CEO da SAF do Botafogo, Thairo Arruda pede demissão após racha
O CEO da SAF do Botafogo, Thairo Arruda, pede demissão do cargo nesta semana, no Rio de Janeiro, após um racha com John Textor. A decisão, tomada sob proteção de uma liminar da Justiça fluminense, reforça a crise de confiança na gestão alvinegra.
Ruptura expõe desgaste no comando da SAF
A saída de Arruda acontece em um momento em que o Botafogo tenta consolidar o modelo de clube-empresa, pouco mais de dois anos depois da criação da SAF. O executivo, que participa da gestão desde a fase inicial do projeto, rompe com Textor em meio a disputas internas sobre poder de decisão, prioridades de investimento e rumo esportivo do time profissional.
A demissão é formalizada enquanto Arruda está amparado por uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro, que o protege em um conflito jurídico com a própria SAF. A medida judicial indica um nível de tensão que ultrapassa o desacordo administrativo e entra no campo das garantias pessoais e contratuais. O caso corre em sigilo parcial, mas pessoas próximas descrevem o ambiente como “insustentável” há pelo menos alguns meses.
Conflito com Textor e efeitos imediatos no clube
O racha com John Textor, um dos proprietários da SAF e figura central no projeto, cristaliza diferenças que vinham se acumulando desde 2023. Textor, que controla também clubes na Inglaterra, França e Bélgica, pressiona por decisões rápidas, cortes de custos e maior alinhamento entre as equipes sob seu guarda-chuva. Arruda, segundo relatos de bastidor, defende maior autonomia local e uma relação mais estável com o futebol brasileiro, em especial com a torcida alvinegra.
A demissão abre um vácuo na diretoria executiva justamente em uma fase de planejamento de elenco, definição de orçamento e negociação de contratos. A SAF trabalha com compromissos que somam dezenas de milhões de reais por temporada em salários, direitos de imagem e bônus esportivos, sem contar o serviço da dívida herdada do clube associativo. Uma mudança no centro do comando tende a atrasar decisões e aumentar a sensação de incerteza entre funcionários, comissão técnica e jogadores.
Impacto na gestão, no mercado e na relação com a torcida
A saída de um CEO em meio a disputas públicas com o principal investidor afeta a percepção de estabilidade da SAF no mercado. Agentes, executivos de outros clubes e potenciais parceiros comerciais observam o episódio como um sinal de que o projeto ainda busca um eixo definido de comando. Em um cenário em que direitos de transmissão, patrocínios e novas receitas são disputados real a real, a imagem de desorganização pesa na mesa de negociação.
No ambiente interno, a troca de comando deve provocar uma reorganização de áreas estratégicas, da gestão de futebol ao setor financeiro. Diretoria e conselho da SAF discutem possíveis nomes para assumir o posto, com perfis que variam entre executivos do mercado esportivo e gestores de outras empresas do grupo de Textor. A escolha precisa conciliar duas demandas: recuperar a confiança da torcida, que cobra transparência desde o trauma da perda do título brasileiro em 2023, e garantir previsibilidade para treinadores e jogadores.
Histórico recente e cenário que se desenha
O Botafogo entra no universo das SAFs com a promessa de investimento pesado, reestruturação de dívidas e profissionalização da gestão. Os primeiros meses mostram avanços, como melhora de receitas e maior capacidade de investimento no elenco, mas também atritos públicos de Textor com arbitragem, federações e rivais. A relação com a CBF se desgasta após denúncias de manipulação de resultados, que ainda aguardam desfecho oficial.
Nesse contexto, a saída de um CEO que atua como ponte entre o investidor estrangeiro e o cotidiano brasileiro do clube aumenta a sensação de instabilidade. Torcedores cobram respostas sobre como a SAF pretende blindar o futebol profissional de disputas de poder nos bastidores, enquanto analistas do mercado esportivo citam o caso como exemplo dos riscos de modelos altamente centralizados em um único investidor.
Próximos passos e dúvidas sobre o futuro alvinegro
A diretoria da SAF discute uma reestruturação interna, que pode incluir a redistribuição de funções hoje concentradas no cargo de CEO. Um novo executivo deve ser anunciado nas próximas semanas, segundo interlocutores ligados ao clube, em meio à pressão por definição de metas esportivas claras até dezembro e por um plano de investimento para a próxima janela de transferências.
O desfecho do embate entre Thairo Arruda e John Textor, inclusive no campo judicial, tende a influenciar a forma como outros executivos aceitam trabalhar na estrutura do Botafogo. A torcida acompanha cada movimento, consciente de que decisões tomadas agora podem definir o peso competitivo do clube nos próximos anos. A questão que fica, em um cenário de liminares, rachas e trocas de comando, é se a SAF consegue transformar conflito em correção de rota ou se aprofunda a crise de direção em pleno processo de modernização.
