Corinthians estreia na Copa dos Campeões em busca de título e R$ 12 mi
O Corinthians estreia na Copa dos Campeões Feminina nesta quarta-feira (28), às 9h30, contra o Gotham FC, no Gtech Community Stadium, em Londres. Campeãs da Libertadores de 2025, as paulistas jogam a semifinal em busca de um título inédito e de um prêmio que pode chegar a R$ 12,17 milhões.
Brabas levam projeto vencedor a palco global em Londres
A viagem a Londres coloca o time feminino do Corinthians em um degrau novo da própria história. A equipe comandada por Lucas Piccinato deixa o domínio sul-americano, confirmado com a conquista da Libertadores Feminina de 2025, para disputar um torneio que reúne campeãs de quatro continentes e concentra atenção global rara para a modalidade.
No bairro de Brentford, zona oeste da capital inglesa, o Gtech Community Stadium recebe um duelo que sintetiza o momento do futebol feminino: de um lado, o campeão da América do Sul; do outro, o Gotham FC, atual vencedor da Copa dos Campeões feminina da Concacaf, símbolo do investimento crescente nos Estados Unidos. O jogo decide quem avança à final de domingo, 1º de fevereiro, no Emirates Stadium, casa do Arsenal, às 15h (horário de Brasília).
O Corinthians chega a Londres com o rótulo de representante brasileiro em uma espécie de Mundial de clubes feminino, ainda que o torneio adote o nome de Copa dos Campeões. A vaga vem da campanha vitoriosa na Libertadores de 2025, consolidando uma década em que o clube transforma o departamento feminino em referência regional, com calendário cheio, estrutura dedicada e elenco competitivo.
Lucas Piccinato preserva o discurso de normalidade, mas o ambiente no clube é de decisão. A projeção de premiação em euro, convertida para cerca de R$ 12,17 milhões ao campeão, reforça o peso esportivo e financeiro da viagem. Mesmo o vice-campeão garante R$ 5,29 milhões, enquanto as equipes eliminadas nas semifinais embolsam R$ 1,057 milhão. Em um cenário em que muitos times brasileiros ainda lutam por orçamento estável, esses valores fazem diferença direta na manutenção e no reforço do elenco.
Torneio reúne forças de quatro continentes e eleva disputa financeira
A Copa dos Campeões Feminina nasce para ocupar um espaço que há anos é debatido na Fifa: o de um Mundial de clubes estruturado para o futebol de mulheres. A edição em Londres reúne o Corinthians, o Gotham FC, o Arsenal e o ASFAR, do Marrocos, campeão da Liga dos Campeões da África. Arsenal e ASFAR fazem a outra semifinal ainda nesta quarta, às 15h, também em Londres.
A composição do torneio expõe o novo mapa de forças da modalidade. O Arsenal chega como campeão da Liga dos Campeões da Europa de 2025 e anfitrião da final, marcada para o Emirates Stadium. O Gotham representa uma liga norte-americana que há anos atrai jogadoras com salários mais altos e calendário competitivo. O ASFAR leva a experiência recente de um continente que ainda busca reduzir a distância estrutural, mas já consegue projetar clubes em cenário internacional.
Para o Corinthians, a participação vai além da disputa esportiva. O clube entra em um circuito que amplia a visibilidade para patrocinadores, plataformas de streaming e novos acordos comerciais. A perspectiva de retorno financeiro, com premiações que superam os R$ 12 milhões para o título, contrasta com a realidade de competições nacionais em que a receita ainda é limitada. A simples presença entre os quatro times reforça o argumento de que o feminino pode ser um ativo econômico relevante.
A diferença de cenário fica evidente na comparação com a Libertadores Feminina, principal torneio da Conmebol. Embora tenha valor simbólico e esportivo alto, a competição sul-americana ainda paga prêmios menores, o que torna a Copa dos Campeões um passo adiante na profissionalização da categoria. A estrutura inglesa, com estádios modernos como o Gtech Community Stadium e o Emirates, ajuda a moldar a percepção de produto global.
Corinthians mira consolidar hegemonia e abrir nova fase para o feminino
O desfecho da semana em Londres pode redefinir o lugar do Corinthians no futebol feminino mundial. Se avançar à final e confirmar o título no domingo, o clube reforça a condição de potência sul-americana capaz de competir em igualdade com europeias e norte-americanas. O impacto não se mede apenas em taças ou cifras, mas em influência sobre torcidas, transmissões e decisões de investimento dentro e fora do país.
Uma conquista também deve pressionar rivais brasileiros a acelerar a profissionalização de seus projetos femininos, sob risco de ver o abismo esportivo aumentar. A exposição internacional das Brabas, com jogos em estádio de Premier League e potencial de audiência global, tende a puxar a régua de exigência de patrocinadores, que passam a cobrar estruturas mais robustas e planejamento de longo prazo.
Mesmo em caso de eliminação, o Corinthians já garante ao menos R$ 1,057 milhão pela presença na semifinal, valor relevante para qualquer orçamento anual de futebol feminino no Brasil. A experiência de enfrentar campeãs de outras confederações, em ambiente de alta pressão, também serve de laboratório para futuras edições de Libertadores e para um eventual Mundial de clubes oficial da Fifa, hoje em debate.
O jogo desta quarta, em Londres, marca um ponto de inflexão para a modalidade. O resultado define apenas quem segue à final no Emirates Stadium e quem disputa o terceiro lugar no mesmo domingo, às 11h45. O que permanece em aberto é até onde clubes brasileiros conseguirão transformar oportunidades como esta em estrutura permanente, calendário forte e protagonismo sustentável no futebol feminino global.
