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Caso Cão Orelha: João Rodrigues fala em “lacração” e critica reação

O prefeito de Chapecó e pré-candidato ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues (PSD), rompe o silêncio no início de fevereiro de 2026 sobre o caso Cão Orelha. Em declarações públicas na cidade, ele classifica a reação ao episódio como “lacração” e endossa a crítica do delegado-geral da Polícia Civil, que chama a repercussão de “inquisição”.

Prefeito entra no debate e eleva o tom político

João Rodrigues escolhe esperar alguns dias antes de se posicionar publicamente. Afirma que qualquer fala imediata, nas primeiras 48 ou 72 horas, poderia soar precipitada. Ao retomar o tema, defende que parte da reação ao caso Cão Orelha não busca apurar fatos, mas produzir efeitos nas redes sociais. “O que se viu foi muita lacração e pouco equilíbrio”, diz, em referência direta ao volume de críticas ao trabalho da polícia e das autoridades locais.

O prefeito vincula o episódio ao clima político em Santa Catarina, que entra em ritmo de pré-campanha neste primeiro semestre de 2026. Aos interlocutores, admite que calcula cada palavra desde que se colocou como pré-candidato ao governo estadual. Em público, afirma que a exposição do caso serve de combustível para adversários e grupos organizados que contestam sua gestão na área de segurança. “Há quem queira transformar qualquer ocorrência em palanque”, afirma.

Críticas à “inquisição” e desgaste nas instituições

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina reforça a leitura do prefeito. Em encontro com autoridades locais, define a repercussão do caso Cão Orelha como “uma inquisição em praça pública”. Segundo ele, a pressão imediata nas redes e em setores da opinião pública antecipa julgamento, fragiliza investigações e empurra policiais e gestores para a defensiva. A fala circula em vídeos de pouco mais de 1 minuto, que somam milhares de visualizações em perfis políticos de Chapecó.

A combinação entre o tom do prefeito e o do delegado-geral reorienta o debate em Chapecó. O episódio, que começa restrito à esfera policial, ganha dimensão política e passa a ocupar reuniões partidárias, plenárias de vereadores e conversas de bastidor na capital. Lideranças locais avaliam que o caso se torna um teste para a relação entre prefeitura, forças de segurança e governo estadual, num momento em que a segurança pública aparece entre as três principais preocupações do eleitorado catarinense em pesquisas internas, ao lado de emprego e saúde.

Repercussão em Chapecó e impacto eleitoral

O caso Cão Orelha, que repercute ao longo de vários dias nas redes e na imprensa regional, expõe fissuras antigas entre aliados e adversários de Rodrigues. Vereadores de oposição exploram as declarações do prefeito para reforçar o discurso de que a prefeitura minimiza denúncias e críticas. Aliados rebatem e afirmam que há “uso eleitoral” de qualquer ocorrência que envolva polícia ou segurança. Em Chapecó, cidade com pouco mais de 250 mil habitantes, cada gesto das autoridades é lido à luz da disputa de 2026.

A discussão ultrapassa os limites do município e alimenta conversas em Florianópolis. Dirigentes partidários monitoram a repercussão do caso e medem o desgaste e os ganhos que a postura de confronto pode gerar. A avaliação preliminar de estrategistas ouvidos reservadamente é que o episódio tem potencial de cristalizar a imagem de Rodrigues como um candidato disposto a enfrentar debates de segurança pública sem recuo, mas também o expõe ao risco de ser associado à ideia de tolerância com erros na área policial. Em um cenário polarizado, a linha entre firmeza e insensibilidade se torna mais fina.

Disputa de narrativas e pressão sobre políticas de segurança

O desdobramento imediato das falas de prefeito e delegado-geral é uma disputa de narrativas. De um lado, grupos que cobram transparência e responsabilização nas ações de segurança afirmam que a acusação de “lacração” serve para desqualificar críticas legítimas. De outro, apoiadores do prefeito defendem que a reação inicial ao caso Cão Orelha atropela o devido processo legal e cria um ambiente de caça às bruxas. O termo “inquisição” se torna símbolo dessa leitura.

No plano prático, a pressão recai sobre a formulação de políticas públicas. Parlamentares locais já discutem a apresentação de, pelo menos, dois projetos de lei ligados à atuação policial e à transparência em ocorrências com grande repercussão. Uma proposta prevê prazo máximo de 30 dias para a divulgação de relatórios preliminares em casos sensíveis. Outra sugere a criação de um comitê permanente, com representantes da sociedade civil, para acompanhar ações de segurança em Chapecó e em municípios vizinhos.

O que vem a seguir para Chapecó e para a eleição de 2026

O caso Cão Orelha entra no calendário político de 2026 como um marco antecipado da campanha em Santa Catarina. A expectativa, entre aliados e adversários de João Rodrigues, é que as declarações sobre “lacração” e “inquisição” apareçam em programas de rádio, debates eleitorais e peças de propaganda. O episódio tende a ser resgatado sempre que o tema segurança pública surgir, tanto em Chapecó quanto no interior do Estado.

As próximas semanas devem trazer novas manifestações de entidades de classe, organizações de direitos humanos e lideranças partidárias, à medida que investigações avançam e a disputa por narrativas se intensifica. O desfecho do caso, somado ao modo como prefeito e governo estadual administram a crise, ajuda a definir o tom da campanha e o grau de confiança do eleitor nas instituições de segurança. A dúvida que se impõe é se a discussão dará espaço a ajustes concretos em políticas públicas ou se ficará restrita à arena da polarização.

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