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Chefe do Comando Vermelho em Fortaleza é preso em Jericoacoara

Um dos chefes do Comando Vermelho em Fortaleza, Lucas Lima de Almeida, 25, é preso neste sábado (24) em Jijoca de Jericoacoara, no Ceará. Contra ele, há três mandados de prisão por homicídio e organização criminosa.

Caçada termina em ponto turístico do litoral cearense

Almeida é apontado pela Polícia Civil como liderança da facção no bairro Carlito Pamplona, área marcada por confrontos entre grupos rivais e homicídios sucessivos. A captura ocorre a 262,83 quilômetros de Fortaleza, em um dos destinos turísticos mais movimentados do País, e é tratada por investigadores como um golpe direto na estrutura do Comando Vermelho no Ceará.

O preso deixa o Rio de Janeiro, onde se esconde há meses, e volta ao Estado acreditando que poderia circular com menor risco. Equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) monitoram os movimentos do grupo e rastreiam o deslocamento do suspeito com apoio do Departamento de Inteligência da Polícia Civil. Quando ele chega a Jijoca de Jericoacoara, o cerco já está montado.

As investigações apontam que Almeida atua como braço direito de Carlos Mateus da Silva Alencar, o Skidum ou Fiel, chefe do Comando Vermelho no Pirambu e um dos criminosos mais procurados do Ceará. Skidum, segundo levantamentos da própria polícia e reportagens anteriores, está escondido em comunidades do Rio de Janeiro há pelo menos três anos e, mesmo distante, mantém influência sobre ações no Grande Pirambu com apoio de aliados de confiança.

A movimentação de líderes do CV entre Fortaleza e Rio não é episódica e ajuda a explicar a complexidade das investigações. Ao seguir a trilha de subordinados de Skidum, os investigadores chegam a Almeida, que, segundo a Secretaria da Segurança Pública, acumula registros por homicídio, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e outras contravenções. O histórico reforça a decisão de concentrar esforços na captura.

Estrutura da facção sofre abalo em bairros de Fortaleza

A prisão tem potencial de reconfigurar o mapa do crime em pelo menos duas regiões estratégicas de Fortaleza: Carlito Pamplona e Grande Pirambu. A avaliação preliminar de policiais ouvidos pela reportagem é que a retirada de uma liderança com acesso direto a Skidum enfraquece a cadeia de comando local, reduz a capacidade de ordenar execuções e pressiona o fluxo de armas e dinheiro da facção.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informa que Almeida possui “extensa ficha criminal”, com passagens por homicídio, organização criminosa, comércio ilegal de arma de fogo, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, contravenção penal e descumprimento de medida sanitária. Na prática, isso significa que ele transita por diferentes tipos de crime, da ponta mais violenta, ligada a assassinatos, à parte financeira, responsável por manter a estrutura de guerra do grupo.

A operação que leva à prisão mobiliza equipes da 4ª Delegacia do DHPP, do Núcleo de Operações do DHPP, do Departamento de Polícia do Interior Norte e do Departamento de Inteligência. Policiais utilizam recursos tecnológicos para rastrear comunicações, deslocamentos e padrões de comportamento associados ao suspeito. O uso de ferramentas desse tipo se torna cada vez mais comum em ações contra facções, em um cenário em que líderes tentam se blindar com mudanças frequentes de endereço e uso de documentos falsos.

Moradores de áreas dominadas pelo CV sentem os efeitos imediatos desse tipo de prisão. A ausência repentina de uma liderança abre espaço para disputas internas e, em alguns casos, para o avanço de grupos rivais. A mesma ação que enfraquece a facção pode provocar, em curto prazo, tentativas de retaliação ou acerto de contas, o que exige reforço de policiamento ostensivo em pontos sensíveis da Capital.

Investigações miram cúpula e risco de reação preocupa

Os próximos passos da Polícia Civil miram o entorno de Almeida e a cadeia de comando que o liga a Skidum. Delegados do DHPP mantêm sob sigilo detalhes de novas diligências, mas a avaliação é que quebras sucessivas na hierarquia podem acelerar prisões de outros nomes com mandados em aberto. O caso também reforça a aposta em operações articuladas entre setores de investigação, unidades especializadas e inteligência policial.

As investigações em curso buscam identificar quem assume, na prática, os espaços deixados pelo preso em Carlito Pamplona e quais aliados ainda mantêm contato direto com o Rio de Janeiro. A resposta da facção ao desfalque é acompanhada de perto. O histórico de disputas internas em organizações criminosas indica que momentos de transição de comando costumam vir acompanhados de tentativas de afirmação pela violência.

Autoridades de segurança afirmam, nos bastidores, que o desafio agora é transformar a prisão em redução concreta de homicídios e de ataques ligados ao CV. Isso depende da continuidade das operações, da prisão de outros líderes e da capacidade do Estado de ocupar territórios onde a facção ainda dita regras informais. As apurações sobre a atuação de Skidum e de sua rede seguem em andamento, sem prazo divulgado.

A captura de um dos principais aliados do chefe foragido representa um avanço, mas não encerra o ciclo de violência na região. A resposta real à prisão de Lucas Lima de Almeida será medida nas próximas semanas, nas estatísticas de homicídios, na rotina de bairros como Carlito Pamplona e Pirambu e na capacidade do Estado de impedir que outro nome, tão jovem quanto ele, ocupe o mesmo lugar na hierarquia do crime.

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