Datafolha mostra Caiado com 5% e distante de Lula e Flávio
Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado 11 mostra Ronaldo Caiado com 5% das intenções de voto para a Presidência em 2026. O ex-governador de Goiás aparece bem atrás de Lula e Flávio e empata tecnicamente com candidatos de menor expressão nacional.
Candidato do PSD patina e fica mais perto dos nanicos
O novo levantamento, feito a pouco mais de um ano das eleições, expõe o desafio do PSD para transformar Caiado em alternativa nacional viável. No cenário de primeiro turno testado pelo instituto, Lula, do PT, lidera com 39% das intenções de voto, seguido de perto por Flávio, que alcança 35%. A distância entre os dois primeiros colocados e o candidato do PSD escancara a dificuldade de qualquer projeto de terceira via romper a polarização.
Enquanto Lula e Flávio somam, juntos, 74% das preferências, Caiado divide o espaço restante com nomes que ainda lutam para ser reconhecidos fora de seus redutos. Romeu Zema, do Novo, registra 4%; Renan Santos, do Missão, aparece com 2%; Aldo Rebelo, do Democracia Cristã, marca 1%; e Cabo Daciolo, do Mobiliza, também tem 1%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, todos se encaixam em um mesmo bloco, bem abaixo dos líderes.
PSD insiste em alternativa e Kassab mira 15%
Confirmado como pré-candidato do PSD ao Planalto, Caiado chega a abril acumulando exposição nacional, mas ainda sem converter presença em intenção de voto. Aos 76 anos, médico e ex-líder ruralista, ele deixa o governo de Goiás com alta aprovação regional, porém com baixa penetração nas capitais do Sudeste e do Nordeste, hoje decisivas em qualquer disputa presidencial.
Gilberto Kassab, presidente do PSD e principal fiador da candidatura, tenta reorganizar o cenário em torno de uma narrativa de crescimento gradual. Em evento do Bradesco BBI na terça-feira 7, o ex-prefeito de São Paulo admitiu que não trabalha, neste momento, com a hipótese de liderança nas pesquisas. “Vão falar: ‘mas não vai para o segundo turno’. Bom, mas se não for para o segundo turno — e eu acho que pode ir — e se tiver 15%, ótimo”, afirmou, ao defender a presença de Caiado no páreo como “alternativa importante para o País”.
O número citado por Kassab, 15%, é três vezes maior do que o patamar atual aferido pelo Datafolha. A meta, na prática, funciona como linha de corte para medir se a candidatura do PSD terá fôlego para influenciar alianças no segundo turno ou se ficará restrita a um papel simbólico. Dentro do partido, auxiliares avaliam que qualquer desempenho abaixo de dois dígitos tende a esvaziar o discurso de “terceira via responsável” e a empurrar lideranças regionais para acordos com Lula ou com Flávio ainda no primeiro turno.
A pesquisa também reforça um movimento que se repete desde 2018: nomes apresentados como alternativa ao confronto entre lulismo e bolsonarismo encontram dificuldade para romper a barreira dos 10%. Em 2022, Ciro Gomes, então pelo PDT, estaciona em 3% dos votos válidos, apesar de tempo de TV e longa trajetória nacional. Agora, Caiado tenta se colocar nesse espaço, mas começa a campanha extraoficial mais próximo de Daciolo que dos dois principais polos da disputa.
Fragmentação, cálculos eleitorais e o que vem pela frente
O desempenho modesto de Caiado aprofunda a fragmentação do campo intermediário. Com vários candidatos disputando um mesmo eleitorado insatisfeito com Lula e com Flávio, cada ponto percentual ganha peso desproporcional. Uma eventual migração de dois ou três pontos pode redefinir palanques estaduais, liberar apoios em partidos médios e mexer em bancadas no Congresso a partir de 2027.
No curto prazo, a pesquisa pressiona o PSD a calibrar estratégia e discurso. Se os 5% virarem teto, o partido corre o risco de sair menor da eleição presidencial, com menos capacidade de barganha em votações-chave e na distribuição de cargos em um futuro governo. Se houver reação e Caiado se aproximar dos dois dígitos até o início oficial da campanha, em agosto de 2026, o cenário muda: ele pode atrair legendas sem candidato competitivo e negociar uma posição destacada em eventual segundo turno.
Enquanto isso, Lula e Flávio observam o tabuleiro sem pressa. A manutenção da polarização facilita a construção de narrativas de confronto direto e reduz o espaço para agendas alternativas. A cada nova pesquisa que confirma essa estrutura, a tarefa de Caiado deixa de ser apenas crescer e passa a ser convencer o eleitor de que sua candidatura tem destino, e não apenas função decorativa na urna.
Os próximos meses indicarão se o plano de Kassab de levar o candidato a 15% é um cálculo realista ou um gesto de resistência política. O PSD aposta em maior exposição nacional, viagens semanais de Caiado a capitais estratégicas e alianças regionais com prefeitos e governadores para tentar furar o bloqueio. A dúvida que permanece é se haverá tempo, dinheiro e disposição do eleitorado para mais um projeto de terceira via em um País que, nas pesquisas, continua dividido entre dois nomes.
