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Corinthians vence RB Bragantino, quebra invencibilidade e reage no Brasileiro

O Corinthians vence o RB Bragantino por 2 a 0 nesta quinta-feira (12), na Neo Química Arena, quebra a invencibilidade do rival e conquista os primeiros pontos no Brasileirão de 2026. A vitória vem com gols de Gabriel Paulista e Matheus Bidu, defesa de pênalti de Hugo Souza e atuação destacada do argentino Memphis, que participa das principais jogadas ofensivas. O resultado tira o time da desconfortável condição de lanterna sem pontos e abre um novo cenário para a equipe de Dorival Júnior na tabela.

Timão respira e derruba série perfeita do Bragantino

O triunfo em Itaquera vale mais do que três pontos. O Corinthians sobe para a 12ª colocação e encerra o início de campeonato sem vitórias, que já pressiona elenco e comissão técnica em fevereiro. O RB Bragantino, que chega à rodada com seis pontos e 100% de aproveitamento, sofre o primeiro revés em 2026 e estaciona em 5º lugar.

O clima no estádio acompanha essa virada de roteiro. A torcida, inquieta nos primeiros minutos, transforma vaias isoladas em cânticos contínuos quando o meio de campo encontra solução para escapar da marcação. Memphis volta ao time titular, se movimenta entre as linhas e dita o ritmo quando a equipe consegue recuperar a bola mais perto do ataque.

O início, porém, pertence ao Bragantino. O time de Bragança Paulista pressiona a saída corintiana e encontra espaços pelos lados. Lucas Barbosa pedala diante de Matheus Bidu e finaliza forte, obrigando a zaga a se jogar na frente da bola. Gabriel, ex-Corinthians, se insinua na área e força intervenções seguras de Hugo.

O sofrimento do torcedor não dura muito. A partir dos 20 minutos, Carrillo antecipa a marcação, rouba bolas no meio e abre o campo para o trio Memphis, Garro e Yuri Alberto. Em uma escapada do holandês, Yuri se projeta nas costas da zaga, mas falha na conclusão. O lance não sai do placar, mas muda o clima em campo e nas arquibancadas.

A irritação aumenta com a arbitragem de Felipe Fernandes de Lima. O Corinthians reclama de falta na entrada da área não marcada, e a contestação se alonga até o cartão amarelo para Bidu, punido por dar um soco na bola em gesto de revolta. Dorival Júnior se agita na beira do gramado, cobra diálogo e pede calma aos jogadores.

A melhor chance do primeiro tempo nasce do ajuste entre Memphis e Yuri. O argentino acha o centroavante nas costas da linha defensiva do Bragantino, e o camisa 9 bate forte, cruzado. Cleiton espalma e pega o rebote em dois tempos, em uma das defesas mais difíceis da noite. Na resposta, o time visitante assusta em bola parada: Juninho Capixaba bate falta rasteira, e a bola passa muito perto da trave direita de Hugo.

Gol relâmpago, pênalti polêmico e defesa histórica de Hugo

O intervalo não esfria o Corinthians. No primeiro minuto da segunda etapa, Garro cobra escanteio curto, recebe de volta e cruza com precisão. Gabriel Paulista se antecipa à marcação e cabeceia firme, sem chance para Cleiton. O 1 a 0 transforma a Neo Química Arena em caldeirão e força o Bragantino a sair da zona de conforto.

O gol não desmonta o time de Pedro Caixinha, que mantém a proposta de atacar pelos lados e explorar jogadas aéreas. A grande chance do empate surge em outro lance de bola parada. A bola resvala no braço de Gustavo Henrique dentro da área, e Felipe Fernandes marca pênalti sem consultar o VAR, decisão que irrita jogadores e torcida corintianos.

Isidro Pitta coloca a bola na marca, toma distância e bate à meia altura. Hugo acerta o canto, espalma e segura o rebote, sob o grito de “Hugoooo” vindo de todos os setores do estádio. Com a defesa, o goleiro chega a 11 pênaltis defendidos com a camisa alvinegra e se iguala a Gylmar como o 3º da lista histórica do clube, atrás apenas de Cássio, com 32, e Ronaldo, com 27.

A defesa muda o roteiro emocional da partida. O Corinthians deixa de recuar de forma automática e volta a se impor no meio de campo. Dorival mexe na engrenagem ofensiva e troca Matheus Pereira por Allan, com a ideia de acelerar a transição. A alteração produz efeito imediato.

No primeiro toque na bola, Allan encontra Yuri Alberto com um passe em diagonal. O centroavante invade a área, mas Pedro Henrique se atira no carrinho e bloqueia a finalização. O alívio dura poucos segundos para o Bragantino. No lance seguinte, Yuri bate forte, Cleiton faz nova grande defesa, e a bola sobra limpa para Matheus Bidu, livre na pequena área. O lateral completa para o gol e define o 2 a 0.

O segundo gol praticamente encerra a resistência do Massa Bruta. O time visitante tenta reagir com substituições ofensivas, mas não encontra clareza nas ações e esbarra em uma defesa mais organizada. O Corinthians controla o relógio, baixa o ritmo quando precisa e usa a experiência de Gabriel Paulista e Gustavo Henrique para afastar qualquer risco de pressão nos minutos finais.

Vitória muda o ambiente e redesenha início de temporada

O resultado desta quinta-feira não resolve todos os problemas do Corinthians, mas altera o eixo da conversa sobre o time. Em vez de discutir apenas o risco de um início desastroso, o clube passa a olhar a tabela com algum otimismo. Com três pontos conquistados, a equipe deixa a parte mais baixa da classificação e se posiciona na 12ª colocação, ainda distante do G-4, mas fora da zona de alerta imediato.

A atuação de Memphis, participando dos dois gols e oferecendo mobilidade ao meio de campo, reforça a aposta da diretoria em um modelo mais propositivo. A noite de Hugo, que escreve seu nome ao lado de ídolos históricos do gol corintiano, reacende o debate sobre a força defensiva como pilar da reconstrução. A regularidade de peças como Gabriel Paulista e Bidu dá ao torcedor a sensação de que existe um esqueleto de time em formação.

O Bragantino volta para Bragança Paulista com a primeira derrota no ano, mas mantém uma campanha sólida, com seis pontos e desempenho compatível com a briga na parte de cima da tabela. A quebra da invencibilidade pode afetar a confiança no curto prazo, porém não muda o fato de que o time se mostra competitivo e capaz de criar dificuldades mesmo fora de casa.

Os próximos compromissos ganham peso para os dois lados. O Corinthians precisa mostrar que a vitória não é ponto fora da curva e que a reação se sustenta contra adversários de perfis diferentes. O Bragantino busca provar que a queda em Itaquera é apenas um tropeço em um início de temporada ainda promissor.

A noite em Itaquera fecha com cânticos, alívio e uma pergunta que acompanha todo clube grande em reconstrução: a atuação intensa diante de um rival em alta marca o começo de uma sequência consistente ou será lembrada apenas como um respiro isolado em um campeonato longo de 38 rodadas?

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