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Chefe de gabinete do premiê britânico renuncia após caso Mandelson

Morgan McSweeney, chefe de gabinete do premiê britânico, renuncia neste 8 de fevereiro de 2026 após a polêmica nomeação de Peter Mandelson, ex-embaixador ligado ao caso Jeffrey Epstein. A saída tenta conter danos políticos e preservar a imagem do governo.

Crise em torno de uma nomeação

O anúncio de McSweeney ocorre após dias de desgaste dentro e fora de Westminster. A indicação de Mandelson, veterano da política externa britânica, reacende suspeitas sobre os filtros éticos do gabinete. O nome do ex-embaixador aparece em documentos e agendas associadas ao milionário Jeffrey Epstein, morto em 2019 em uma prisão de Nova York, após denúncias de tráfico sexual internacional.

Ao assumir publicamente a responsabilidade pela escolha, McSweeney tenta blindar o premiê de um escândalo de segunda ordem. A leitura em Londres é direta: o erro não está apenas no nome de Mandelson, mas no processo que o levou à lista de confiança do governo. Em menos de 72 horas, a indicação passa de aposta estratégica a símbolo de falta de sensibilidade política diante de um dos casos mais explosivos da última década.

Pressão política e danos à confiança

A renúncia expõe o equilíbrio frágil no topo do poder britânico. O gabinete enfrenta críticas da oposição, que cobra critérios mais rígidos para nomeações a cargos de alto perfil diplomático e estratégico. Líderes trabalhistas e conservadores moderados apontam que qualquer vínculo, ainda que indireto, com a rede de Epstein é politicamente tóxico. Dentro do Partido Conservador, parlamentares relatam preocupação com a percepção de complacência diante de escândalos internacionais.

A polêmica ganha corpo em comissões parlamentares e programas de entrevista dominicais, que moldam o debate político no país. Deputados pedem, em cartas formais, a divulgação completa das avaliações internas que precedem nomeações sensíveis. Um integrante da oposição resume o clima nos corredores do Parlamento: “Ninguém quer ver o Reino Unido associado, nem por tabela, a uma história de abuso que choca o mundo há mais de cinco anos”.

Bastidores da escolha de Mandelson

A indicação de Peter Mandelson é construída nas últimas semanas como um gesto de experiência e continuidade em meio a um cenário internacional volátil. Ex-embaixador em ao menos dois postos estratégicos nos anos 2010, ele circula por décadas nos bastidores da diplomacia britânica. O governo aposta em seu capital de contatos em Washington, Bruxelas e capitais asiáticas. A aposta dura pouco.

Críticos lembram que, desde 2020, qualquer menção a Epstein funciona como gatilho de crise. Listas de convidados, registros de voo e doações de campanha seguem sob escrutínio na imprensa e em cortes de justiça. A decisão de avançar com Mandelson, mesmo com o histórico de proximidade com círculos ligados a Epstein, é vista como sinal de desconexão com o ambiente político atual. McSweeney, responsável por filtrar indicações estratégicas e medir o risco de cada nome, torna-se o alvo imediato.

Efeito dominó no gabinete

O afastamento do chefe de gabinete abre um vácuo no coração operacional do governo. McSweeney coordena a agenda política do premiê, monitora votações-chave na Câmara dos Comuns e administra a relação com a máquina pública. Um substituto precisa ser escolhido em questão de dias, sob pena de paralisar negociações delicadas com a União Europeia e parceiros da Otan.

Assessores admitem, em reserva, que a saída fragiliza o núcleo que sustenta o premiê desde o início do mandato. A renúncia é o primeiro grande abalo interno desde as eleições gerais mais recentes. Consultores políticos calculam que a perda de um articulador com trânsito em todas as alas do partido pode pesar em votações apertadas já previstas para o primeiro semestre de 2026, em temas como orçamento de defesa e metas de crescimento econômico.

Oposição avança e cobra transparência

O episódio reacende o debate sobre transparência em nomeações e a força de mecanismos de checagem de antecedentes no Reino Unido. A oposição defende prazos mínimos de consulta pública para cargos estratégicos e a publicação de pareceres éticos resumidos. Grupos de direitos humanos pedem regras explícitas que vetem nomes com qualquer envolvimento, ainda que indireto, com esquemas de abuso sexual ou tráfico de pessoas.

O desgaste também atinge a imagem externa do país. Diplomatas europeus ouvidos em privado descrevem surpresa com a escolha inicial de Mandelson. Em um cenário em que governos tentam se afastar de qualquer suspeita de complacência com redes de exploração, a crise em Londres vira referência negativa. “Governos estão sendo julgados não apenas por suas políticas, mas por quem escolhem para executá-las”, observa um analista de relações internacionais baseado em Bruxelas.

Próximos passos e saldo político

O premiê corre para anunciar um novo chefe de gabinete antes do fim de fevereiro. A escolha precisa enviar dois sinais claros: firmeza ética e capacidade de recompor pontes internas. A depender do nome escolhido, o governo pode recuperar parte da autoridade abalada ou aprofundar a crise com as alas mais sensíveis a temas de integridade pública.

Parlamentares já discutem alterações formais nas regras de indicação para cargos de confiança, com propostas de tramitação ainda no primeiro semestre de 2026. A renúncia de McSweeney, apresentada como gesto de responsabilidade, pode se transformar no ponto de partida de uma reforma mais ampla de governança política em Londres. Resta saber se o governo terá fôlego para conduzir essa mudança ou se a crise da nomeação de Mandelson ficará marcada como o primeiro sinal de erosão de um mandato ainda em curso.

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