Cruzeiro cede empate ao Corinthians e segue no Z4 do Brasileirão
Cruzeiro e Corinthians empatam por 1 a 1, nesta quarta-feira (25), no Mineirão, pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro. A Raposa abre o placar cedo, controla o jogo por mais de uma hora, mas leva o empate de cabeça e segue pressionada na zona de rebaixamento.
Gol cedo, pressão e frustração no Mineirão
O roteiro da noite em Belo Horizonte parece definido logo aos 9 minutos de partida. Kaio Jorge recebe pela direita, conduz em velocidade e encontra Matheus Pereira na entrada da área. O camisa 10 ajeita o corpo e finaliza rasteiro, no canto esquerdo de Hugo Souza, para abrir o placar e incendiar o Mineirão.
O Cruzeiro de Tite aproveita o bom início e impõe marcação alta. Com vantagem, atrai o Corinthians para o campo de ataque, mas encontra espaços para contra-atacar em velocidade. O time alvinegro demora a se ajustar e vê a bola girar com mais qualidade pelos pés de Lucas Romero, Lucas Silva e do próprio Matheus Pereira.
Quando encontra seu melhor momento no primeiro tempo, o Cruzeiro chega a balançar a rede de novo. Aos 31 minutos, Lucas Romero acha belo passe por dentro, Matheus Pereira encontra Kaio Jorge livre. O centroavante tira de Hugo Souza e marca, mas o assistente aponta impedimento. O segundo gol, que poderia mudar o jogo, cai com a bandeira levantada.
O Corinthians, dirigido por Dorival Júnior, só organiza melhor a saída de bola após a metade da etapa inicial. Raniele se aproxima dos zagueiros, Carrillo e Breno Bidon tentam acelerar pelo meio, mas o time esbarra na boa proteção da defesa celeste. Pedro Raul recebe poucas bolas em condição de finalização, e Cássio quase não trabalha antes do intervalo.
No camarote, Carlo Ancelotti acompanha tudo com atenção. A presença do técnico da seleção brasileira, em Belo Horizonte, ajuda a elevar a tensão em campo e a exposição dos jogadores em uma quarta rodada que, em outros anos, passaria despercebida. Cada dividida e cada erro são avaliados sob um olhar extra de seleção.
Expulsão, reação do Corinthians e impacto na tabela
O segundo tempo começa com mudança clara de postura do Corinthians. Dorival volta do vestiário com Dieguinho e André em campo. O time ganha velocidade pelos lados e mais chegada de trás, ainda que siga encontrando dificuldade para romper a última linha da defesa mineira.
O Cruzeiro administra o placar e volta a levar perigo em chute forte de Matheus Pereira de fora da área, que passa perto. A sensação é de controle, mesmo sem transformar posse em chances claras. A bola corre mais na intermediária, o relógio anda, e o 1 a 0 parece confortável demais.
A partida muda de tom aos 35 minutos da etapa final. William tenta matar um contra-ataque corintiano ainda no campo ofensivo, comete falta, recebe o segundo cartão amarelo e é expulso. O lateral, que já carrega advertência no primeiro tempo, deixa o Cruzeiro com um jogador a menos justamente no momento em que o Corinthians se lança com tudo ao ataque.
O golpe chega rápido. Aos 37 minutos, após bola alçada na área, João Pedro Tchoca se antecipa à marcação, sobe mais alto que toda a defesa cruzeirense e cabeceia firme para empatar. O 1 a 1 vem em lance simples, mas exemplar da mudança de cenário: com mais um em campo, o Corinthians ocupa o campo ofensivo e transforma cada bola parada em ameaça real.
A reta final é de domínio alvinegro. O Cruzeiro recua ainda mais, tenta fechar espaços com uma linha compacta e apostar em ligações longas para Bruno Rodrigues, já em campo no lugar de Kaio Jorge. O Corinthians, com Memphis e Dieguinho participando por dentro, roda a bola, finaliza de média distância e força a defesa celeste a se multiplicar. O placar, porém, não se altera.
O empate derruba o impacto do bom início do Cruzeiro e pesa na tabela. A equipe mineira chega ao fim da 4ª rodada na 18ª posição, dentro da zona de rebaixamento, e convive com a pressão de um começo de Campeonato Brasileiro abaixo do esperado. O time cria, produz, mas volta a sair de campo sem a vitória diante de um adversário direto na parte alta da classificação.
Do outro lado, o Corinthians soma o sétimo ponto e fecha a rodada no terceiro lugar, encostado nos líderes. O resultado fora de casa, obtido após atuação de superação nos minutos finais, reforça a imagem de um elenco competitivo e em crescimento sob o comando de Dorival Júnior. Em um campeonato longo, arrancar um ponto no Mineirão, mesmo após sair atrás, ganha peso estratégico.
Próximos jogos e pressão crescente nos estaduais
O calendário não oferece respiro. Passado o empate no Brasileirão, Cruzeiro e Corinthians voltam suas atenções para os campeonatos estaduais, que entram em fases decisivas e funcionam como laboratório e termômetro ao mesmo tempo.
O Cruzeiro encara o Pouso Alegre neste sábado (28), às 18h30, no Mineirão, pelo jogo de volta da semifinal do Campeonato Mineiro. O duelo carrega peso extra para Tite, que ainda busca estabilidade de desempenho e resultado em casa. A manutenção da equipe titular, o espaço para reservas como Arroyo e Matheus Henrique e a gestão emocional após mais uma vitória desperdiçada entram no radar da comissão técnica.
O Corinthians joga no mesmo dia, às 20h30, contra o Novorizontino, pelo Paulista. Dorival deve usar o bom momento na tabela nacional para testar variações, ajustar a participação de Memphis e dos jovens da base e consolidar uma espinha dorsal antes da maratona de jogos do meio do ano. A reação no Mineirão, com gol de Tchoca, reforça a confiança na nova geração defensiva.
Fora de campo, o clássico em Belo Horizonte também deixa marcas. Após o episódio de racismo envolvendo Hugo Souza e a torcida cruzeirense em outro jogo, a diretoria corintiana já anuncia manifestações antirracistas específicas quando enfrentar novamente a Raposa. A discussão extrapola os 90 minutos e recoloca o debate sobre punições e campanhas de conscientização no centro do futebol nacional.
O Campeonato Brasileiro segue apenas em sua 4ª rodada, mas a fotografia da tabela já indica tendências. O Corinthians se firma no pelotão de frente e ganha moral para mirar objetivos maiores. O Cruzeiro se vê obrigado a reagir rápido para não transformar um início irregular em luta prolongada contra o rebaixamento. A pergunta que fica, depois de uma noite de controle sem vitória, é se a Raposa aprenderá a matar os jogos que domina.
