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Cruzeiro acerta venda de Kauã Prates ao Borussia Dortmund por € 12 mi

Cruzeiro encaminha a venda do lateral-esquerdo Kauã Prates, de 17 anos, ao Borussia Dortmund por 12 milhões de euros. A transferência deve ser oficializada em agosto de 2026, quando o jogador completa 18 anos.

Dortmund vence disputa e convence diretoria celeste

As conversas entre Cruzeiro e Borussia Dortmund avançam nas últimas semanas de janeiro de 2026 e entram na fase final. O clube alemão eleva a proposta para 12 milhões de euros, cerca de R$ 75 milhões, e supera concorrentes europeus e ofertas anteriores recusadas pela diretoria celeste.

A nova investida agrada à cúpula do Cruzeiro, que vê no acordo um dos maiores negócios recentes envolvendo um jogador formado na Toca da Raposa. Há cerca de duas semanas, o clube mineiro rejeita uma primeira oferta, considerada baixa para o potencial do lateral. O aumento de valor, confirmado pelo Lance! após informação divulgada pelo Central da Toca, muda o cenário e aproxima a assinatura.

Mesmo com o acerto bem encaminhado, Kauã não sai de imediato de Belo Horizonte. O lateral nasceu em 12 de agosto de 2008, em Montanha, no Espírito Santo, e ainda não pode se transferir para o futebol europeu por ser menor de idade. O plano em discussão prevê que ele permaneça no Cruzeiro até completar 18 anos, quando a FIFA autoriza a mudança definitiva para a Alemanha.

O desenho do negócio reforça um modelo que se torna mais frequente no mercado: clubes europeus garantem o direito sobre jovens talentos antes da maioridade, mas mantêm o atleta em atividade no Brasil por alguns meses. O arranjo reduz o risco esportivo para o comprador e assegura ao vendedor a presença do jogador em parte da temporada.

Da Copinha à vitrine europeia em poucos anos

Kauã Prates chega ao Cruzeiro em 2019, ainda criança, e atravessa toda a formação na Toca da Raposa. Em 2024, aos 16 anos, disputa a Copa São Paulo de Futebol Júnior e se firma como um dos destaques da base celeste, ganhando espaço definitivo entre os observados pelo departamento profissional.

O desempenho na base chama a atenção também da CBF. Em 2024, o lateral é convocado para um período de treinamentos com a Seleção Brasileira Sub-20 na Granja Comary, em Teresópolis. A presença na lista reforça a percepção de que o clube convive com um ativo raro, capaz de gerar retorno técnico e financeiro em pouco tempo.

Em 2025, Kauã passa a treinar com o elenco principal e entra na lista de oito jogadores da base inscritos pelo Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. A saída do experiente Marlon abre espaço definitivo na lateral esquerda, e o jovem se torna o reserva imediato de Kaiki. A estreia, porém, acontece em outro palco: a Copa Sul-Americana, em duelo contra o Mushuc Runa.

Após a partida, o técnico Leonardo Jardim não esconde o entusiasmo com o potencial do garoto. “Lançamos um menino de 16 anos que acredito que a médio prazo pode ser um dos bons laterais do futebol brasileiro”, afirma o treinador, ainda no gramado. A avaliação interna ajuda a segurar as primeiras sondagens de fora e embasa a postura rígida nas negociações com o Borussia.

O movimento alemão não surge de forma isolada. Nos últimos anos, o Dortmund constrói fama de especialista em lapidar jovens talentos, sobretudo sul-americanos. O clube aposta em jogadores ainda em formação, oferece minutos em alto nível e, em muitos casos, obtém grandes vendas na Europa. A aproximação com Kauã se encaixa nessa estratégia e reforça o apetite da Bundesliga por laterais brasileiros.

Impacto esportivo e alívio no caixa do Cruzeiro

Para o Cruzeiro, o acordo por cerca de R$ 75 milhões representa um reforço imediato ao caixa e uma rara combinação de necessidade financeira com convicção esportiva. A SAF celeste, ainda em processo de ajuste de contas e reconstrução da competitividade, encontra na venda de ativos formados em casa uma das principais fontes de receita.

O valor de 12 milhões de euros coloca Kauã em um patamar elevado entre as negociações de laterais com menos de 18 anos no país. A quantia tende a aliviar a pressão sobre o orçamento de 2026, abre margem para quitação de compromissos e pode financiar contratações pontuais para a sequência da temporada. Internamente, o negócio é visto como vitrine da capacidade de formação da Toca da Raposa I.

Esportivamente, a permanência do jogador até agosto reduz o impacto imediato da saída. O clube ganha alguns meses para preparar um substituto, seja promovendo outro jovem da base, seja buscando opções no mercado. A experiência recente com a saída de Marlon, que abriu espaço para Kaiki e para o próprio Kauã, serve de referência para uma transição planejada no setor.

Do lado alemão, o Borussia Dortmund reforça a imagem de clube formador que atua com antecedência e não hesita em pagar caro por potencial. O investimento em um lateral que ainda acumula poucos jogos como profissional confirma a confiança dos alemães no processo de observação e na capacidade de desenvolvimento interno. A expectativa é que Kauã chegue em 2026 já com minutos relevantes no futebol brasileiro e pronto para disputar espaço no elenco principal.

O movimento tende a reverberar no mercado. A entrada de um valor desse porte por um jogador de 17 anos sinaliza para outros clubes europeus que o preço da base brasileira sobe, especialmente em posições carentes no cenário internacional, como as laterais. Para os times do país, o recado é claro: investir em estrutura e formação deixa de ser discurso e se consolida como estratégia de sobrevivência.

Próximos passos e novas portas no mercado

As próximas semanas devem ser dedicadas aos detalhes finais do contrato, como bônus por metas, cláusulas de revenda e eventual porcentagem mantida pelo Cruzeiro em uma futura negociação. Esses ajustes definem o tamanho real do negócio no longo prazo e podem elevar ainda mais o retorno financeiro caso Kauã se valorize na Europa.

O cronograma prevê que o lateral cumpra o primeiro semestre de 2026 na Toca da Raposa, participe da sequência da temporada e só viaje à Alemanha após completar 18 anos, em 12 de agosto. Até lá, o jovem entra em campo sob os holofotes de quem já carrega preço de jogador europeu, mas ainda precisa entregar rendimento imediato em Belo Horizonte.

Para o torcedor cruzeirense, a negociação mistura orgulho e apreensão. Ver um atleta formado no clube chegar ao radar de um gigante europeu reforça a sensação de retomada, mas também expõe a dificuldade de segurar talentos por muito tempo. A resposta virá no gramado e no balanço: o Cruzeiro consegue transformar essa venda em time mais competitivo ou apenas em fôlego temporário nas contas?

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