Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no 2º turno
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate técnico na simulação de segundo turno da eleição presidencial, segundo pesquisa Datafolha realizada entre 3 e 5 de março. O petista marca 46%, o senador alcança 43% e a diferença, de três pontos, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O novo cenário reduz de forma expressiva a folga que Lula tinha no fim de 2025.
Vantagem de Lula encolhe e acirra disputa
O levantamento, feito de forma presencial com 2.004 entrevistados em 137 municípios, indica uma queda consistente da vantagem de Lula sobre o herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em dezembro do ano passado, o atual presidente registrava 51% em um cenário de segundo turno contra Flávio, então com 36%. A diferença de 15 pontos cai agora para apenas três.
O movimento reforça a volta a um ambiente de disputa apertada na corrida ao Palácio do Planalto, com forte polarização entre lulismo e bolsonarismo. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-03715/2026, requisito legal para sondagens divulgadas em ano eleitoral. Os resultados ainda mostram que, embora Lula lidere todos os cenários de primeiro e segundo turnos testados, a trajetória é de erosão gradual de sua vantagem.
Primeiro turno mantém liderança de Lula, mas amplia pressão
No cenário considerado hoje mais provável para o primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 32%. A distância de seis pontos é confortável para o presidente, mas acende o alerta em sua campanha diante da curva de crescimento do adversário. Ratinho Jr. (PSD), governador do Paraná, surge em seguida com 7%. Romeu Zema (Novo), governador de Minas, marca 4%.
Renan Santos, do partido Missão, registra 3%, e Aldo Rebelo (DC) aparece com 2%. Um contingente de 11% afirma rejeitar todos os candidatos apresentados, e 3% dizem não saber em quem votar. O conjunto indica um eleitorado ainda com margem para mudança, mas com preferência já bastante concentrada em Lula e Flávio. Na avaliação de analistas políticos ouvidos reservadamente por campanhas, o quadro reforça a leitura de que o País caminha para mais um embate direto entre os dois campos que dominam a política nacional desde 2018.
PSD testa força e busca espaço no tabuleiro
A pesquisa também avalia o desempenho de potenciais candidatos do PSD, partido que tenta se firmar como alternativa à polarização. O Datafolha testa três nomes da sigla, e Ratinho Jr. é o mais competitivo. No cenário com Lula e Flávio, o governador paranaense atinge 7% no primeiro turno, pontuação que o coloca como principal figura da chamada terceira via na fotografia atual.
Em um cenário alternativo, em que Tarcísio de Freitas substitui Flávio Bolsonaro na disputa, Lula mantém a dianteira, mas com um quadro menos apertado. O presidente chega a 39%, enquanto o governador de São Paulo aparece com 21%. Ratinho Jr. cresce para 11%, Zema sobe a 5%, Renan mantém 3% e Aldo, 2%. O teste evidencia a dificuldade de qualquer nome fora do núcleo bolsonarista em reproduzir o desempenho de Flávio junto ao eleitorado conservador.
Polarização se cristaliza e redefine estratégias
Os números do segundo turno apontam para um País dividido em dois blocos consolidados, com pouco espaço para surpresas. Ao reduzir a desvantagem de 15 para três pontos em menos de três meses, Flávio Bolsonaro ganha fôlego político e se consolida como principal antagonista de Lula. A família Bolsonaro volta ao centro do debate eleitoral, e o senador herda o capital político do pai, mesmo sem repetir o estilo mais estridente do ex-presidente.
Para o campo lulista, o acirramento traz a necessidade de rever estratégias e reforçar alianças com o centro, inclusive com o PSD de Gilberto Kassab, que hoje testa seus nomes sem romper pontes com o governo. A aproximação numérica entre Lula e Flávio tende a influenciar o tom dos discursos, o foco da publicidade e as negociações com partidos médios. Em conversas de bastidor, dirigentes admitem preocupação com o avanço do bolsonarismo em faixas do eleitorado popular e evangélico.
O que a disputa apertada projeta para os próximos meses
O Datafolha retrata um momento ainda distante do início oficial da campanha, mas já suficiente para moldar decisões de marqueteiros, partidos e do próprio governo. A tendência de queda da vantagem de Lula pode acelerar anúncios de programas sociais, viagens pelo País e gestos de aproximação com o Congresso. Ao mesmo tempo, reforça a aposta bolsonarista em temas como segurança pública, costumes e críticas à economia.
A pesquisa, no entanto, é uma fotografia e não uma sentença. A disputa permanece aberta, com espaço para sobressaltos econômicos, crises internacionais e fatos novos que alterem o humor do eleitorado. A pergunta que passa a guiar campanhas, mercados e aliados é se o movimento de aproximação de Flávio Bolsonaro representa apenas um solavanco momentâneo ou o início de uma nova virada na política brasileira.
