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Ceará tropeça na estreia e sai vaiado após empate com o ABC

O Ceará estreia na Copa do Nordeste de 2026 com empate por 1 a 1 contra o ABC, na noite desta quarta-feira (25), na Arena Castelão, e deixa o gramado sob vaias. O gol de Zanocelo no primeiro tempo não segura a pressão potiguar, o time cede o empate na etapa final e aumenta a tensão sobre o técnico Mozart.

Ceará começa na frente, recua e ouve a impaciência do torcedor

A noite em Fortaleza começa com clima de retomada. Depois de semanas de atuação irregular, o Ceará entra em campo com força máxima, pressionado a dar resposta imediata. A Copa do Nordeste costuma ser termômetro de temporada para o clube e, em 2026, a estreia ganha peso extra diante da sequência de tropeços recentes.

O time tenta assumir o controle logo nos primeiros minutos, mas esbarra em erros simples e falta de intensidade. Fernandinho até encontra espaço pela direita, porém para no bloqueio da defesa quando tenta cruzar. O jogo trava no meio-campo, com poucas oportunidades claras e muitas decisões apressadas dos dois lados.

Aos 11 minutos, o susto vem do outro lado. Cayo Tenório avança pela direita, clareia a jogada e chuta para fora, rente ao gol defendido pelo Ceará. O lance acorda o Castelão e obriga o time da casa a reagir. A resposta sai rapidamente: Rafael Ramos cruza com precisão, Fernandinho cabeceia, mas erra o alvo e facilita a defesa de Matheus Alves. Na sequência, o lateral português invade a área, demora a finalizar e desperdiça chance promissora.

O alívio parcial chega aos 22 minutos. Em escanteio batido por Rafael Ramos, Matheus Araújo desvia na primeira trave e Zanocelo aparece livre para completar para o gol. O 1 a 0 acende a arquibancada, mas o efeito dura pouco. Em vez de aproveitar o momento, o Ceará recua as linhas, reduz a pressão na saída de bola do ABC e passa a administrar a vantagem com excessiva cautela.

O comportamento conservador provoca reação imediata nas cadeiras do Castelão. Parte da torcida protesta contra a falta de ambição do time ainda no primeiro tempo. Mesmo com a vantagem, o Ceará não consegue controlar o jogo nem criar volume ofensivo. O ABC se organiza, equilibra a posse de bola, mas também encontra dificuldade para infiltrar na área alvinegra.

Nos acréscimos, o Ceará poderia encaminhar a vitória. Em contra-ataque, Matheusinho surge livre, com campo aberto para ampliar o placar. A finalização sai torta, longe do gol, e o estádio transforma a frustração em vaias. O intervalo chega com o placar favorável, mas com um recado claro das arquibancadas: o desempenho está muito abaixo da expectativa.

Falha defensiva, empate do ABC e pressão direta sobre Mozart

O segundo tempo mal começa e o roteiro da partida aponta nova direção. Com menos de um minuto, Matheusinho recebe pela direita, cruza rasteiro e deixa Wendel Silva em condição ideal para marcar. O atacante se atrapalha na conclusão e perde gol que poderia aliviar o ambiente. A chance desperdiçada cobra preço alto minutos depois.

Aos oito minutos, a defesa do Ceará se desorganiza no posicionamento. Wallyson aparece livre pela esquerda, recebe com espaço e finaliza sem ser pressionado. A bola entra e silencia o Castelão. O 1 a 1 expõe as fragilidades defensivas e reabre um jogo que parecia sob controle no primeiro tempo, ainda que sem brilho.

O ABC cresce com o empate e quase vira o placar em seguida. Wellington Carvalho aproveita bola cruzada e cabeceia com endereço. Rafael Ramos recua para a linha do gol e salva o Ceará em cima da hora, evitando a virada potiguar. A cada avanço visitante, a paciência do torcedor local diminui. O coro de “time sem vergonha” ecoa das arquibancadas e marca a noite alvinegra.

Pressionado, Mozart reage do banco. O técnico mexe na estrutura ofensiva, lança Richardson, Melk, Sánchez e Juan Alano e tenta dar mais velocidade à transição. O Ceará passa a rondar a área do ABC com mais frequência, mas segue refém da própria falta de precisão. A posse de bola aumenta, o volume ofensivo melhora, porém as finalizações não traduzem o controle territorial em vantagem no placar.

Aos 29 minutos, Melk protagoniza o melhor momento da equipe na etapa final. Ele recebe na entrada da área, limpa a marcação com corte curto e finaliza com perigo, muito perto da trave de Matheus Alves. O lance empolga por alguns segundos, mas também evidencia o drama da noite: o Ceará cria pouco e, quando cria, não conclui com a frieza necessária.

Na reta final, o time se lança ao ataque em busca de um gol salvador. Zanocelo volta a aparecer na área, Rafael Ramos cruza com insistência, a bola passa por todo mundo sem encontrar o desvio decisivo. O ABC se fecha, reduz espaços e administra o empate como resultado positivo fora de casa. O apito final encontra um Ceará acuado pelo próprio torcedor, que transforma o Castelão em palco de protesto aberto.

Grupo embolado, confiança em baixa e jogo-chave contra o Retrô

O empate na estreia deixa o Ceará com apenas um ponto e a terceira colocação no Grupo C da Copa do Nordeste. A matemática ainda não assusta, mas o desempenho liga o sinal de alerta no clube. Em um torneio curto, com oito jogos na fase inicial, qualquer tropeço em casa aumenta o risco de eliminação precoce e reduz a margem para erro nas rodadas seguintes.

O impacto imediato recai sobre o trabalho de Mozart. O treinador inicia o Nordestão com forte questionamento externo e ambiente interno pressionado. As vaias ao intervalo, o coro de protesto no segundo tempo e as manifestações após o apito final expõem uma quebra de confiança entre arquibancada e elenco. A cada atuação aquém do esperado, a cobrança tende a se intensificar, especialmente sobre as escolhas táticas e o estilo mais cauteloso após sair na frente.

O elenco também sente o peso emocional do resultado. Jogadores experientes convivem com um cenário em que qualquer erro vira combustível para a insatisfação da torcida. A falta de eficiência no ataque, somada às falhas de posicionamento na defesa, reforça a percepção de um time que ainda não encontra equilíbrio entre solidez e agressividade ofensiva.

A agenda oferece pouco tempo para reflexão. No sábado, 28, às 17 horas, o Ceará visita o Retrô pela sequência da Copa do Nordeste. O duelo ganha contornos de jogo-chave logo na segunda rodada. Uma vitória recoloca o time na briga pelos primeiros lugares do grupo e alivia parte da pressão. Novo tropeço, porém, tende a ampliar a crise técnica e emocional que se desenha desde o início da temporada.

A diretoria acompanha o cenário com atenção, consciente de que o Nordestão tem peso simbólico e financeiro para o clube. A campanha de 2026 ainda está no começo, mas a estreia diante do ABC deixa uma pergunta no ar: o Ceará consegue transformar a vaia em resposta de campo antes que o torneio cobre um preço definitivo pela instabilidade?

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