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Corinthians propõe pagar empréstimo de Alisson só a partir de 2027

Corinthians e São Paulo negociam, em janeiro de 2026, um acordo incomum pelo empréstimo de Alisson. O clube alvinegro aceita pagar taxa pelo meia, mas apenas de forma parcelada e a partir de 2027, para aliviar o caixa e atender a um pedido direto de Dorival Júnior.

Negócio trava em valor e forma de pagamento

A proposta que está na mesa altera a lógica tradicional das negociações entre grandes clubes. O Corinthians se dispõe a pagar pela cessão do jogador, mas empurra o desembolso para depois, num momento em que projeta um fluxo de caixa mais estável. O São Paulo, que não conta com Alisson no elenco, discute se aceita abrir mão do dinheiro imediato em troca de aliviar a folha salarial e resolver um caso incômodo no CT da Barra Funda.

No desenho original, o Corinthians ofereceu R$ 1 milhão pelo empréstimo até dezembro de 2026. O São Paulo respondeu pedindo R$ 1,5 milhão, além de um gatilho de 250 mil euros, cerca de R$ 1,5 milhão, caso o meia atinja 25 jogos com a camisa corintiana. A nova investida alvinegra mantém a disposição de pagar, mas espalha o custo em parcelas a partir de 2027, num formato visto internamente como mais compatível com o plano de recuperação financeira do clube.

O acordo em discussão prevê ainda que o Corinthians arque integralmente com os salários de Alisson durante o período de empréstimo. A proposta inclui uma cláusula sensível: multa de R$ 2 milhões caso o jogador atue contra o São Paulo. O valor funciona na prática como um bloqueio esportivo, comum em empréstimos entre rivais, mas alto o bastante para inibir qualquer tentativa de escalá-lo em clássicos.

Alisson treina separado do grupo principal no São Paulo e já manifestou o desejo de defender o Corinthians. O cenário acelera as conversas e reduz a margem de manobra tricolor. A diretoria do Morumbi sabe que manter um atleta afastado, com salário elevado e sem perspectiva de uso, pesa no orçamento e no ambiente interno.

Pressão esportiva e alívio financeiro em jogo

No Parque São Jorge, a chegada de Alisson é tratada como prioridade esportiva. Dorival Júnior vê o meia como peça-chave para reorganizar o meio-campo após a saída de Maycon, que não renova contrato e se transfere para o Atlético-MG. O treinador considera os dois jogadores diferentes, mas com a mesma capacidade de ocupar mais de uma função na faixa central do campo, algo que ele valoriza desde os tempos de São Paulo.

A relação entre técnico e jogador pesa na negociação. O melhor momento da carreira de Alisson acontece justamente sob o comando de Dorival, na campanha do título da Copa do Brasil de 2023 pelo São Paulo. A lembrança desse desempenho sustenta, no Corinthians, a aposta de que o meia pode reproduzir o nível de atuação em um novo contexto, agora vestindo a camisa alvinegra.

Nos bastidores, a direção corintiana liga o modelo de pagamento à estratégia de sobrevivência financeira. O clube conta com a homologação da RCE, regime que permite programar melhor o pagamento de dívidas, e com planos de redução orçamentária para equilibrar as contas. A expectativa é que, a partir do segundo semestre de 2026, o fluxo de caixa fique menos pressionado, o que abriria espaço para honrar, em 2027, as parcelas da taxa de empréstimo sem comprometer o dia a dia.

O São Paulo, por outro lado, precisa decidir se prefere um valor menor e imediato ou um montante potencialmente maior, mas empurrado para o futuro. Ao aceitar o parcelamento, o clube tricolor ganha alívio salarial imediato, já que o Corinthians assumiria integralmente a remuneração de Alisson. Em contrapartida, se expõe ao risco de inadimplência ou renegociação em um cenário econômico ainda instável no futebol brasileiro.

O gatilho de 250 mil euros por 25 jogos também entra no cálculo dos dois lados. Para o Corinthians, a cláusula representa um custo adicional relevante se Alisson se firmar como titular absoluto. Para o São Paulo, funciona como uma espécie de seguro: se o meia for bem e jogar com frequência, a vitrine rival se transforma em receita extra em moeda forte.

Possíveis efeitos no mercado e próximos passos

A forma de pagamento proposta pelo Corinthians pode abrir um precedente importante. Se o São Paulo aceitar receber pela taxa de empréstimo apenas a partir de 2027, outros clubes podem enxergar no modelo uma saída para fechar negócios mesmo em meio a orçamentos apertados. Operações com custo empurrado para o médio prazo tendem a ganhar espaço em um cenário de dívidas altas e receitas imprevisíveis.

O impacto esportivo também é direto. Um acerto colocaria Alisson como candidato imediato a herdar espaço deixado por Maycon, ajudando Dorival a montar um meio-campo mais versátil. O São Paulo, por sua vez, reduziria a folha salarial e liberaria uma vaga no elenco para reposições pontuais, ainda que sem o alívio financeiro imediato da taxa à vista.

As conversas seguem em clima descrito pelas partes como “empenhado” para um desfecho positivo. O desejo do jogador de atuar no Corinthians e sua atual situação de afastamento empurram o São Paulo para uma decisão rápida. Ainda restam pontos finos a ajustar, como o valor exato da taxa parcelada, a duração do empréstimo, que pode superar um ano, e os detalhes da multa por eventual uso em confrontos diretos.

Se o acordo sair nos termos discutidos, Corinthians e São Paulo testarão na prática um modelo de negociação que casa necessidade esportiva com fôlego financeiro diferido. A resposta do Morumbi, nas próximas semanas, indicará se o mercado brasileiro está pronto para aceitar com mais naturalidade operações em que o jogador chega agora, mas o dinheiro só entra depois.

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