício para enxurradas rápidas, transbordamentos e deslizamentos em áreas de risco.

Risco de enxurradas, granizo e impacto na rotina

Em Belo Horizonte, a combinação de chuva forte, raios e rajadas de vento ocasionais acende o alerta em regiões com drenagem precária e histórico de alagamentos. Bairros cortados por córregos canalizados, vias em fundos de vale e encostas ocupadas de forma desordenada entram novamente no radar das autoridades e da população. Enchentes repentinas, como as registradas em verões anteriores, voltam a ser uma possibilidade concreta caso os núcleos de chuva mais intensa se formem sobre a capital.

O cenário é semelhante em outras regiões do estado, com particular atenção ao Triângulo Mineiro, onde as tempestades podem ser mais intensas neste domingo, com rajadas de vento de até 60 km/h e possibilidade de granizo. A Defesa Civil estadual também cita risco de temporais ao longo da semana no Leste de Minas, faixa que inclui cidades vulneráveis a enchentes e deslizamentos. A partir de segunda-feira (19/1), a chuva volta a se espalhar por praticamente todo o estado, com acumulados que podem chegar a 50 milímetros no Sul de Minas e cerca de 30 milímetros nas demais regiões, acompanhados de rajadas acima de 60 km/h em alguns pontos.

Na terça-feira (20/1), a tendência é de chuva persistente ao longo de todo o dia em todas as regiões, com destaque para a faixa leste, onde os acumulados podem atingir 60 milímetros. A quarta-feira (21/1) marca um ponto de maior atenção: são esperados volumes que podem ultrapassar 100 milímetros, especialmente na Zona da Mata, no Vale do Rio Doce, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na região Central Mineira e no Oeste do estado. Em cenários assim, o impacto sobre o trânsito urbano, o transporte intermunicipal, o abastecimento de serviços e a segurança de encostas costuma ser imediato.

Os efeitos da instabilidade se espalham pela semana. Na quinta-feira (22/1), os maiores volumes se deslocam para o Centro-Norte, atingindo áreas da Central Mineira, Zona da Mata, Campo das Vertentes, Norte e Noroeste de Minas, além dos vales do Mucuri e do Rio Doce e o Oeste de Minas. Nessa etapa, os acumulados mais altos são esperados novamente na Zona da Mata, onde a chuva pode chegar a 100 milímetros em um único dia. Na sexta-feira (23/1), os volumes diminuem, mas seguem concentrados no Vale do Rio Doce, no Norte da Zona da Mata e no Leste da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com até 80 milímetros previstos. No sábado, a previsão indica retorno das chuvas mais fortes para o Centro-Sul do estado, com acumulados de até 30 milímetros na maior parte de Minas.

Semana de alerta contínuo e preparação

A sucessão de dias chuvosos, aliada ao potencial de formação da ZCAS, preocupa as autoridades justamente pela soma dos volumes. Mesmo quando a precipitação diária não é extrema, o solo saturado e os rios cheios reduzem a capacidade de absorção de novas pancadas intensas. A Defesa Civil recomenda atenção redobrada em encostas, margens de córregos e áreas historicamente alagáveis, além da revisão preventiva de telhados, calhas e sistemas de escoamento de água nas casas e comércios.

O órgão orienta moradores a evitarem deslocamentos desnecessários durante tempestades, especialmente em vias já conhecidas por alagamentos rápidos, e a não enfrentar enxurradas a pé ou de carro. Também reforça a importância de acompanhar os avisos oficiais por canais de alerta, aplicativos e redes sociais. Em uma semana em que volumes de até 200 milímetros são cogitados para algumas áreas, a rapidez na resposta a cada frente de chuva pode definir a gravidade dos danos. A instabilidade que se instala sobre Belo Horizonte e Minas Gerais não se resolve em poucas horas e abre uma sequência de dias em que prevenção, informação e preparo deixam de ser recomendação abstrata e passam a ser condição para atravessar o período chuvoso com menos perdas.

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