Esportes

Coritiba volta à Série A e mantém número de SAFs no Brasileirão 2026

O Coritiba retorna à Série A em 2026 já como Sociedade Anônima do Futebol e mantém em seis o número de clubes com gestão SAF no Campeonato Brasileiro. O modelo empresarial segue em expansão e volta ao centro do debate sobre o futuro financeiro e esportivo dos times do país.

Coritiba volta à elite em novo cenário de negócios

O clube paranaense disputa em 2026 sua segunda temporada na Série A sob formato de SAF, mas vive um contexto bem diferente da estreia em 2023. Naquele ano, o time amargou o rebaixamento e encerrou a participação entre os lanternas, num contraste duro com o discurso de modernização e investimento que acompanhou a transformação societária.

Dois anos de Série B funcionam como um período de ajuste. A direção redesenha processos internos, revisa contratos, reestrutura dívidas e tenta tornar a folha salarial mais compatível com a realidade de caixa. A volta à elite testa esse arranjo na prática, diante de receitas maiores, exigência esportiva mais alta e pressão direta de torcedores e investidores.

O Coritiba se junta a Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Cruzeiro e Vasco no grupo de seis clubes em formato de SAF na Série A de 2026. O número se mantém estável em relação às temporadas anteriores, mesmo com movimentações intensas no mercado e com a saída do Fortaleza, rebaixado em 2025. O Red Bull Bragantino, que opera como empresa desde a chegada da multinacional de energéticos, segue formalmente como LTDA e não adota a estrutura jurídica de SAF, embora atue como clube-empresa.

A manutenção do mesmo total de SAFs, apesar do vaivém de clubes entre as divisões, indica um momento de consolidação. O modelo deixa de ser visto apenas como solução emergencial para times em crise e passa a integrar o planejamento de médio e longo prazo. A discussão envolve negociação de dívidas, novas receitas com patrocínios, acordos de mídia e valorização de ativos como direitos econômicos de jogadores e propriedades digitais.

Profissionalização avança, mas expõe contradições

A aposta na SAF ganha força em um ambiente de negócios em transformação. Levantamentos recentes do mercado de marketing esportivo mostram mudanças rápidas na origem do dinheiro que sustenta os clubes. Patrocinadores de apostas esportivas perdem espaço em naming rights de estaduais, enquanto grandes redes de varejo e serviços financeiros ampliam presença nas camisas e nas placas de estádio ao longo de 2026.

O quadro de clubes-empresa, porém, está longe de ser homogêneo. O caso do Vasco expõe as fraturas do processo. A 777 Partners, grupo estrangeiro que assumiu o comando da SAF cruz-maltina, perde espaço após sucessivos questionamentos jurídicos e insatisfação com o desempenho esportivo. Hoje, a empresa detém apenas 31% das ações, enquanto 30% ficam com a associação. Os 39% restantes entram em disputa em corte arbitral, e o clube busca um novo investidor para recompor o controle, sem acordo fechado até o início da temporada.

A situação vascaína funciona como alerta para novos entrantes. A profissionalização prometida pela SAF depende da qualidade do investidor, da transparência dos contratos e da capacidade de alinhar expectativas com a torcida. O modelo traz proteção jurídica e regras mais claras de governança, mas não blinda automaticamente o futebol de decisões equivocadas, conflitos societários ou resultados ruins em campo.

Outros movimentos reforçam a percepção de que a SAF avança, mas encontra resistências internas. O Fortaleza, um dos pioneiros na adoção de estrutura empresarial, sofre o baque do rebaixamento em 2025 e precisa rever projeções de receita e investimentos. O Fluminense discute o formato há meses, recebe proposta formal e avança em estudos, mas ainda não conclui a operação, o que o mantém fora da lista oficial de SAFs em 2026. No meio desse tabuleiro, o Coritiba busca espaço para reposicionar a própria marca.

O que muda na prática e o que vem pela frente

Na rotina do Coritiba, a temporada de 2026 marca o início de uma segunda fase da SAF. A prioridade deixa de ser apenas equilibrar dívidas herdadas e passa a incluir investimento mais cirúrgico em elenco, infraestrutura de treino e categorias de base. Um retorno duradouro à Série A é crucial para sustentar receitas de televisão, bilheteria e patrocínio. Cada ano na elite pode significar dezenas de milhões de reais a mais no orçamento, em comparação com a Série B.

O efeito imediato para o Campeonato Brasileiro é a convivência entre modelos. Seis SAFs dividem espaço com clubes ainda organizados como associações, que seguem dependentes de conselhos deliberativos, quadro social e dirigentes eleitos. Essa dualidade cria um ambiente de comparação constante: desempenho em campo, eficiência de contratações, capacidade de investimento e transparência de gestão entram no radar de torcedores, mercado publicitário e potenciais investidores estrangeiros.

O comportamento das marcas em 2026 tende a acelerar essa disputa. Pesquisas recentes indicam que patrocinadores buscam clubes com maior previsibilidade financeira e governança clara, fatores que pesam a favor das SAFs. Dados de rankings comerciais mostram troca de liderança entre fornecedoras de material esportivo e reacomodação de contratos de patrocínio de camisa, com duração média de dois a três anos e cláusulas ligadas a performance esportiva e exposição em mídia.

O futuro do modelo ainda depende de decisões fora de campo. O avanço das discussões no Fluminense, a solução para o impasse societário do Vasco e a eventual volta de clubes como Fortaleza à elite vão redesenhar o mapa de SAFs no curto prazo. A presença do Coritiba na Série A de 2026 ajuda a manter o tema no centro da pauta, mas não encerra o debate. A próxima pergunta, agora, é se a profissionalização prometida pela SAF finalmente se traduz em estabilidade esportiva e títulos, ou se o campeonato seguirá como vitrine de acertos e erros de um futebol em transição.

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