Ciencia e Tecnologia

Crew-12 decola rumo à ISS e devolve equipe completa à estação

A NASA lança nesta sexta-feira (13) a missão Crew-12, que leva quatro astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS), às 7h15, em Cabo Canaveral. A viagem recoloca o laboratório orbital com tripulação completa após o retorno antecipado da Crew-11.

Nova tripulação, estação cheia novamente

A cápsula Crew Dragon Freedom, da SpaceX, deixa o Complexo de Lançamento 40, na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, impulsionada por um foguete Falcon 9 reutilizável. A bordo seguem Jessica Meir e Jack Hathaway, da NASA, a francesa Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia (ESA), e o russo Andrey Fedyaev, da Roscosmos, em mais um capítulo da cooperação internacional em órbita.

O lançamento ocorre depois de um adiamento de dois dias, causado por condições climáticas desfavoráveis na quarta-feira (11). A agência norte-americana projeta agora 80% de chance de tempo adequado para a decolagem. O Olhar Digital transmite a operação ao vivo a partir das 6h40, com apresentação de Lucas Soares e Marcelo Zurita, acompanhando desde a preparação final até a separação da cápsula.

A Freedom segue um roteiro conhecido, mas decisivo. Cerca de 27 horas após a decolagem, a cápsula deve se acoplar à ISS por volta das 12h15 de sábado (14), levando a estação de volta à configuração padrão de sete tripulantes. A Crew-11 deixa a plataforma antes do previsto, em janeiro, abrindo a necessidade de uma rotação acelerada para manter a agenda de pesquisas em microgravidade.

A Crew-12 se torna o 12º voo rotacional tripulado da SpaceX para a ISS e o 13º voo com humanos dentro do Programa de Tripulação Comercial da NASA, iniciado há pouco mais de uma década para reduzir a dependência de naves russas Soyuz. Desde 2020, a parceria com a empresa de Elon Musk transforma o Falcon 9 e a Crew Dragon em um sistema quase de linha regular para a órbita baixa.

Por que essa viagem importa agora

A chegada da nova tripulação evita uma queda prolongada na capacidade científica da ISS. Com apenas três ou quatro residentes, a rotina se concentra em manutenção, segurança e tarefas obrigatórias, deixando menos tempo para experimentos. Com sete astronautas, o laboratório consegue manter dezenas de pesquisas simultâneas em biologia, física, medicina e tecnologia espacial.

Em microgravidade, cientistas testam desde o comportamento de células humanas até novos materiais para satélites e sistemas de filtragem de água. Esses dados embasam remédios, técnicas de cultivo e soluções de engenharia usadas em terra. Cada mês com equipe completa significa mais horas de laboratório, mais amostras coletadas e mais dados prontos para análise.

A missão também reforça um equilíbrio delicado. Em meio a tensões geopolíticas, a ISS continua como um dos poucos projetos em que Estados Unidos, Europa e Rússia atuam lado a lado. A presença conjunta de Meir, Hathaway, Adenot e Fedyaev dentro da mesma cápsula sintetiza esse arranjo. A bordo da estação, eles se juntam a colegas que mantêm sistemas vitais, operam braços robóticos e recebem cargueiros automatizados.

O voo ainda consolida o modelo de transporte comercial de astronautas, hoje pilar da estratégia americana para o espaço próximo à Terra. Ao terceirizar o acesso à órbita baixa para empresas como a SpaceX, a NASA concentra recursos em programas mais ambiciosos, como as missões Artemis à Lua e o desenvolvimento de tecnologias para chegar a Marte nas próximas décadas.

Impacto científico e futuro das viagens tripuladas

Com a Crew-12 a bordo, a ISS volta a operar próximo do limite planejado de produtividade. Experimentações de longo prazo, que exigem acompanhamento diário, retomam ritmo normal. Projetos em biologia espacial, como o estudo de como músculos e ossos reagem à ausência de gravidade, ganham continuidade essencial para resultados confiáveis. Ensaios de combustão em microgravidade e testes com fluidos especiais alimentam o desenvolvimento de motores mais eficientes e sistemas térmicos avançados.

Os ganhos não se limitam a artigos científicos. Tecnologias de suporte à vida, reciclagem de ar e água e monitoramento remoto, refinadas em órbita, retornam ao setor privado em forma de produtos e serviços. Startups e grandes empresas usam esses dados em áreas como agricultura de precisão, monitoramento climático e telemedicina. Cada missão bem-sucedida fortalece a imagem dos lançadores comerciais como infraestrutura confiável para esse ecossistema.

O desempenho da Crew-12 também pesa na disputa por contratos futuros. A SpaceX acumula um histórico de decolagens com alto índice de sucesso e pousos controlados do primeiro estágio do Falcon 9, o que reduz custos e pressiona concorrentes. Esse cenário alimenta novos projetos privados de estações espaciais, desenhadas para substituir a ISS depois de 2030, quando o laboratório atual deve ser desorbitado e destruído de forma controlada.

No plano estratégico, a continuidade das missões tripuladas em órbita baixa funciona como campo de testes permanente para uma próxima fase. Sistemas de comunicação, proteção contra radiação e procedimentos de emergência aplicados hoje na ISS servem como base para viagens mais longas. O sucesso repetido dos voos comerciais contribui para convencer governos e investidores de que a transição do modelo puramente estatal para um mercado espacial mais amplo é irreversível.

Próximos passos em órbita e além

Se o cronograma se mantém, a Crew-12 passa cerca de seis meses a bordo da ISS antes de retornar à Terra em 2026, em uma nova cápsula Dragon. Nesse intervalo, os quatro astronautas conduzem experimentos, recebem cargueiros automáticos e participam de possíveis caminhadas espaciais para manutenção externa. A rotina inclui ainda treinos constantes para evacuações de emergência e simulações de falhas de sistema.

A missão deixa como pergunta central a velocidade com que o modelo atual de cooperação vai se adaptar a um ambiente mais competitivo no espaço. A ISS resiste como símbolo de colaboração entre agências que, em terra, costumam estar em lados opostos. Com cada novo lançamento, como o da Crew-12, os países testam até onde conseguem manter essa ponte, enquanto já planejam a próxima geração de estações e a volta definitiva da humanidade à Lua.

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