Chuvas derrubam ponte e isolam trecho da MGC-251 no Noroeste de MG
Uma ponte no km 800 da MGC-251, entre Dom Bosco, Bonfinópolis, Brasilândia e Unaí, desaba na madrugada deste domingo (25/1) após fortes chuvas. A rodovia fica totalmente interditada e não há desvio oficial definido.
Correnteza arrasta estrutura e interrompe ligação regional
A queda ocorre após o rompimento de um bueiro e o aumento repentino do nível de um córrego que passa sob a ponte, no Noroeste de Minas Gerais. A força da água arranca parte da base da estrutura e derruba o tabuleiro, impedindo a passagem de veículos e pedestres em um dos principais eixos de ligação entre os quatro municípios.
Polícia Militar Rodoviária, Corpo de Bombeiros Militar e Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais chegam ao ponto ainda de madrugada. A primeira medida é bloquear totalmente o trânsito, para evitar que motoristas sejam surpreendidos pela cratera aberta no meio da pista.
Cones, fitas e sinalização improvisada com árvores e galhos ajudam a avisar quem se aproxima. As equipes orientam condutores a interromper viagens ou buscar rotas alternativas mais seguras, mesmo que isso signifique percorrer dezenas de quilômetros a mais.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o rompimento do bueiro, somado ao grande volume de água acumulado em poucas horas, cria uma correnteza suficiente para comprometer a sustentação da ponte. A estrutura não resiste à pressão e desaba antes do amanhecer.
Região enfrenta transtornos e rotas alternativas precárias
A interdição atinge moradores, trabalhadores rurais e transportadores que dependem diariamente da MGC-251. Caminhões com produção agrícola da região, que inclui propriedades de gado, grãos e hortifrutis, precisam rever trajetos às pressas. Fretes contratados para entrega em prazo apertado correm risco de atraso e de prejuízo financeiro.
Autoridades admitem que, por enquanto, não há desvio oficial definido. As rotas possíveis passam por estradas de terra, fragilizadas pelas mesmas chuvas que derrubam a ponte. A orientação é evitar esses caminhos, sobretudo para veículos pesados e ônibus, que podem atolar ou ficar retidos em trechos alagados.
O trecho afetado funciona como corredor diário de escoamento entre o Noroeste de Minas e outras regiões do estado. A interrupção repentina aumenta o tempo de deslocamento para serviços essenciais, como atendimento de saúde, transporte escolar e abastecimento de comércios locais. Uma viagem que levaria menos de uma hora pode se transformar em uma jornada de várias horas pela malha vicinal.
Não há registro de feridos, em parte graças à ação rápida da Polícia Militar Rodoviária. Uma viatura do Batalhão de Unaí chega ao local logo após o rompimento, bloqueia a rodovia e afasta curiosos, reduzindo o risco de acidentes em meio à escuridão e à pista molhada.
A cena expõe a fragilidade de pontes e dispositivos de drenagem diante de temporais cada vez mais intensos na região. Chuvas volumosas, concentradas em poucas horas, pressionam bueiros e galerias construídos décadas atrás, quando o padrão climático e o volume de tráfego eram menores.
DER prepara resposta emergencial e avalia danos
Técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem deslocam-se ao ponto para avaliar a dimensão do dano e definir o tipo de intervenção necessária. O órgão trabalha com a possibilidade de uma obra emergencial, que pode incluir a construção de uma passagem provisória ou a substituição completa da ponte, dependendo da situação das fundações e das margens do córrego.
Enquanto o laudo não fica pronto, a prioridade é garantir a segurança da área e manter a população informada. A Polícia Militar Rodoviária reforça a sinalização, especialmente no período noturno, para reduzir o risco de colisões traseiras e manobras perigosas de última hora.
Os bombeiros seguem em estado de atenção por causa da previsão de mais chuva para os próximos dias. A corporação monitora o volume de água no córrego e em pontos de alagamento próximos, ciente de que novos deslizamentos ou rompimentos de estruturas menores podem agravar o quadro.
Prefeituras da região começam a mapear os impactos diretos na rotina da população. A avaliação inclui o atraso no transporte de alunos, a necessidade de remanejamento de rotas de ambulâncias e a revisão de contratos de transporte de cargas agrícolas. Em áreas rurais, pequenos produtores relatam dificuldade para levar mercadorias até cidades vizinhas, em um momento em que os custos com combustível e insumos já pesam no orçamento.
A situação reacende o debate sobre investimentos em infraestrutura rodoviária em áreas sujeitas a eventos climáticos extremos. Pontes, bueiros e estradas precisam de monitoramento constante, estudos atualizados de drenagem e planos de manutenção preventiva. Quando a resposta chega apenas depois do desastre, o custo humano e econômico tende a ser maior.
Reconstrução da ponte e debate sobre prevenção entram em foco
O DER deve anunciar, nos próximos dias, um cronograma preliminar para a recuperação da travessia na MGC-251. A tendência é priorizar uma solução emergencial que restabeleça ao menos o tráfego controlado de veículos leves, enquanto se desenha um projeto definitivo para a nova ponte.
A comunidade local cobra rapidez, mas também segurança. Moradores temem que uma obra apressada, sem revisão completa do sistema de drenagem, repita o problema em futuros períodos chuvosos. A pressão recai sobre o governo estadual e as prefeituras, que terão de articular recursos extras e, possivelmente, decretos de emergência para acelerar licitações e contratos.
Especialistas em infraestrutura lembram que o episódio se soma a outros casos recentes de danos em rodovias durante temporais em Minas Gerais. Cada nova ponte caída ou pista destruída entra na conta de um passivo que se acumula há anos, marcado por adiantamentos de obras, cortes orçamentários e atrasos em programas de manutenção.
Motoristas que dependem diariamente da MGC-251 aguardam orientações claras sobre desvios oficiais e prazos minimamente previsíveis para a liberação do trecho. Até lá, a imagem da ponte derrubada pelo córrego serve como alerta visível de que o impacto das chuvas não se limita aos alagamentos urbanos e chega ao coração de rotas vitais para o interior do estado.
