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Copa do Brasil 2026: viradas, pênaltis e classificados à 2ª fase

A primeira fase da Copa do Brasil 2026 vive dois dias de drama e surpresa entre terça (17) e quarta-feira (18), com 12 jogos espalhados pelo país. Clubes de diferentes divisões carimbam vaga na segunda etapa, em noites marcadas por viradas, expulsões e decisões nos pênaltis. A rodada reforça o caráter imprevisível do torneio e redesenha o calendário dos times para a temporada.

Noite épica, pênaltis e festa de pequenos

O ponto de partida vem na terça-feira, 17 de fevereiro, com jogo isolado no calendário. No Rio, o Sampaio Corrêa-RJ recebe a Desportiva Ferroviária-ES e encontra um rival sem medo do favoritismo carioca. O empate por 1 a 1 no tempo normal leva a decisão para os pênaltis, e o time capixaba mostra eficiência na marca da cal para avançar à segunda fase.

A sequência de quarta-feira, 18, eleva o tom dramático. Em Porto Seguro, o Porto-BA protagoniza um dos jogos mais intensos da história recente do torneio contra o Serra Branca-PB. A equipe baiana perde dois jogadores ainda no primeiro tempo, se vê em desvantagem numérica e técnica, mas mantém o time em campo organizado e agressivo. O Serra Branca tenta controlar o relógio, roda a bola e parece administrar a classificação até os minutos finais.

O roteiro muda nos acréscimos. Com dois atletas a menos, o Porto-BA encontra espaços na correria da reta final, empurra o adversário para dentro da área e marca duas vezes após os 45 minutos. A virada com nove jogadores transforma o estádio em um cenário de incredulidade. O apito final confirma a classificação baiana e reforça o peso simbólico da competição para clubes que vivem longe dos holofotes da Série A.

Em Minas, o Betim abraça o papel de representante do estado na primeira fase. O duelo contra o Piauí-PI vale não só a vaga, mas também uma injeção financeira importante para o orçamento anual. O time mineiro se impõe, elimina o rival nordestino e assegura presença na segunda fase, garantindo mais uma data oficial no calendário e a perspectiva de renda extra em bilheteria e premiação.

Os demais confrontos da quarta-feira repetem o padrão de equilíbrio que marca a Copa do Brasil desde a criação do atual formato eliminatório em jogo único. Em diferentes estádios regionais, partidas são decididas em detalhes, com bolas salvas em cima da linha, goleiros ganhando status de herói e torcidas locais experimentando, em 90 minutos, a sensação de disputar um torneio nacional de alcance continental em termos de exposição.

Impacto esportivo, financeiro e emocional

A definição dos classificados à segunda fase não mexe apenas com o orgulho. Cada avanço representa prêmio financeiro imediato, alívio de caixa e fôlego para clubes que trabalham com orçamentos apertados. Em muitos casos, a cota recebida por passar de fase equivale a mais de 10% do faturamento anual de equipes de divisões inferiores, o que ajuda a manter salários em dia e estrutura mínima de trabalho.

O efeito esportivo também é direto. Com a vaga garantida, Porto-BA, Desportiva Ferroviária, Betim e outros classificados ganham ao menos mais um jogo nacional em 2026, contra rivais teoricamente mais fortes e com maior apelo de público. Essa exposição amplia a vitrine para jogadores jovens e treinadores em ascensão, alimenta negociações futuras e atrai patrocinadores regionais interessados em associar marca a histórias de superação.

Em campo, a primeira fase confirma o alto nível de competitividade que a Copa do Brasil constrói nos últimos anos. Jogos decididos nos acréscimos, expulsões ainda no primeiro tempo e séries por pênaltis mantêm torcedores presos à tela e ao rádio até o último lance. A edição de 2026 segue essa linha e oferece ao público momentos em que clubes da Série D encaram rivais tradicionais em pé de igualdade, algo raro em campeonatos de pontos corridos.

Para os eliminados, o impacto é mais duro. A queda ainda em fevereiro comprime o calendário, reduz receita prevista e obriga uma revisão rápida de metas esportivas. Alguns times voltam a focar exclusivamente em campeonatos estaduais, com menos visibilidade e retorno financeiro. Outros precisam renegociar contratos e cortar custos, cientes de que a janela de exposição nacional só volta a se abrir no segundo semestre, com o início das divisões do Brasileiro.

O público, por outro lado, ganha um início de temporada intenso. Em dois dias de bola rolando, entre 17 e 18 de fevereiro, o torcedor acompanha 12 partidas, vê pênaltis, viradas e clubes de diferentes regiões no centro da conversa esportiva. O formato em jogo único, com decisão imediata, reforça a sensação de mata-mata clássico, em que um erro ou um gol salvador nos acréscimos muda o rumo do ano inteiro.

Segunda fase à vista e novas histórias em jogo

A primeira fase ainda reserva dois capítulos antes de virar a página. Nesta quinta-feira, 19, o Primavera-MT recebe o Bragantino-PA às 20h, horário de Brasília, em um duelo que coloca frente a frente projetos regionais em busca de visibilidade nacional. Na sequência, às 21h, o Vasco-AC enfrenta o Velo Clube-SP, fechando a lista de classificados à segunda etapa.

Os resultados desses confrontos completam o quadro da segunda fase da Copa do Brasil 2026, que já tem duelos, datas e horários pré-definidos pela CBF. Os clubes que avançam agora encaram desafios mais duros, com chance maior de cruzar o caminho de equipes da Série A e de estádios lotados em praças tradicionais do futebol brasileiro. O torneio entra em uma fase em que a diferença técnica pesa mais, mas ainda abre espaço para surpresas que alimentam o imaginário do torcedor.

Para quem se classifica, o recado é claro: o calendário fica mais apertado, a responsabilidade cresce e cada jogo passa a valer ainda mais, técnica e financeiramente. Para quem acompanha de fora, a sensação é de que a edição de 2026 reafirma a vocação da Copa do Brasil como um campeonato de histórias improváveis, no qual um gol nos acréscimos ou uma defesa em cobrança de pênalti pode mudar o destino de toda uma temporada.

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