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Cruzeiro conquista Copinha e promove trio da base ao time principal

O Cruzeiro vence o São Paulo por 2 a 1, neste domingo (25), na Arena Mercado Livre Pacaembu, conquista a Copa São Paulo de Futebol Júnior e promove três jovens ao elenco profissional já nesta semana.

Título em São Paulo acelera plano para a base

O apito final em Pacaembu marca mais do que o segundo título cruzeirense na Copinha. A taça vem como selo de um projeto que Pedro Lourenço conduz desde que assumiu o controle do clube, em 2024, e que agora dá um passo visível: Baptistella, Murilo e Rayan se apresentam ao time principal na terça-feira, dia 27.

Na arquibancada, o presidente acompanha de perto a virada sobre o São Paulo e transforma o gramado em palco de anúncio. Ainda no calor da comemoração, ele deixa claro o tamanho da aposta na formação. “Graças a Deus, foi maravilhoso ganhar o primeiro título nosso. Vai fazer dois anos que compramos o Cruzeiro. O time do São Paulo é muito forte, então, a garotada está de parabéns”, afirma, cercado por dirigentes e funcionários.

O jogo, intenso do início ao fim, confirma a solidez da geração sub-20. O São Paulo pressiona, reage, tenta empatar, mas esbarra em um Cruzeiro mais frio nos momentos decisivos. O segundo gol, marcado por Gustavinho, simboliza a maturidade de um elenco que sabe sofrer e controlar o placar. O 2 a 1 encerra uma campanha sem sustos na reta final e reforça a ideia de que o clube volta a ser competitivo também nas categorias de base.

A Copa São Paulo, disputada em janeiro e reconhecida como maior torneio de base do país, costuma antecipar tendências. Para um Cruzeiro que passou anos mergulhado em crise financeira e esportiva, erguer o troféu em 2026 tem peso simbólico e prático. O título chega em um momento em que o time profissional se prepara para clássicos e para uma temporada de reconstrução sob Tite, técnico que terá novos nomes à disposição já nesta semana.

Base ganha protagonismo e mexe com o elenco principal

O discurso de Pedrinho, como é chamado o presidente, vai além da celebração imediata. Ele insiste na base como patrimônio central do clube e anuncia o plano sem rodeios. “Nós estamos olhando com muito carinho a base. Eu falo sempre que o maior legado do time é a base. Três já vão integrar o profissional na terça-feira: o Baptistella, o Murilo e o Rayan. Eles vão integrar o grupo principal”, diz.

O movimento não é apenas simbólico. Baptistella, volante de boa leitura de jogo, Murilo, zagueiro que se destaca pelo tempo de bola, e Rayan, atacante de velocidade, passam a treinar com o elenco de Tite em um calendário que já reserva compromisso pesado. No dia 24, Cruzeiro e Atlético-MG medem forças em clássico que testa opções, profundidade de elenco e nervos de início de temporada. A presença dos garotos não significa titularidade imediata, mas amplia alternativas em uma equipe que busca renovar o elenco sem gastar além do caixa.

A estratégia conversa com a realidade financeira do futebol brasileiro. Investir em formação reduz custo com contratações, gera ativos negociáveis e cria identificação com a torcida. Em Belo Horizonte, a vitória em São Paulo alimenta exatamente esse imaginário: o de que o Cruzeiro volta a revelar talentos como em ciclos anteriores, quando a Toca da Raposa emplacava jogadores no time principal e em transferências milionárias para o exterior.

Pedrinho sabe que empolgação demais pode atropelar carreiras ainda em construção e tenta colocar freio no próprio entusiasmo. “Na medida do que forem correndo os jogos, vão aparecer outros. Os meninos têm grande potencial. Estamos olhando com carinho para os meninos. Nós temos muita coisa boa, vamos com calma com eles, mas muito feliz com este título”, completa. O recado é duplo: valorizar, mas proteger; expor, mas sem queimar etapas.

O título na Arena Mercado Livre Pacaembu também reforça a imagem institucional do Cruzeiro em um mercado em que jovens observam onde terão espaço. A conquista vira argumento em negociações com famílias, empresários e investidores. Para torcedores, chega como alívio e esperança, em um clube que nos últimos anos conviveu com rebaixamento, dívidas e campanhas irregulares. O 2 a 1 sobre o São Paulo representa, para muitos, a confirmação de que a reconstrução começa de baixo para cima.

Desafio agora é transformar promessa em realidade

O salto do sub-20 para o profissional é o teste mais duro para qualquer projeto de base. Nos próximos meses, o Cruzeiro precisa provar que a integração de Baptistella, Murilo e Rayan não é apenas resposta eufórica a um título de janeiro. O clube terá de administrar minutagem, pressão por resultados e a convivência dos garotos com jogadores experientes em um vestiário que entra em 2026 sob cobrança por desempenho imediato.

A agenda ajuda e ao mesmo tempo aperta. O calendário nacional, com estaduais, Copa do Brasil e Brasileirão, abre espaço para rodar o elenco, mas não perdoa falhas. Tite terá a missão de encaixar os jovens em momentos específicos, usar partidas de menor peso para dar ritmo e, ao mesmo tempo, blindá-los de críticas desproporcionais. O histórico recente do futebol brasileiro mostra que clubes que conseguem esse equilíbrio costumam colher títulos, vendas altas e estabilidade esportiva.

O impacto interno tende a ir além do trio promovido. Outros jogadores da base enxergam o atalho real entre a Copinha e o time principal, algo que nem sempre se concretiza na prática. A simples presença de três companheiros no CT profissional pode mudar comportamentos, elevar nível de treino e aumentar a competição por vagas. O recado da diretoria é claro: desempenho em torneios de base passa a ter efeito direto na carreira dentro do clube.

Para o Cruzeiro, que tenta se firmar de novo entre os protagonistas do futebol nacional, o troféu em São Paulo é ponto de partida, não de chegada. A taça na vitrine, a foto de Gustavinho comemorando o segundo gol na final e as frases de Pedrinho no gramado entram para o álbum de 2026 como marco de um ciclo que o clube promete ser mais sustentável. Resta saber se, diante da pressão por resultados no profissional e das tentações do mercado, a aposta na base resistirá intacta ao primeiro revés importante.

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