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Companies House reconduz John Textor ao comando da Eagle Football

A Companies House oficializa nesta quarta-feira (25/2) a recondução de John Textor ao comando da Eagle Football Holdings Bidco, no Reino Unido. A decisão confirma o executivo norte-americano à frente da empresa que centraliza seus ativos no futebol, após disputa aberta com o fundo Ares.

Recondução encerra incerteza sobre controle imediato

O registro da junta comercial britânica é lançado às 14h14 (horário de Brasília) e atualizado às 14h36, em 25 de fevereiro de 2026. O documento aponta que a recondução de Textor ao cargo de diretor ocorre em 29 de janeiro, dois dias depois de sua destituição ser comunicada pela Ares, e passa a valer como posição oficial da Companies House sobre o comando da Eagle Football Holdings Bidco.

A confirmação pública coincide com a versão divulgada pelo próprio Textor em seu site oficial. Ali, o empresário relata que reassume o posto ainda em janeiro e que a tentativa de afastamento, atribuída à Ares, não se sustenta juridicamente. A nova documentação também indica a nomeação do britânico Robin James Mostyn Pugh como diretor. Segundo o cadastro vigente, apenas Textor e Pugh compõem hoje a diretoria da Eagle Bidco.

Disputa com Ares permanece, mas Eagle Midco e Botafogo ficam fora

Em nota oficial, Textor afirma que o embate com a Ares pelo controle da Eagle Bidco continua e tende a se arrastar em conselhos, assembleias e tribunais. O empresário reforça, porém, que a disputa se limita a essa companhia específica e não atinge a Eagle Midco, estrutura imediatamente superior no grupo, nem altera sua posição como acionista majoritário da Eagle Football Holdings, a empresa-mãe.

“A Ares agiu sem fundamentos legais para tentar me destituir”, acusa Textor, ao comentar o episódio. O registro de 29 de janeiro, agora ratificado pela Companies House, funciona como trunfo político e jurídico para o executivo. A confirmação de sua assinatura como diretor afasta, ao menos por ora, o risco de uma mudança silenciosa no comando da holding que administra participações ligadas ao futebol profissional.

O documento britânico também serve para conter especulações em torno do Botafogo, principal ativo de Textor no Brasil. O clube permanece formalmente fora da disputa. O controle da SAF alvinegra só pode ser modificado por decisão do Conselho da empresa ou por uma eventual queda da liminar em vigor no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Não há, até aqui, medida judicial apontando para troca de comando no futebol alvinegro.

Mercado vê sinal de estabilidade, mas litígio segue em aberto

A recondução formal de Textor, datada de 29 de janeiro e oficializada em 25 de fevereiro, funciona como um selo de estabilidade para parceiros e credores da Eagle. Em grupos empresariais com estruturas em cascata, como é o caso da Eagle Football, decisões de registro na Companies House costumam ser usadas como referência por bancos, fundos e clubes que negociam empréstimos, patrocínios e direitos econômicos.

Ao retomar de forma oficial o comando da Eagle Bidco, Textor reduz a margem para que a Ares, ou qualquer outro investidor, reivindique mudança de controle sem novo processo formal. O episódio expõe, no entanto, a fragilidade das relações internas no grupo e reforça a tendência de judicialização de disputas societárias envolvendo clubes e holdings do futebol. Em um cenário de investimentos transnacionais, a disputa entre um executivo individual e um grande fundo pode influenciar decisões de aporte em ligas da Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul.

No Brasil, a confirmação do nome de Textor em Londres funciona como recado indireto ao mercado da bola. Interlocutores veem na decisão da Companies House um argumento a mais para o empresário manter sua estratégia de expansão no futebol brasileiro, enquanto a Ares tenta proteger sua posição como credora e investidora. A leitura imediata é de que o comando formal da Eagle não muda, mas a relação de forças dentro do grupo segue em teste.

Próximos capítulos da disputa pelo império Eagle

O próprio Textor admite, na nota em que comenta a decisão da Companies House, que o conflito com a Ares não termina com a recondução. A tendência é que as duas partes levem a disputa para instâncias arbitrais e cortes especializadas em direito empresarial, no Reino Unido e em outros países onde a Eagle mantém negócios.

Investidores próximos ao grupo apontam que os próximos meses serão decisivos para definir limites de poder dentro da holding. A forma como Textor administra a Eagle Bidco após o 29 de janeiro e como a Ares reage à confirmação do registro oficial podem determinar o apetite de novos parceiros para financiar projetos ligados à empresa. Enquanto o imbróglio segue, Botafogo e demais clubes sob a órbita de Textor observam à distância, à espera da resposta à principal pergunta em aberto: até onde a disputa de bastidores vai afetar o campo onde a bola, de fato, rola.

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