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CPI do Crime Organizado mira Toffoli, Moraes e Banco Master

A CPI do Crime Organizado do Senado coloca ministros do Supremo Tribunal Federal e o Banco Master no centro de uma nova crise política. Mensagens do ex-CEO Daniel Vorcaro, reveladas em fevereiro de 2026, levam o colegiado a pautar para o dia 25 uma ofensiva inédita contra Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e pessoas próximas aos magistrados.

Mensagens mudam o rumo da investigação

As conversas atribuídas a Vorcaro, ex-comandante do Banco Master, acendem o alerta no Congresso. Os diálogos citam supostos pagamentos ilegais ligados a integrantes do Supremo e a figuras do governo federal. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), passa a tratar as mensagens como ponto de virada na apuração.

O movimento altera a rotina da comissão em Brasília. Até a noite de quarta-feira, a cúpula da CPI não discutia publicamente a convocação de ministros do STF. O presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), evitava qualquer sinalização nesse sentido. A divulgação do conteúdo das mensagens, porém, muda o clima. Em poucas horas, surgem requerimentos para ouvir ministros, familiares, advogados e ex-executivos ligados ao Master.

A nova pauta é carregada de simbolismo. Em uma única sessão, prevista para 25 de fevereiro, os senadores planejam analisar 47 pedidos de audiência. Parte deles atinge diretamente o núcleo do Supremo. A CPI deseja abrir espaço para que Alexandre de Moraes preste esclarecimentos e quer alcançar também a rede pessoal de Dias Toffoli.

No caso de Toffoli, a comissão inclui na lista de convocações os irmãos do ministro, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli. As mensagens que circulam entre interlocutores de Vorcaro sugerem que pagamentos teriam beneficiado pessoas ligadas ao magistrado. As suspeitas são negadas por aliados, mas a pressão política aumenta e empurra o Senado para uma zona de atrito com o STF.

Contrato milionário e governo na linha de tiro

A ofensiva da CPI não se limita aos ministros. A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, entra no centro das atenções. Ela firma com o Banco Master um contrato de R$ 129 milhões, valor que passa a ser examinado com lupa pelos senadores. O colegiado aprova tanto convite quanto convocação, sinal de que pretende insistir em seu comparecimento.

O Banco Master, que nos últimos anos se projeta como um dos principais atores no mercado financeiro de nicho, torna-se peça-chave do tabuleiro político. O ex-CEO Daniel Vorcaro, autor das mensagens que detonam a crise, também é alvo de pedido de convocação. A CPI quer que ele esclareça, sob juramento, a origem dos pagamentos, os destinatários e o contexto das operações citadas nas conversas.

A linha de investigação alcança ainda nomes do governo federal. Um dos requerimentos pede a presença de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master e descrito nos bastidores como figura próxima ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Outro pedido sugere ouvir o próprio Rui Costa, para explicar a natureza de sua relação com executivos do banco.

As ligações entre o Master e o poder político não param aí. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que atua como consultor do banco, pode ser chamado a depor. Senadores veem no ex-chefe da equipe econômica dos governos petistas um elo relevante para entender como o banco se insere em grandes decisões econômicas e em contratos com entes públicos.

O avanço da CPI pressiona o Planalto e o Supremo ao mesmo tempo. O governo teme que o caso alimente narrativas de conivência com esquemas de corrupção. Ministros do STF, por sua vez, antecipam o risco de desgaste institucional caso sejam submetidos ao escrutínio político direto em uma comissão parlamentar. A cúpula do Judiciário acompanha a movimentação em silêncio, enquanto aliados testam discursos de defesa e tentam esvaziar o impacto das suspeitas.

Choque entre poderes e próximos passos

O episódio renova o debate sobre os limites da atuação de CPIs envolvendo ministros do Supremo. A Constituição garante independência aos Poderes, mas não blinda magistrados de questionamentos sobre eventuais crimes comuns. No Senado, parte da base governista argumenta que a convocação de ministros fere a separação de poderes. Senadores da oposição respondem que a comissão apenas cumpre o papel de investigar indícios de corrupção e crime organizado.

A cada novo requerimento, o risco de confronto institucional aumenta. Se Moraes e Toffoli recusarem convites, a CPI pode tentar aprovar convocações formais, que ampliam o embate político e colocam o Supremo sob pressão inédita. A hipótese de que ministros tenham influência sobre contratos bilionários, como o de R$ 129 milhões envolvendo a mulher de Moraes, joga luz sobre a fronteira difusa entre atividade privada e função pública na cúpula do Judiciário.

Para Alessandro Vieira, a CPI atinge um estágio decisivo. O relator já indica, em conversas reservadas, que pretende conectar as mensagens de Vorcaro a um possível esquema de compra de influência. Se conseguir comprovar que pagamentos ilegais irrigam relações com autoridades, o relatório final pode recomendar processos criminais, ações de improbidade e até pedidos de impeachment.

O calendário ajuda a manter a tensão em alta. A análise dos 47 requerimentos está marcada para 25 de fevereiro, no plenário da comissão, em Brasília. A sessão deve atrair holofotes, mobilizar bancadas e servir de termômetro para a disposição do Senado em enfrentar o Supremo. A simples inclusão dos ministros na pauta já representa uma derrota simbólica para quem defendia blindagens mútuas entre os poderes.

As próximas semanas dirão se a CPI do Crime Organizado tem fôlego para transformar mensagens privadas em provas robustas. A investigação testa os limites da política brasileira ao aproximar a cúpula do Judiciário, um banco bilionário e figuras centrais do governo federal. Resta saber se o resultado final será um relatório exemplar contra a corrupção ou apenas mais um capítulo de desgaste entre instituições.

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