Corinthians acerta saída de Martínez após férias irregulares e lesão grave
O Corinthians encaminha, nesta semana de fevereiro de 2026, a rescisão amigável com o atacante venezuelano Martínez. O jogador ignora o técnico Dorival Júnior, tira férias por conta própria na Venezuela, sofre grave lesão jogando futebol amador e deixa o clube em meio a desgaste interno e preocupação com a autoridade no vestiário.
Da confiança à ruptura em poucas semanas
Martínez sai do Corinthians pela mesma porta em que, até poucas semanas atrás, parecia bem estabelecido. Dorival Júnior o trata como peça importante, a ponto de barrar uma troca com o São Paulo, que queria o venezuelano no pacote para liberar o meio-campista Alisson, alvo prioritário do treinador em 2026.
O treinador recusa a operação porque enxerga em Martínez o melhor marcador individual do elenco. A decisão reforça o status do atacante dentro do grupo, que se firma como homem de confiança para missões táticas específicas. O cenário muda quando o jogador viaja para a Venezuela e deixa de responder às inúmeras ligações de Dorival, que nunca havia sido ignorado dessa forma por um atleta sob seu comando.
Enquanto o elenco treina em São Paulo, o atacante comunica aos dirigentes que enfrenta supostos problemas de passaporte, tanto seus quanto de familiares. Na prática, tira cerca de um mês de férias por iniciativa própria, algo incompatível com o calendário do futebol brasileiro em 2026, em que as janelas oficiais de descanso já estão definidas e controladas pelos clubes.
O silêncio diante das tentativas de contato do técnico e a ausência sem aval da comissão técnica funcionam como ponto de ruptura. Internamente, o episódio é descrito como a maior afronta que Dorival enfrenta na carreira em relação a um jogador com espaço relevante no plantel. O incômodo não fica restrito ao treinador e alcança dirigentes e parte do vestiário.
Lesão fora do clube e acordo para evitar guerra jurídica
Martínez decide permanecer na Venezuela e passa a jogar futebol com amigos e fazer exercícios aleatórios, sem orientação do departamento físico corintiano. Em um desses jogos amadores, rompe os ligamentos cruzados do joelho esquerdo, lesão grave que, segundo avaliação interna, deve tirá-lo de ação por boa parte de 2026.
A diretoria está convencida de que a contusão ocorre em atividade externa, longe de qualquer vínculo com a rotina oficial do Corinthians. A constatação leva o clube a estudar, por dois dias, a possibilidade de demitir o atleta por justa causa, amparado pelo fato de ele ter descumprido orientações e se lesionado fora do ambiente profissional.
O departamento jurídico, porém, alerta que o caminho pode arrastar o caso até a Fifa. Para sustentar a justa causa, o Corinthians precisaria provar de forma robusta que a ruptura dos ligamentos acontece em jogo amador, o que é sempre terreno nebuloso em disputas internacionais. O risco de prolongar o conflito e expor o clube em instâncias externas pesa na decisão final.
O presidente Osmar Stabile usa o rival São Paulo como exemplo interno e defende uma gestão que reduza ao mínimo as crises administrativas que respingam no campo. Nesse contexto, a diretoria se inclina por um acordo amigável, considerado financeiramente aceitável e politicamente menos inflamável que uma batalha judicial de meses ou anos.
Martínez também manifesta interesse em se desligar e realizar o tratamento médico na Venezuela. As conversas avançam a ponto de dirigentes considerarem a rescisão “mais do que adiantada”, à espera apenas da formalização de valores de indenização, prazos de pagamento e termos de confidencialidade para que seja anunciada oficialmente nas próximas horas.
Abalo na autoridade de Dorival e efeito no planejamento
O episódio mexe com a dinâmica do vestiário em um momento em que o Corinthians tenta consolidar a gestão de Dorival. O técnico, ex-jogador, entende que recuar diante da insubordinação significaria perder o comando do grupo. Internamente, ele já decide que Martínez não voltaria a atuar sob seu comando, mesmo antes da negociação pela saída avançar.
A chegada do volante Allan, contratado junto ao Flamengo e tratada como insistência pessoal do treinador, ganha nova leitura nos bastidores. A operação, que envolve salário alto e contrato longo, passa a ser vista também como resposta esportiva à perda de um dos marcadores mais confiáveis do elenco, função que o venezuelano cumpria em jogos de maior pressão.
Companheiros de perfil mais associado à vida noturna, como Memphis e Carrillo, se decepcionam com a conduta de Martínez, segundo relatos internos. A percepção é de que o atacante força a saída do clube, de olho em possíveis propostas do futebol árabe, ventiladas nos bastidores ao longo de 2025. A grave lesão, porém, derruba qualquer expectativa de transferência imediata para mercados que pagam em dólar ou euro.
O desgaste não se limita aos muros do Parque São Jorge. Entre torcedores, o caso alimenta o debate sobre disciplina e profissionalismo em um elenco que, nos últimos anos, convive com episódios de indisciplina e atrasos salariais. A perda de um jogador por conduta irregular e lesão fora do ambiente controlado é vista como falha coletiva: do atleta, que rompe o limite, e do clube, que não consegue antecipar o conflito.
Corinthians revisa controle interno e aguarda repercussão
Com a saída de Martínez praticamente selada, o Corinthians se debruça sobre protocolos internos de controle de férias, acompanhamento de jogadores fora do país e comunicação com o elenco durante períodos de folga. A meta é reduzir brechas para situações em que o clube fique vulnerável, tanto esportiva quanto juridicamente.
Dorival tenta transformar o episódio em exemplo para o grupo. A mensagem que circula no CT é clara: o clube aceita negociar, mas não admite que decisões individuais se sobreponham ao planejamento coletivo. A forma como o caso é conduzido, sem ruptura pública agressiva, busca preservar a imagem institucional em um momento de reconstrução esportiva e financeira.
O acordo com o venezuelano deve ser anunciado nas próximas horas, acompanhado de um comunicado sintético, sem exposição detalhada dos bastidores. A tendência é que o clube destaque o “entendimento mútuo” e agradeça pelos serviços prestados, enquanto o jogador se concentra na recuperação do joelho em solo venezuelano.
Resta saber se o episódio será um ponto de inflexão na política de gestão de elenco do Corinthians ou apenas mais um caso de crise abafada na base do acordo. A forma como o clube reage ao próximo conflito disciplinar dirá se a saída de Martínez se torna marco de mudança ou permanece como um alerta não totalmente ouvido.
