CBF confirma novos confrontos e formato da Copa do Brasil 2026
A CBF confirma nesta quarta-feira (28) os confrontos da primeira fase da Copa do Brasil 2026, já sob o novo formato com 126 clubes e nove fases. Os primeiros jogos acontecem em 18 e 19 de fevereiro, em turno único e decisão por pênaltis em caso de empate.
Competição repaginada amplia alcance nacional
A definição dos duelos sai em sorteio na sede da entidade, no Rio de Janeiro, e marca a estreia prática da nova versão do torneio. A Copa do Brasil passa a reunir 126 times de diferentes divisões e regiões do país, num desenho pensado para prolongar o calendário e distribuir melhor as vagas entre campeonatos estaduais e o Ranking Nacional de Clubes (RNC).
A primeira fase junta 28 equipes com pior posição no RNC, em confrontos eliminatórios diretos. Não há partida de volta nem vantagem do empate para o melhor ranqueado, como já ocorreu em outros anos. Mandos de campo também saem no sorteio, o que reduz previsibilidade e abre espaço para surpresas logo no início da disputa.
Clubes tradicionais de menor investimento, como Primavera, Velo Clube e Madureira, entram nessa largada do torneio ao lado de estreantes e representantes de federações menos midiáticas. Para muitos deles, a Copa do Brasil vira o principal palco da temporada, com chance de receita extra, exposição nacional e confronto com times de maior visibilidade mais adiante.
O calendário definido pela CBF prevê que a primeira fase se concentre em dois dias, 18 e 19 de fevereiro de 2026, antes da reta final dos estaduais. A entidade tenta evitar conflito direto com decisões regionais e reduzir viagens em sequência, mas mantém a lógica de mata-mata que deu identidade ao torneio desde a criação, em 1989.
Jogo único e pênaltis mudam estratégia dos clubes
O novo regulamento altera de forma concreta o comportamento das equipes em campo. O jogo único transforma cada erro em risco imediato de eliminação e reduz a margem para planejamento de longo prazo. Em caso de empate nos 90 minutos, a vaga sai nos pênaltis, sem prorrogação, o que comprime a tensão em pouco mais de uma hora e meia.
Para clubes menores, a mudança é quase um convite à ousadia. Um bom plano de jogo em 90 minutos, aliado ao peso psicológico das penalidades, pode equilibrar diferenças técnicas e financeiras. Dirigentes ouvidos por bastidores na CBF veem espaço para mais “zebras” e para histórias de ascensão rápida ao longo das nove fases. “O formato valoriza o mérito em campo e dá a todos a mesma condição inicial”, afirma um dirigente envolvido na organização, em avaliação reservada.
Equipes de orçamento reduzido enxergam ainda outra vantagem: a redução de despesas com logística. Sem partidas de ida e volta, cai o custo com viagens, hospedagem e estrutura duplicada, um peso histórico para clubes fora dos grandes centros. Em contrapartida, a bilheteria fica restrita a um único mando por confronto, o que torna o sorteio de mandos ainda mais decisivo para o caixa.
O desenho com 126 clubes e nove fases tenta conciliar pressão por vagas de grandes centros com a demanda de federações menores por espaço. A democratização aparece na largada, com presença ampliada de times de primeira divisão dos estaduais. A cada avanço de fase, a tendência é de encontro gradativo com equipes mais bem ranqueadas, inclusive de Série A e B do Brasileiro, elevando o nível técnico e o interesse de TV e patrocinadores.
Exposição, dinheiro e disputa por protagonismo no calendário
A CBF mira um objetivo claro com o novo desenho: reforçar a Copa do Brasil como ativo central do calendário e produto de mídia. O modelo de mata-mata, distribuído em nove fases, oferece mais datas com caráter decisivo ao longo do ano, o que agrada emissoras e plataformas de streaming em busca de jogos de alto engajamento.
Para os clubes, o impacto vai além da visibilidade. A ampliação da competição abre espaço para novas faixas de premiação, negociação de placas de publicidade, acordos pontuais de patrocínio e valorização de atletas. Times como Primavera, Velo Clube e Madureira podem transformar uma boa campanha em vitrine para vendas futuras e em argumento político dentro de suas federações.
Ao mesmo tempo, o torneio mais inchado aumenta a pressão sobre elencos enxutos. Clubes que conciliam a Copa do Brasil com campeonatos estaduais e divisões nacionais precisam administrar elenco e desgaste físico em um calendário já apertado. A opção por jogo único na primeira fase reduz o número de datas, mas não elimina o risco de sobrecarga, sobretudo em regiões com longas distâncias de deslocamento.
A confirmação dos confrontos de abertura, no fim de janeiro, funciona como ponto de partida concreto da nova era da Copa do Brasil. A cada sorteio, a CBF testa o equilíbrio entre inclusão e competitividade, sabendo que o apelo popular do torneio nasce justamente da combinação entre gigantes e desconhecidos. A edição de 2026 coloca essa lógica à prova em escala ampliada.
Próximos capítulos e disputa por espaço na agenda do torcedor
Os primeiros jogos em 18 e 19 de fevereiro vão medir, na prática, a recepção do novo formato por clubes, torcidas e mercado. O desempenho de equipes menores e o número de decisões nos pênaltis tendem a orientar futuras discussões de regulamento, inclusive sobre distribuição de vagas e critérios do Ranking Nacional de Clubes.
A partir da segunda fase, o torneio deve ganhar peso esportivo e de audiência, com entrada gradativa de times mais bem ranqueados. A CBF aposta que a combinação de mata-mata curto, possibilidade de surpresas e presença de 126 participantes fortalece sua marca e consolida a Copa do Brasil como um dos eventos mais democráticos do futebol nacional. A reação do torcedor, nas arquibancadas e nas telas, dirá se o novo desenho entrega a emoção que o calendário, cada vez mais congestionado, promete mas nem sempre cumpre.
