Como escolher notebook bom e barato em 2026, segundo especialistas
Especialistas em tecnologia ouvidos pelo Guia de Compras UOL explicam, em janeiro de 2026, como escolher notebooks com bom custo-benefício no Brasil e indicam faixas de configuração para cada tipo de uso.
Renovação de máquinas em um ano de bolso apertado
O ano começa com uma pressão silenciosa sobre quem trabalha, estuda ou vive conectado: até quando o notebook antigo aguenta mais uma videochamada sem travar? Em um cenário de renda apertada e preços de eletrônicos em alta nos últimos anos, o Guia de Compras UOL reúne, em parceria com os especialistas Marcelo Zuffo e Fernando Pereira, orientações para investir com mais segurança em um novo computador portátil.
A reportagem parte de um recorte bem direto da realidade brasileira. O time de curadoria do UOL seleciona modelos a partir de R$ 1.699, voltados principalmente a tarefas básicas, e cruza essa lista com critérios técnicos claros. A meta é evitar dois erros comuns: pagar caro por recursos que nunca serão usados ou economizar demais e descobrir, poucos meses depois, que o notebook não dá conta do recado.
O ponto de partida é entender que mesmo os aparelhos mais acessíveis já executam o essencial do dia a dia: navegação na internet, plataformas de ensino, edição de textos, planilhas, videoconferências e streaming de vídeo. A linha que separa uma boa compra de uma dor de cabeça, apontam os especialistas, passa menos pela marca e mais por três números: processador, memória RAM e tipo de armazenamento.
Processador, RAM e SSD: o trio que define a experiência
Marcelo Zuffo, engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP, descreve o processador como “o cérebro do computador”. Para o uso cotidiano, ele considera suficientes chips de entrada e intermediários, como linhas Intel Celeron e alguns modelos de AMD Ryzen e Intel Core das gerações mais recentes. O alerta, porém, é direto: “Modelos muito antigos ou linhas de entrada excessivamente limitadas podem comprometer a experiência a médio prazo”.
A lógica por trás da recomendação é simples. Quanto mais núcleos e maior a memória cache do processador, melhor a capacidade de lidar com várias tarefas ao mesmo tempo, da aula por vídeo às abas do navegador abertas em paralelo. Em 2026, boa parte dos notebooks indicados pelo UOL traz processadores básicos, como Intel Celeron N4020, e intermediários, como AMD Ryzen 5 7520U ou Intel Core i3 e i5 de 13ª geração, capazes de equilibrar preço e desempenho para quem não precisa de potência profissional.
Quando a rotina inclui edição de vídeo, softwares de engenharia, arquitetura ou design, ou ainda jogos mais pesados, o patamar muda. “Nesses casos, sugiro escolher um notebook com processador Intel Core i7 ou até i9, dependendo da demanda, e com 32 GB ou até 64 GB de memória RAM”, afirma Fernando Pereira, profissional de TI especializado em hardware desde 2008. A recomendação afasta a ideia de que qualquer máquina moderna serve para tudo e explicita a diferença entre um equipamento doméstico e uma estação de trabalho móvel.
Se o processador é o cérebro, a memória RAM é a mesa de trabalho, o espaço em que os programas ficam abertos. Zuffo é categórico ao definir o piso técnico atual: “Deve ser de, pelo menos, 8 GB. É o mínimo recomendável para garantir fluidez, especialmente com várias abas abertas ou videoconferências”. É essa a configuração padrão nos modelos de entrada listados pelo Guia de Compras UOL, com possibilidade de expansão em aparelhos intermediários, que chegam a 16 GB ou mais.
O tipo de armazenamento também deixa de ser detalhe. Em vez dos antigos HDs mecânicos, mais lentos, a recomendação dos especialistas recai sobre unidades SSD, que usam memória semelhante à dos celulares. “O notebook fica muito mais rápido, sendo que um SSD de 256 GB atende bem a maioria dos usuários”, diz Zuffo. Nas vitrines virtuais, aparecem variações que vão de 128 GB eMMC, mais econômico, a 512 GB SSD em modelos que custam um pouco mais, sempre com ganhos concretos em tempo de inicialização e abertura de programas.
Bateria, tela e recursos extras entram na conta
Escolher bem um notebook em 2026 envolve olhar além da ficha técnica bruta. Quem costuma usar o aparelho longe da tomada precisa vigiar a autonomia prometida pelo fabricante. Pereira lembra que a duração da bateria pode chegar a 12 horas em notebooks mais simples, que consomem menos energia, e considera prudente buscar, no mínimo, de seis a oito horas para tarefas leves. O número, porém, depende de detalhes que muitos consumidores ignoram, como o brilho da tela, o uso do Wi-Fi e a quantidade de aplicativos abertos ao mesmo tempo.
Os modelos analisados pelo Guia de Compras UOL oscilam entre baterias de 37Wh e 55Wh, com promessas de até dez horas de uso e recursos de carregamento rápido. Há máquinas que chegam a 60% de carga em 49 minutos e outras que recuperam cerca de duas horas de autonomia em 15 minutos na tomada. Na prática, esses minutos ganham peso em jornadas que alternam deslocamentos, aulas presenciais, cafés e escritórios compartilhados, sem garantia de tomada livre por perto.
A tela também se torna critério relevante, sobretudo para quem passa muitas horas por dia diante do notebook. Aparelhos com painel antirreflexo em resolução Full HD, de 15,6 ou 16 polegadas, aparecem com frequência entre as recomendações, por reduzir o cansaço visual e melhorar a leitura em ambientes iluminados. Fabricantes adicionam ainda tecnologias como filtros de luz azul, taxa de atualização de 120 Hz para imagens mais fluidas e modos de conforto visual, características que, isoladamente, não justificam a compra, mas ajudam a desempatar escolhas dentro de uma mesma faixa de preço.
Recursos de conectividade e integração com outros dispositivos passam a pesar na decisão de consumidores que vivem com um pé no celular e outro no computador. Alguns notebooks permitem espelhar aplicativos de Android no Windows, conectar tablet e smartphone com poucos cliques e até acessar mensagens e contatos do ecossistema Samsung Galaxy direto no PC. São funções que não mudam o desempenho bruto, mas encurtam o caminho entre trabalho, estudo e vida pessoal.
A própria webcam, vilã de muitas reuniões pixeladas na pandemia, recebe atenção em lançamentos recentes. Há modelos com barras de iluminação dedicadas à câmera, microfones com redução de ruído por inteligência artificial e obturadores físicos para privacidade, sinais de que o notebook se assume de vez como central de comunicação e não só como máquina de trabalho.
Consumo mais consciente e próximos passos do mercado
A combinação de explicações técnicas e seleção de produtos a partir de R$ 1.699 mira um objetivo prático: incentivar um consumo mais consciente de tecnologia em 2026. Ao traduzir especificações em efeitos concretos no dia a dia, a reportagem ajuda o usuário a entender por que 8 GB de RAM e um SSD de 256 GB costumam bastar para tarefas básicas, enquanto um criador de conteúdo ou gamer precisa mirar em 32 GB e processadores mais robustos. A clareza desse recorte tende a reduzir frustrações com máquinas lentas e devoluções no varejo.
O efeito colateral provável é um desvio de demanda dentro das próprias prateleiras digitais. Modelos intermediários, que oferecem mais memória, SSD maior e melhor autonomia de bateria, ganham apelo frente às opções mais baratas, que apostam apenas em preço. Varejistas digitais e fabricantes, por sua vez, encontram espaço para destacar configurações bem equilibradas em anúncios e campanhas, em vez de se apoiarem só em descontos agressivos.
No horizonte próximo, a tendência é que a inteligência artificial embarcada se torne protagonista na ficha técnica. Já há teclas dedicadas a assistentes com IA em notebooks com processadores Intel Core i5 de 13ª geração, integradas a atalhos de configuração de sistema. À medida que esses recursos se popularizam, a pressão por mais memória, melhor refrigeração e baterias mais parrudas deve aumentar, mesmo em modelos de entrada.
Para o consumidor, o desafio continua o mesmo: equilibrar bolso e necessidade real. Com processadores básicos cada vez mais capazes e SSDs se tornando padrão, a fronteira entre o “barato que compensa” e o “barato que engana” fica menos óbvia. A diferença estará na disposição de ler a ficha técnica até o fim e de entender, antes de clicar em comprar, se o notebook escolhido acompanha a rotina que se desenha para os próximos anos.
