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Datafolha: reprovação a Lula sobe e aprovação do governo cai a 29%

O governo Lula mantém 40% de avaliação negativa e vê a aprovação cair para 29%, mostra pesquisa Datafolha feita entre 7 e 9 de abril de 2026. Os números reforçam o cenário de desgaste do terceiro mandato do petista em meio a dificuldades econômicas e alto endividamento das famílias.

Desgaste em meio à pressão econômica

O levantamento do Datafolha, que entrevista 2.004 eleitores em 134 cidades do país, registra uma mudança lenta, mas persistente, no humor do eleitorado. A fatia que avalia o governo como “regular” sobe de 26% para 29%, enquanto os que não sabem opinar somam 2%.

O retrato sugere um governo encurralado entre a rejeição consolidada e uma base que não se mostra entusiasmada. A aprovação em 29% aproxima Lula do patamar que, historicamente, acende o sinal amarelo no Planalto, especialmente às vésperas de um novo ciclo eleitoral.

O Datafolha também mede a avaliação pessoal do presidente. A reprovação a Lula sobe de 49% para 51%, enquanto a aprovação cai de 47% para 45% desde a última rodada. A curva repete o movimento da imagem do governo e indica que o desgaste vai além da área econômica e atinge a confiança na liderança política do petista.

No entorno do presidente, auxiliares admitem preocupação com a combinação de renda apertada, crédito caro e famílias endividadas. “As pessoas olham o boleto, não o PIB”, resume um aliado governista, em conversa reservada, ao comentar os dados da pesquisa.

Famílias endividadas e impasse eleitoral

O governo identifica no endividamento das famílias um dos principais focos de irritação com Brasília. Como a CNN Brasil já mostrou, o tema entra no topo da agenda do Planalto, que prepara um novo pacote de incentivos financeiros e abatimento de dívidas, inspirado no programa Desenrola.

O desenho desse pacote ainda está em discussão, assim como a abrangência e o custo fiscal. A expectativa dentro do governo é anunciar as medidas em etapas, mirando especialmente a classe média baixa e trabalhadores com grande exposição ao crédito rotativo e ao cartão. A equipe de Lula vê nesse grupo um contingente decisivo, hoje inclinado à avaliação negativa ou ao “regular”.

Os números do Datafolha mostram que a pressão não é apenas econômica, mas também eleitoral. Em cenários de segundo turno, Lula aparece em empate técnico com três possíveis adversários: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). O detalhe mais incômodo para o Planalto é a dificuldade do presidente em ampliar sua base para além do eleitorado fiel.

Outro dado citado por analistas políticos é o de rejeição: 48% dizem não votar em Lula, enquanto 46% afirmam não votar em Flávio Bolsonaro, segundo a pesquisa. Em simulações de primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio, com 35%; em um eventual segundo turno, o senador registra 46%, e Lula, 45%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O quadro indica uma disputa polarizada, porém mais apertada que a de 2022. A diferença é que, agora, Lula ocupa a cadeira de presidente e carrega a cobrança diária por resultados concretos na economia. A sensação de frustração com o ritmo da recuperação, captada nas entrevistas, se reflete nos índices de reprovação.

Estratégias, riscos e próximos passos

No núcleo político do governo, a leitura é que a janela para reverter a curva negativa se estreita a cada pesquisa. A aposta recai sobre duas frentes principais: acelerar a entrega de medidas com impacto direto no bolso e tentar reorganizar a base de apoio no Congresso, hoje fragmentada e resistente a pautas econômicas mais ousadas.

Interlocutores do Planalto defendem uma comunicação mais direta, que traduza programas e siglas em efeitos mensuráveis para o cotidiano. “Se o eleitor não sente no mercado e na conta de luz, a narrativa não se sustenta”, diz um dirigente de partido da base, sob condição de anonimato.

O desafio, porém, extrapola o marketing. O novo pacote para aliviar dívidas precisa evitar a percepção de improviso e mostrar coordenação com bancos, varejistas e órgãos de defesa do consumidor. Economistas alertam para o risco de criar alívio de curto prazo sem atacar causas estruturais, como juros altos e empregos precários.

A pesquisa Datafolha também recoloca na mesa a discussão sobre alianças e palanques regionais. Empates técnicos com nomes como Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema pressionam Lula a negociar com governadores, partidos do centrão e lideranças locais para reduzir resistências em redutos hoje hostis ao governo federal.

O roteiro dos próximos meses combina anúncio de medidas econômicas, viagens pelo país e tentativa de reaproximação com segmentos que ajudaram a eleger Lula, mas agora se mostram mais céticos, como parte do eleitorado jovem e trabalhadores informais. A dúvida que fica, diante dos 40% de avaliação negativa e da aprovação em 29%, é se ainda há tempo para transformar cautela em apoio firme antes que a campanha eleitoral comece, de fato, a ocupar as ruas.

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