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Corinthians recusa oferta de R$ 139 mi do Besiktas por Hugo Souza

O Corinthians rejeita em fevereiro de 2026 uma proposta de 10 milhões de euros do Besiktas por Hugo Souza e fixa a saída do goleiro em, no mínimo, R$ 100 milhões líquidos. A diretoria aposta na valorização do jogador após a Copa do Mundo de 2026 e descarta negociar com o clube turco neste momento.

Negócio travado e cálculo frio em Itaquera

A oferta do Besiktas chega ao clube paulista como possibilidade de lucro rápido, mas é descartada quase de imediato. O Corinthians detém 60% dos direitos econômicos de Hugo Souza e calcula que os 10 milhões de euros, cerca de R$ 61,9 milhões, renderiam apenas aproximadamente R$ 37 milhões aos cofres do clube. O restante ficaria com o Flamengo, dono dos outros 40% do goleiro.

O presidente Osmar Stabile deixa claro a conselheiros que não abre mão de uma cifra muito mais alta. Nas conversas internas, ele sustenta que Hugo só sai por “pelo menos R$ 100 milhões livres da parte do Flamengo”. Pelas contas feitas no departamento de futebol, isso exige uma proposta total próxima de 22,4 milhões de euros, algo em torno de R$ 139,5 milhões na cotação atual, valor raríssimo no mercado para um goleiro sul-americano.

O Besiktas tenta contornar a resistência com um agrado direto ao jogador. Hugo recebe no Corinthians salário em torno de R$ 600 mil por mês. Os turcos acenam com 350 mil euros mensais, aproximadamente R$ 2,1 milhões, quase quatro vezes mais. O goleiro escuta, mas decide não peitar a diretoria alvinegra e não força a saída. A cúpula do clube entende a postura como sinal de alinhamento ao projeto esportivo e financeiro traçado para ele.

Aposta na Copa, arrependimento no Flamengo

O cálculo do Corinthians passa diretamente pela Copa do Mundo de 2026. A direção está convencida de que Hugo Souza entra na convocação e disputa posição na Seleção, mesmo com Alisson consolidado como titular. Pessoas próximas ao departamento de futebol repetem a mesma ideia: o Mundial pode transformar um goleiro visto como promissor em ativo de nível europeu, com outro patamar de mercado.

Hugo compartilha desse diagnóstico. Ele sabe que Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, gosta de seu estilo de jogo e não esconde internamente que se vê capaz de brigar por espaço durante o torneio. Esse cenário alimenta a convicção de que, caso tenha minutos em campo e bom desempenho, volta dos Estados Unidos com valor de transferência muito acima da proposta turca.

No Rio, o Flamengo observa à distância e revive uma decisão que hoje causa incômodo. A antiga diretoria rubro-negra aceita negociar o goleiro com o Corinthians em novembro de 2024 por cerca de R$ 4,8 milhões, mantendo 40% dos direitos econômicos. Na época, o clube entende que as falhas no início da carreira e a perda de espaço comprometem a recuperação do atleta. A sequência em São Paulo, porém, desmonta essa leitura e desperta o arrependimento atual.

O Corinthians, por sua vez, transforma o risco em estratégia. Com investimento baixo pelo padrão do mercado, vê a possibilidade de multiplicar o valor pago em pouco mais de um ano. A recusa ao Besiktas deixa claro que a diretoria não pretende abrir mão dessa margem. Em vez de dinheiro imediato, o clube escolhe aguardar uma janela mais favorável, ancorada na vitrine da Copa.

Impacto financeiro e sinal ao mercado

O recado enviado a empresários e clubes europeus é direto. O Corinthians não está disposto a fazer “queima de estoque” com Hugo Souza. Ao exigir ao menos R$ 100 milhões líquidos, a direção coloca o goleiro em um patamar de negociação próximo ao de atletas de linha consolidados. A pedida alta reduz o grupo de potenciais compradores, mas também protege o clube de ofertas consideradas oportunistas às vésperas do Mundial.

A divisão dos direitos com o Flamengo complica ainda mais o desenho do negócio. Como os 40% rubro-negros são intocáveis, qualquer oferta precisa contemplar também essa fatia. Numa venda de 22,4 milhões de euros, os cerca de 6,4 milhões de euros que caberiam ao clube carioca, equivalentes a R$ 39,6 milhões, entram automaticamente na conta. O Corinthians se recusa a abrir mão de sua parte mínima e transfere ao mercado o desafio de alcançar um valor total pouco usual para um goleiro brasileiro.

Internamente, o episódio reforça a importância de gestão de ativos no futebol atual. A diretoria de Itaquera tenta se afastar da imagem de clube vendedor em situação de desespero e busca controlar o tempo da negociação. O risco é claro: uma Copa discreta, uma lesão ou perda de espaço podem derrubar o preço de Hugo e deixar o clube sem os R$ 37 milhões que teria hoje. A aposta, no entanto, está feita.

Pressão por desempenho e próximos capítulos

Hugo entra na reta final de preparação para a Copa sob dupla pressão. Precisa manter regularidade com a camisa do Corinthians para justificar a confiança da diretoria e, ao mesmo tempo, convencer Ancelotti a lhe dar minutos no Mundial. Cada atuação passa a ser medida não só em pontos na tabela, mas em milhões de reais potenciais na próxima janela europeia.

O Corinthians segue firme no discurso de que não negocia com o Besiktas “em hipótese alguma” pelas condições atuais. O clube espera, na melhor das hipóteses, uma corrida de candidatos após a Copa, com times de ligas mais ricas e de maior visibilidade entrando na disputa. Até lá, a relação entre goleiro e diretoria funciona como uma espécie de pacto: ele segura a ansiedade por salários mais altos agora, e o clube promete abrir a porta em caso de proposta compatível com a nova realidade que espera construir. Resta saber se o mercado vai acompanhar essa aposta ou se a recusa aos 10 milhões de euros turcos será lembrada como oportunidade perdida.

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