Congresso dos EUA pede depoimento público de Bill e Hillary Clinton
Bill e Hillary Clinton são alvo de um pedido formal para depor publicamente no Congresso dos Estados Unidos sobre o Caso Epstein. A solicitação é apresentada em 7 de fevereiro de 2026, em Washington. O movimento busca esclarecer alegações e ampliar a transparência sobre a relação do casal com o financista morto em 2019.
Pressão por transparência em caso que não se encerra
O pedido chega quase sete anos após a morte de Jeffrey Epstein, em agosto de 2019, em uma cela federal em Nova York. Mesmo após o fim do processo criminal contra o financista, investigado por exploração sexual e tráfico de menores, o caso continua a rondar figuras de alto escalão da política, dos negócios e do entretenimento nos Estados Unidos.
Bill e Hillary Clinton, que já ocuparam alguns dos cargos mais poderosos do país, veem o nome associado ao escândalo desde que viagens do ex-presidente em aviões de Epstein e encontros registrados em agendas vieram à tona. Nenhuma acusação formal é apresentada contra o casal, mas o Congresso passa a ser pressionado por grupos de vítimas, organizações de direitos civis e parlamentares da oposição a esclarecer o grau de proximidade entre a rede de Epstein e autoridades públicas.
Ausência em janeiro aumenta desgaste político
O pedido de depoimento público ganha força depois de o casal não comparecer a uma audiência esperada para janeiro de 2026, em comissões do Congresso em Washington. À época, assessores citaram conflitos de agenda e questionaram o formato da oitiva, prevista inicialmente para ocorrer em sessão fechada. O vazio deixado pelo não comparecimento alimenta suspeitas e teorias de conspiração em redes sociais, ampliando a pressão por uma sessão aberta, com transmissão ao vivo.
Parlamentares que defendem o depoimento público argumentam que a transparência é a única forma de diminuir especulações. “Quando você lida com um caso que envolve abuso sistemático, poder econômico e influência política, sessões fechadas só alimentam dúvidas”, afirma um senador alinhado à proposta. A solicitação protocolada em 7 de fevereiro detalha que o depoimento deve ocorrer em plenário ou em comissão televisionada, com acesso irrestrito à imprensa e às vítimas cadastradas nos processos civis.
Um caso que mistura poder, impunidade e suspeitas
Jeffrey Epstein construiu fortuna estimada em centenas de milhões de dólares e uma rede de contatos que incluía ex-presidentes, bilionários e membros da realeza. Em 2008, conseguiu um acordo judicial na Flórida que reduziu drasticamente sua pena por crimes sexuais, o que mais tarde seria visto como símbolo de impunidade para réus ricos. Após nova prisão em 2019, o financista é encontrado morto em sua cela em 10 de agosto daquele ano, em circunstâncias que alimentam controvérsias até hoje.
O nome dos Clintons aparece em registros de voo, fotografias de eventos e anotações de agenda. O ex-presidente reconhece ter viajado algumas vezes em aeronaves ligadas a Epstein, mas nega qualquer envolvimento com crimes do financista. Hillary, ex-secretária de Estado e ex-candidata à Casa Branca, também rejeita qualquer suspeita de participação em irregularidades. A ausência de um depoimento formal e público, porém, mantém o casal no centro das discussões sobre quem sabia o quê e em que momento.
Impacto político e jurídico em ano pré-eleitoral
O pedido de depoimento público não se limita ao interesse das vítimas ou de investigadores. Em um país que deve enfrentar eleições legislativas em novembro de 2026, o caso ganha contornos abertamente políticos. Setores conservadores enxergam na convocação uma chance de desgastar a imagem de um dos casais mais influentes do Partido Democrata, mesmo que Bill não ocupe cargo público desde 2001 e Hillary esteja fora de disputas eleitorais desde 2016.
Analistas em Washington avaliam que o impacto vai além do cálculo eleitoral. Se o Congresso avança para uma sessão aberta, a decisão pode criar um precedente para que outras figuras com laços com Epstein sejam chamadas a depor de forma semelhante. A pressão recairia sobre ex-autoridades, executivos e até lideranças estrangeiras mencionadas em processos, ampliando o alcance político e diplomático do caso.
Risco de exposição e disputa de narrativas
Para os Clintons, aceitar um depoimento público significa enfrentar horas de questionamentos sob luzes de câmeras e diante de milhões de espectadores. Negar ou adiar a ida ao Congresso pode reforçar a impressão de que há algo a esconder, mesmo sem novas provas concretas. Consultores políticos ouvidos em Washington lembram que a opinião pública, mais do que tribunais, tende a julgar pela imagem, pelos gestos e pelas frases de efeito.
Organizações que representam sobreviventes de exploração sexual defendem o formato aberto. Argumentam que a transparência é peça central para reconstruir confiança em instituições que falharam em proteger menores por décadas. “O Congresso deve mostrar que ninguém está acima de perguntas diretas quando se trata de abuso e tráfico sexual”, resume uma advogada que atua em ações civis relacionadas ao caso desde 2020.
Próximos passos no Congresso e no debate público
O pedido de 7 de fevereiro ainda precisa ser analisado por lideranças partidárias e pelas comissões responsáveis por supervisionar o sistema de justiça. A expectativa em bastidores do Capitólio é que a decisão sobre um possível calendário saia nas próximas semanas, para que um eventual depoimento ocorra ainda em 2026.
Qualquer que seja o desfecho, o caso Epstein mostra fôlego para permanecer no centro do debate sobre responsabilidade de autoridades, cultura de impunidade e proteção de vítimas. Um depoimento público de Bill e Hillary Clinton, se confirmado, pode não encerrar as dúvidas, mas tende a redefinir o rumo das investigações parlamentares e o tom da discussão pública sobre até onde vai a proteção de figuras da elite americana.
