Corinthians projeta saída de Memphis após 2026, mas tenta mantê-lo
O Corinthians trabalha hoje com a possibilidade de perder Memphis Depay após a Copa do Mundo de 2026, mas ainda busca alternativas para mantê-lo no elenco. A direção sabe que a saída do holandês ajuda a equilibrar as contas, porém tenta construir um cenário financeiro e esportivo que permita sua continuidade. A definição passa por cortes de gastos, novas receitas e pela disposição do atacante em rever parâmetros do contrato.
Planejamento financeiro pressiona decisão sobre o holandês
O segundo semestre de 2026 já é desenhado no clube sem a presença de Memphis no orçamento. O vínculo atual vai até julho e não há previsão contábil para sua permanência depois disso. Não se trata de uma decisão formal de saída, mas de um cenário visto internamente como o mais provável diante das metas financeiras traçadas para a temporada.
O departamento de futebol precisa reduzir a folha salarial em R$ 6 milhões até o fim do ano para cumprir o plano de equilíbrio das contas. A conta é simples para quem faz as projeções: a saída de Memphis, sozinha, representa aproximadamente metade desse enxugamento. A renovação, por isso, passa a ser uma equação bem mais complexa, que envolve mexer em outros contratos, abrir espaço na folha e, possivelmente, redesenhar o acordo com o atacante.
Pressão por cortes convive com defesa pela permanência
Os números pesam, mas não encerram a discussão. O executivo de futebol Marcelo Paz, recém-chegado ao clube, é um dos principais defensores da permanência de Memphis. Ele avalia que o holandês entrega um nível técnico raro no elenco atual e pode ser peça central no projeto esportivo para a sequência da temporada e para 2026. A boa relação entre os dois, construída neste início de trabalho, fortalece a ala do clube que prefere assumir o esforço financeiro e segurar o jogador.
A área financeira, por outro lado, define apenas o tamanho do cobertor. A orientação é clara: é preciso cumprir a meta de corte de R$ 6 milhões na folha, mas a escolha de onde cortar cabe ao futebol. Se Paz optar por manter Memphis dentro do atual padrão salarial, terá de compensar com a negociação de outros atletas, cortes em salários mais baixos ou acordos de rescisão que liberem espaço imediato. O desafio aumenta porque o Corinthians ainda precisa arrecadar R$ 151 milhões em 2026 com venda de jogadores e outros ativos, valor que se torna ainda mais ambicioso se o holandês continuar com os mesmos custos.
Dorival Júnior se posiciona no mesmo eixo de defesa do atacante. O treinador conta com Memphis no planejamento técnico e tenta inseri-lo o quanto antes na rotina de jogos. Após a vitória contra o Velo Clube, pelo Paulista, Dorival garante o retorno do camisa 10 para a estreia no Brasileirão, contra o Bahia, na quarta-feira. “Memphis já está acelerado, tenho certeza que já teremos ele em condições para a próxima partida”, afirma o técnico, confiante na recuperação das dores no joelho esquerdo que atrasam a estreia na temporada.
Bastidores, desgaste e caminhos para um acordo
Nos bastidores, o clima em torno do futuro de Memphis não é simples. O atacante se mostra incomodado com os efeitos do planejamento físico do ano passado, que considera ter prejudicado sua condição no início desta temporada. A insatisfação se soma ao desconforto com a interferência política sobre o futebol, rotina conhecida no Parque São Jorge e que volta a ganhar peso nos debates sobre elenco, contratações e renovações.
A diretoria avalia que, mesmo nesse contexto, há espaço para construir uma solução intermediária. Uma hipótese discutida é a de um novo contrato com ajustes em bônus, metas esportivas e remuneração fixa, reduzindo o impacto imediato na folha. Outra frente passa pela saída planejada de jogadores com menor protagonismo, liberando recursos para bancar parte do custo do holandês. O desenho inclui ainda a busca por novas receitas específicas, como acordos comerciais atrelados à imagem do atacante ou metas de premiação em competições nacionais e internacionais.
O tamanho do esforço vai além da figura de Memphis. A permanência de um atleta com esse peso financeiro influencia toda a política de vestiário, baliza futuras negociações e pode travar ou acelerar saídas de outros nomes. Jogadores em fim de contrato, reservas com salário alto e jovens valorizados na base entram na lista de potenciais moedas de troca para fechar a conta da temporada. Cada movimento tem efeito direto no humor do elenco e no discurso de responsabilidade financeira que a diretoria tenta consolidar.
Impacto técnico, pressão da torcida e o que vem pela frente
O impacto esportivo de uma eventual saída é claro para quem acompanha o clube. Memphis chega ao Corinthians com status de protagonista, referência de experiência internacional e capacidade de decisão em jogos grandes. Dorival desenha o time com o holandês como peça central do sistema ofensivo, alternando entre a função de centroavante móvel e articulador de jogadas. A perda desse perfil exigiria uma reposição cara em um mercado inflacionado, ou uma aposta em soluções internas com menor lastro técnico.
O torcedor observa esse tabuleiro com desconfiança. A notícia de que o planejamento financeiro não considera a permanência após julho contrasta com o discurso de ambição esportiva e reacende dúvidas sobre os rumos do clube. Uma eventual renovação, se vier acompanhada de transparência sobre cortes e vendas, pode ser vendida como prova de capacidade de gestão. Uma saída silenciosa, ao contrário, tende a aumentar a pressão sobre a diretoria e sobre o próprio departamento de futebol.
Os próximos meses funcionam como termômetro. O desempenho de Memphis depois da recuperação física, a evolução das negociações de saída de outros atletas e a capacidade do clube de se aproximar da meta de R$ 151 milhões em receitas vão determinar quão viável é mantê-lo após a Copa. A diretoria tenta ganhar tempo e margem de manobra, mas sabe que a janela para uma decisão clara se estreita a cada rodada.
O Corinthians entra em 2026 dividido entre a necessidade de fechar a conta e o desejo de construir um time competitivo em torno de seu principal nome internacional. A pergunta que permanece aberta no Parque São Jorge é se o clube conseguirá, ao mesmo tempo, pagar essa conta e manter Memphis Depay como símbolo de um projeto esportivo mais ambicioso.
