Com titulares, Flamengo vence o Vasco após expulsão de Cauan Barros
O Flamengo vence o Vasco por 1 a 0 no Maracanã, na noite de 21 de janeiro de 2026, e respira no Campeonato Carioca. O resultado vem em um clássico marcado pela expulsão direta do volante vascaíno Cauan Barros no início do segundo tempo, lance que muda o jogo e consolida o domínio rubro-negro até o gol de Jorge Carrascal.
Virada de rota após início desastroso no Estadual
O clássico nasce de uma preocupação rara na Gávea. Depois de duas derrotas e um empate com o time sub-20, o Flamengo entra em campo pressionado pela ameaça de rebaixamento no Carioca, algo impensável para um elenco avaliado em centenas de milhões de reais. A diretoria antecipa o retorno dos titulares para a quarta rodada, abandona o plano inicial de poupar o grupo principal e transforma o duelo com o Vasco em espécie de divisor de águas em janeiro.
O risco é calculado. A comissão técnica sabe que mexe na preparação para o Brasileirão e para a temporada de mata-matas, mas teme o impacto simbólico – e financeiro – de disputar a parte de baixo da tabela no Estadual. A reação precisa ser imediata. Em campo, o time responde. O Flamengo começa o jogo com postura de controle, marca presença no campo de ataque e faz Léo Jardim trabalhar desde cedo, em finalizações de Bruno Henrique, Léo Pereira e Éverton Cebolinha.
O Vasco não se esconde. Mesmo sem o jovem Rayan, poupado em meio a negociações avançadas com o Bournemouth, da Inglaterra, a equipe de Fernando Diniz cria as duas melhores chances do primeiro tempo. Andrés Gómez acerta a trave em chute forte da direita. Minutos depois, GB aparece livre na área e finaliza para fora, diante de Rossi. As oportunidades assustam o Flamengo, mas não mudam o cenário de maior posse de bola rubro-negra.
O jogo vai para o intervalo em 0 a 0 com sensação de equilíbrio no placar, mas não no volume. O Flamengo finaliza mais, se instala no campo de ataque e pressiona pelas pontas. O Vasco responde em transições rápidas, tentando explorar o espaço às costas da defesa alta adversária. Os 45 minutos iniciais deixam claro que o primeiro gol pode redefinir não apenas o clássico, mas também o clima interno de cada clube na temporada.
Expulsão muda o clássico e expõe limites dos elencos
A virada de chave acontece logo aos 5 minutos do segundo tempo. Em dividida forte no meio-campo, Cauan Barros entra atrasado e acerta o adversário. O árbitro não hesita e mostra o cartão vermelho direto. O Vasco reclama, pede revisão, mas a decisão permanece. O time de São Januário fica com um jogador a menos por praticamente toda a etapa final e passa a correr atrás de espaços que já eram escassos.
Com vantagem numérica, o Flamengo empurra o rival para perto da própria área. A bola circula com mais paciência, os laterais se projetam e o meio-campo ganha liberdade. A pressão amadurece o gol. Aos 24 minutos, Lucas Piton erra na saída pela esquerda, perde a bola e vê Jorge Carrascal aproveitar o vacilo. O colombiano invade a área e acerta um chute cruzado, firme, sem chance para Léo Jardim. O 1 a 0 traduz o que se passa em campo desde o cartão vermelho.
O gol não apenas premia a insistência rubro-negra. Ele evidencia a diferença de profundidade entre os elencos. O Flamengo, mesmo em início de temporada, consegue manter intensidade com trocas pontuais. O Vasco, sem Rayan e com um jogador a menos, se vê limitado a bolas longas e tentativas isoladas. A equipe até ensaia uma reação, mas não volta a exigir grandes defesas de Rossi.
O placar final de 1 a 0 não é elástico, porém o impacto é grande. O Flamengo chega a 4 pontos em quatro jogos, sobe para a terceira posição do Grupo B e praticamente afasta o risco de rebaixamento no Estadual. A tabela prevê classificação dos quatro primeiros para as quartas de final, cenário que volta a parecer natural para o clube após o início irregular com os garotos. A vitória também dá fôlego a um elenco que encara 2026 sob pressão por títulos depois de uma temporada anterior de altos e baixos.
No lado vascaíno, o resultado pesa mais do que a própria atuação. O time permanece com 4 pontos no Grupo A, também em terceiro lugar, mas vê a possibilidade de ser ultrapassado por Fluminense e Sampaio Corrêa-RJ, que ainda entram em campo na rodada. A expulsão de Cauan Barros vira ponto central da análise interna, assim como a ausência de Rayan, peça-chave do ataque nas primeiras semanas do ano.
Calendário apertado, elenco sob teste e pressão por resposta
A noite no Maracanã deixa marcas para além do placar. No Flamengo, a decisão de antecipar os titulares sai, ao menos no curto prazo, como um acerto. O time soma os primeiros 3 pontos com o elenco principal e ganha confiança às vésperas de uma sequência pesada. O próximo compromisso pelo Carioca já é outro clássico no estádio, contra o Fluminense, no domingo seguinte. Três dias depois, está prevista a estreia no Brasileirão, contra o São Paulo.
A comissão técnica avalia agora se volta a usar o time sub-20 no Estadual para preservar os principais nomes para o Nacional. O risco é repetir o início turbulento da competição e reabrir um debate que parecia encerrado com a vitória sobre o Vasco. A escolha mexe com a hierarquia interna do elenco, afeta minutagem de jovens em ascensão e pode influenciar negociações futuras, como as que envolvem atletas formados no clube.
No Vasco, o foco imediato se desloca para a recuperação. A equipe de Fernando Diniz volta a campo no domingo, dia 25, contra o Boavista, fora de casa, pela quarta rodada do Carioca. A estreia no Brasileirão acontece em 29 de janeiro, contra o Mirassol, também longe de São Januário. O clube precisa administrar a situação de Rayan, cujo futuro próximo parece cada vez mais ligado à Inglaterra, e responder em campo após um clássico em que se sente prejudicado pela própria expulsão.
O clássico deste janeiro alimenta um debate antigo sobre o peso dos Estaduais em elencos caros e montados para disputar títulos nacionais e continentais. A vitória do Flamengo com força máxima, somada à dificuldade do Vasco em lidar com desfalques e decisões individuais, reforça a sensação de que, em 2026, a margem para experiências é menor. A pergunta que fica para os dois lados é até quando será possível conciliar gestão de elenco, venda de jovens e a exigência permanente por resultados em jogos como este.
