Ciclone no Sudeste traz chuva extrema e granizo a MG neste fim de semana
A formação de um ciclone no litoral do Sudeste deve provocar chuva extrema e queda de granizo em Minas Gerais a partir desta sexta-feira (30/1). O alerta do Inmet vale também para áreas de São Paulo e Rio de Janeiro e acende o sinal vermelho em regiões vulneráveis, como a Serra da Mantiqueira e o Triângulo Mineiro.
Ciclone muda o tempo no Sudeste e reforça alerta em Minas
A atuação do sistema no Oceano Atlântico altera o padrão de tempo em boa parte do Sudeste e coloca Minas Gerais no centro da área de risco. O Instituto Nacional de Meteorologia prevê acumulados de chuva que superam 100 milímetros em 24 horas em pontos da Serra da Mantiqueira e do Triângulo Mineiro, volume suficiente para provocar enxurradas, alagamentos e deslizamentos em áreas íngremes e urbanizadas.
O ciclone se organiza sobre o mar, ao largo da costa de São Paulo e Rio de Janeiro, e intensifica o fluxo de umidade da Amazônia em direção ao Sudeste. Esse corredor de ar quente e úmido, que os meteorologistas chamam de canal de umidade, se combina com a Zona de Convergência do Atlântico Sul, a ZCAS, um dos principais sistemas de chuva do verão brasileiro. A junção desses fatores cria o cenário para tempestades mais fortes e persistentes, com núcleos de granizo e rajadas de vento.
Na prática, o que ocorre no oceano se traduz em nuvens carregadas sobre as serras e planaltos de Minas e dos estados vizinhos. Na Serra da Mantiqueira, região de relevo acidentado e cidades turísticas, como Passa Quatro, Itamonte e Monte Verde, o Inmet já projeta acumulados superiores a 100 milímetros entre esta sexta e o sábado (31/1). No Triângulo Mineiro, área estratégica para o agronegócio e para a logística entre Sudeste e Centro-Oeste, a previsão também aponta chuva volumosa e tempestades localizadas.
As condições extremas não surgem do nada. Nas últimas semanas, o padrão de verão se mantém, com pancadas de chuva ao fim da tarde e noites abafadas, mas os acumulados diários raramente se aproximam da marca de 100 milímetros em 24 horas. Agora, com o reforço do ciclone, o cenário muda de escala e traz de volta lembranças recentes de episódios de enchentes e danos em cidades mineiras. Em janeiro, uma cidade de Minas já registrou o maior volume de chuva dos últimos 26 anos, sinal de um verão mais agressivo em parte do estado.
Risco de granizo, alagamentos e impacto direto na rotina
No sábado (31/1), as áreas de chuva mais intensa se concentram entre o Triângulo Mineiro e o Rio de Janeiro, ainda sob influência direta do ciclone. O Inmet alerta que, em pontos isolados, o acumulado pode voltar a superar 100 milímetros em apenas um dia, com potencial para transbordamento rápido de córregos e rios menores. Em áreas urbanas, o principal risco é de alagamentos repentinos, enxurradas e bloqueio de vias importantes.
O instituto destaca também a possibilidade de queda de granizo em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, associada às nuvens mais desenvolvidas que o sistema favorece. O fenômeno tende a atingir faixas restritas do território, mas pode provocar estragos significativos em telhados, veículos e lavouras. Em regiões agrícolas do Triângulo e do Sul de Minas, o receio é de prejuízos em plantações de café, milho, soja e hortaliças em fase sensível de desenvolvimento.
O impacto não se limita ao campo. Nas cidades, ventos fortes associados às tempestades aumentam o risco de queda de árvores, danos à rede elétrica e interrupção de fornecimento de energia. Linhas de ônibus intermunicipais e rodovias que cortam áreas de serra, como trechos da Fernão Dias e BRs que ligam Minas a São Paulo e ao Rio, podem ter tráfego comprometido por alagamentos, deslizamentos e obstáculos na pista. Comunidades em encostas e margens de rios seguem como as mais vulneráveis, acumulando histórico de perdas materiais e risco à vida a cada período chuvoso intenso.
O Inmet orienta que moradores acompanhem boletins atualizados nas redes sociais e no portal do instituto e evitem áreas sujeitas a enxurradas e alagamentos. A recomendação vale também para quem vive em locais com histórico de deslizamento ou queda de barreira. Em dias de temporais com raios e vento forte, a indicação é buscar abrigo em locais seguros, afastar-se de estruturas metálicas expostas e não enfrentar ruas inundadas a pé ou de carro, mesmo que a água pareça rasa.
Cenário pode evoluir para novo episódio de ZCAS
A previsão do Inmet aponta que a atuação do ciclone persiste pelo menos até o início da próxima semana. A manutenção do sistema no Atlântico favorece a formação de um canal de umidade contínuo entre o Espírito Santo e o Mato Grosso, configuração típica da Zona de Convergência do Atlântico Sul. Quando a ZCAS se organiza de forma persistente, os episódios de chuva forte se prolongam por vários dias sobre uma mesma faixa do país, elevando o risco de cheias de maior porte.
Em Minas, a possibilidade de um novo evento de ZCAS reacende o debate sobre planejamento urbano, ocupação de áreas de risco e preparação para extremos climáticos que se tornam mais frequentes. Prefeituras, defesas civis municipais e governos estaduais são pressionados a reforçar monitoramento, revisar planos de contingência e comunicar com clareza rotas de fuga e pontos de apoio para populações mais expostas. A população, por sua vez, começa mais um fim de semana de verão com o olhar voltado para o céu e para os alertas oficiais, na expectativa de que a chuva necessária para aliviar o calor não se transforme, de novo, em desastre anunciado.
