Corinthians vence Gotham FC e vai à final do Mundial feminino
O Corinthians derrota o Gotham FC por 1 a 0, na manhã desta quarta-feira (28), no Brentford Stadium, em Londres, e avança à final do Mundial de Clubes feminino. Zanotti marca o gol que coloca as Brabas do Timão na decisão e leva o clube a um dos capítulos mais simbólicos de sua história recente.
Corinthians sustenta vantagem e transforma semifinal em afirmação
O relógio marca pouco depois das 11h no horário de Brasília quando a bola rola em Londres. Em um estádio de 17 mil lugares, casa emprestada do Brentford, o Corinthians se impõe desde o início sobre o Gotham FC, atual campeão da liga norte-americana. A semifinal, que vale vaga na decisão do Mundial, ganha clima de jogo definitivo logo nos primeiros minutos.
O gol nasce em jogada que resume a identidade das Brabas. Pressão alta, recuperação rápida da bola e ataque vertical. Aos 27 minutos do primeiro tempo, a defesa do Gotham tenta sair pelo meio, o Corinthians antecipa, acelera pela direita e encontra Zanotti livre na área. A meia domina, ajeita com calma e finaliza cruzado, sem chance para a goleira. O 1 a 0 muda o tom da partida e obriga o time norte-americano a correr atrás.
O Gotham tenta responder com bolas longas e chutes de média distância, mas encontra uma linha defensiva segura, protegida por meio-campo intenso. O Corinthians controla o ritmo, alterna momentos de pressão com posse mais cadenciada e chega ao intervalo com a sensação de que tem o jogo nas mãos. Na volta, o roteiro se repete: o time brasileiro sofre, mas não se desorganiza.
As divididas ficam mais duras, e o clima esfria a cada minuto que o placar permanece inalterado. A comissão técnica do Corinthians mexe na equipe para renovar o fôlego e fechar os espaços nas pontas, ponto forte do adversário. Nos acréscimos, o Gotham ainda ensaia pressão final, empurra a bola para a área em cruzamentos sucessivos, mas para na goleira corintiana e na linha de zaga, que afasta tudo o que aparece pela frente.
Vitória reforça protagonismo das Brabas e dá peso histórico ao Mundial
O apito final transforma o 1 a 0 em símbolo. A classificação coroa um projeto iniciado há mais de uma década, em 2016, quando o Corinthians decide investir de forma contínua no futebol feminino. Desde então, o clube acumula títulos nacionais e continentais e passa a tratar a disputa do Mundial como próximo passo lógico. A vaga na final, agora, deixa de ser sonho distante e entra para a cronologia oficial de conquistas do time.
O resultado tem efeito imediato na percepção do futebol feminino brasileiro. Em um cenário em que a modalidade ainda luta por calendário estável, estrutura adequada e espaço na televisão aberta, ver um clube do país chegar à decisão do torneio mais importante entre times reforça a ideia de que investir dá retorno esportivo e de imagem. Torcedoras e torcedores se reconhecem no estilo de jogo do Corinthians, que mescla intensidade física e repertório tático, e levam essa identificação para as redes sociais e para o consumo de produtos oficiais.
Dentro do elenco, o impacto é direto. Jogadoras como Zanotti, que já acumulam títulos nacionais e continentais, somam agora vitrine global. Uma atuação decisiva em semifinal de Mundial costuma pesar em convocações para seleções nacionais e em sondagens de clubes europeus. Em um mercado que movimenta milhões de euros por temporada, mesmo percentuais menores de negociação, entre 5% e 10%, podem representar receita nova para o departamento de futebol feminino.
Para o Corinthians, o desempenho em Londres fortalece a relação com patrocinadores atuais e abre espaço para novos acordos. Contratos de camisa, fornecimento de material esportivo e ações de mídia segmentada para o público feminino ganham argumentos concretos. Uma campanha de Mundial tende a elevar audiências, engajamento digital e venda de ingressos em pelo menos dois dígitos nas partidas seguintes em casa, segundo dirigentes do mercado ouvidos em off por clubes rivais. A final passa a ser vitrine decisiva nesse processo.
Final projeta nova vitrine e testa limites do projeto corintiano
A classificação coloca o Corinthians a noventa minutos de um título mundial inédito. A decisão, marcada para o fim de semana em Londres, deve lotar novamente o Brentford Stadium e atrair audiência internacional, com transmissões para a América do Sul, Europa e Ásia. A comissão técnica trabalha com intervalo curto de recuperação física, cerca de 72 horas, e planeja carga controlada de treinos para preservar as principais peças.
O próximo duelo também testa a capacidade do clube de transformar desempenho esportivo em legado duradouro. Uma taça mundial tende a reforçar o argumento por contratos mais longos, de três a cinco anos, com empresas dispostas a atrelar sua marca ao time feminino. Internamente, a diretoria terá de decidir quanto desse eventual novo recurso volta para a base, para a estrutura de treinos e para a ampliação do elenco. Do lado de fora, a conquista ou mesmo uma boa atuação na final alimenta uma pergunta que já circula entre torcedoras, treinadores e dirigentes: o futebol feminino brasileiro enfim entra em um ciclo de protagonismo mundial ou esta campanha ainda é exceção em um cenário de investimentos desiguais?
