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Corinthians busca empate no fim e frustra São Paulo em Itaquera

O Corinthians empata por 1 a 1 com o São Paulo neste domingo (18), em Itaquera, após gol de Breno Bidon aos 44 minutos do segundo tempo. O resultado mantém os rivais com 4 pontos no Paulistão e acirra a disputa no início do estadual.

Pressão até o fim em clássico carregado de tensão

A noite em Itaquera começa com o São Paulo em vantagem e termina com o Corinthians aliviado. O Tricolor, em meio a uma crise política intensa, segura o rival por quase todo o jogo e flerta com uma vitória simbólica fora de casa. O Corinthians, empurrado por mais de 40 mil torcedores, insiste até o fim, erra, desperdiça chances, mas não desiste.

O roteiro muda nos minutos finais. Aos 44 do segundo tempo, Pedro Raúl recebe perto da área, gira com espaço e encontra Breno Bidon chegando de trás. O meia, formado na base alvinegra, finaliza com força, rasteiro, sem chance para Rafael. O gol explode a Neo Química Arena e desmonta a estratégia são-paulina de administrar a vantagem conquistada ainda no primeiro tempo.

O São Paulo abre o placar aos 37 minutos da etapa inicial. Danielzinho, reforço tricolor para 2026, acha cruzamento preciso da direita. Gonzalo Tapia se antecipa à marcação e cabeceia firme, no canto, superando o goleiro Hugo. O 1 a 0 expõe a vulnerabilidade defensiva corintiana em bolas aéreas e dá ao time visitante um controle emocional raro em clássicos recentes em Itaquera.

O Corinthians, porém, não se acomoda. O time finaliza 18 vezes ao longo da partida, contra apenas 6 chutes do São Paulo. A diferença de volume traduz o cenário em campo: posse mais longa dos donos da casa, marcação alta, pressão constante, sobretudo depois do intervalo. O Tricolor recua linhas, fecha o meio e tenta acelerar apenas nos contra-ataques, com Tapia e os homens de lado.

Números, disputa física e impacto na tabela

O clássico se desenvolve em clima de duelo físico. O árbitro João Vitor Gobi distribui 8 cartões amarelos, sendo 3 para jogadores do Corinthians e 5 para o São Paulo. As faltas também ajudam a contar a história do jogo: são 19 infrações cometidas pelo Corinthians e 12 pelo São Paulo, indicador de uma partida travada, com pouca fluidez em vários momentos.

Os números reforçam a sensação de controle territorial corintiano, mas também evidenciam a eficiência são-paulina na vantagem mínima. Até os 44 minutos da etapa final, o time de Morumbi administra o 1 a 0 com organização defensiva, mesmo sob vaias da torcida local e sob pressão do adversário. O empate nos acréscimos não altera apenas o placar; mexe com o ânimo das duas equipes.

Na tabela do Paulistão, o Corinthians chega a 4 pontos e ocupa a 7ª posição. O São Paulo, também com 4 pontos, aparece em 9º, atrás nos critérios de desempate. A diferença é pequena, mas relevante neste início de torneio de tiro curto, em que a primeira fase tem apenas oito jogos e cada ponto pode definir vaga no mata-mata.

O resultado em Itaquera mantém a rivalidade no alto e alimenta narrativas distintas. Do lado alvinegro, o discurso se apoia na reação, na pressão sustentada por 90 minutos e na resposta emocional ao gol sofrido. No São Paulo, o empate tem sabor amargo: o time segura o maior rival fora de casa até os 45 do segundo tempo e volta para o Morumbis com a sensação de chance desperdiçada.

Crise tricolor, confiança alvinegra e próximos capítulos

O contexto político do São Paulo amplia o peso do resultado. Em meio a disputas internas e críticas à direção, a equipe entra em campo pressionada por desempenho e por símbolos. Vencer o maior rival, na casa dele, poderia virar argumento de alívio em reuniões e conselhos. Ceder o empate tão perto do fim prolonga o debate sobre comando, elenco e rumo para 2026.

No Corinthians, o gol de Breno Bidon funciona como ponto de apoio para a sequência da temporada. A atuação com 18 finalizações, pressão alta e reação no fim ajuda a construir um discurso de competitividade. Mesmo sem a vitória, o time mostra capacidade de insistir até o último minuto, algo que pesa em clássicos e alimenta a confiança para as próximas rodadas.

O calendário não dá muito tempo para digestão. Na próxima quinta-feira, dia 22, o Corinthians volta a campo em outro clássico, desta vez contra o Santos, fora de casa. O duelo promete testar novamente a consistência defensiva e o poder de fogo que apareceu em Itaquera, mas falhou em se traduzir em mais gols. O rendimento ofensivo, com alto número de finalizações e apenas um gol, entra na pauta do trabalho de campo.

O São Paulo tenta reorganizar a rota um dia antes. Na quarta-feira, recebe a Portuguesa no Morumbis, em jogo que ganha contornos de termômetro político e esportivo. Manter desempenho sólido, corrigir a queda de concentração no fim e transformar vantagem em vitória viram tarefas imediatas. O empate no Majestoso reforça a impressão de um Paulistão equilibrado e abre espaço para uma pergunta que atravessa os dois lados: quem vai conseguir transformar atuação em resultado antes que a tabela comece a cobrar a conta?

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