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Casa desaba no Engenho Novo e deixa quatro feridos no Rio

Uma casa germinada desaba no Engenho Novo, na zona norte do Rio, e deixa quatro moradores feridos na tarde deste domingo, 8 de fevereiro de 2026. Equipes do Corpo de Bombeiros resgatam todas as vítimas com vida após uma operação de quase duas horas.

Colapso repentino expõe fragilidade das construções

O desabamento atinge um imóvel de dois andares em uma rua estreita do bairro, por volta das 16h. A estrutura cede de forma quase instantânea, segundo moradores, e arrasta parte da casa geminada ao lado, deixando paredes rachadas e vigas expostas. O estrondo é ouvido em pelo menos três quarteirões.

Vizinhos ligam para o 193 minutos depois do colapso e começam a tentar retirar escombros com as próprias mãos. Em menos de dez minutos, o primeiro caminhão do Corpo de Bombeiros, do quartel do Méier, chega ao endereço. As equipes isolam a área, interrompem o trânsito local e iniciam a busca por sobreviventes entre blocos de concreto, madeira e fiação rompida.

No imóvel atingido vivem quatro pessoas de uma mesma família, entre elas uma idosa e uma criança, segundo relatos colhidos no local. Todas ficam presas sob partes da laje e de paredes internas. Bombeiros usam macas, ferramentas de corte e escoramentos metálicos para evitar novo colapso durante o resgate. A operação termina com as quatro vítimas retiradas conscientes, com ferimentos considerados moderados.

As vítimas são atendidas inicialmente na própria rua, em um posto improvisado montado pelas equipes de socorro, e depois levadas a hospitais da região. Até o início da noite, não há registro oficial de mortes. A corporação não divulga, por enquanto, o estado clínico detalhado nem a identidade dos feridos, mas confirma que todos apresentam sinais de politrauma, como contusões e possíveis fraturas.

Bairro em alerta e pressão por fiscalização mais rigorosa

O desabamento provoca uma mobilização imediata no Engenho Novo. Em poucos minutos, dezenas de moradores se aglomeram ao redor da área isolada, muitos com celulares em mãos, registrando cada etapa do resgate. Nas redes sociais de moradores, imagens do imóvel destruído circulam com rapidez e levantam suspeitas sobre a condição de outras casas antigas na região.

O bairro mistura imóveis erguidos há mais de 40 anos com construções mais recentes, muitas vezes erguidas sem acompanhamento técnico formal. A casa que desaba, segundo vizinhos, passa por pequenas reformas ao longo dos últimos anos, como troca de revestimentos e adaptações internas. A dúvida sobre a existência de laudo estrutural reforça as críticas à falta de fiscalização regular por parte da prefeitura.

Um morador da rua, que prefere não se identificar, afirma que o risco era perceptível. “A gente via rachadura, via parede estufando, mas ninguém leva adiante porque todo mundo tem medo de interdição. Hoje quase acontece uma tragédia maior”, diz. Outro vizinho relata que a casa teria apresentado infiltrações intensas nas últimas semanas, após as chuvas de janeiro.

Especialistas em engenharia civil ouvidos pela reportagem lembram que desabamentos em áreas residenciais consolidadas não são raros no Rio. Levantamentos de conselhos profissionais indicam que, em alguns bairros de classe média e popular, até 30% dos imóveis apresentam algum tipo de irregularidade estrutural ou de documentação. O caso do Engenho Novo reacende o debate sobre inspeções periódicas obrigatórias, especialmente em casas geminadas, em que um colapso pode comprometer imóveis vizinhos em cadeia.

A Defesa Civil municipal informa que envia uma equipe ao local para vistoriar as estruturas remanescentes e avaliar o risco para as casas ao lado. As primeiras análises visuais levam à interdição preventiva de parte da casa geminada vizinha, que apresenta rachaduras recentes e deslocamento de alvenaria. Moradores são orientados a deixar o imóvel até a conclusão de laudos técnicos mais detalhados.

Investigações, responsabilidade e o que vem a seguir

As causas exatas do desabamento ainda não são conhecidas. Técnicos da Defesa Civil e da prefeitura devem iniciar, nos próximos dias, uma perícia para identificar se houve falha estrutural antiga, reforma irregular ou combinação de fatores, como infiltração prolongada e sobrecarga na laje. O laudo, que costuma levar semanas para ficar pronto, será decisivo para apontar eventuais responsáveis civis e criminais.

A prefeitura afirma que abre procedimento interno para verificar se havia registros de reclamações anteriores sobre a casa, pedidos de vistoria ou obras cadastradas. Caso seja confirmada alguma intervenção feita sem autorização, o caso pode resultar em multa e responsabilização dos proprietários. Se ficar comprovada omissão do poder público diante de alertas formais, o município também pode ser acionado judicialmente pelas vítimas.

O episódio intensifica a pressão por políticas mais firmes de prevenção. Técnicos defendem um programa permanente de inspeção de imóveis antigos, com prioridade para casas geminadas e prédios de pequeno porte em bairros da zona norte. A proposta inclui a exigência de laudos a cada cinco ou dez anos, com registro obrigatório na prefeitura e monitoramento por conselhos profissionais.

No curto prazo, a principal preocupação recai sobre o destino das quatro vítimas e das famílias que vivem ao redor do imóvel destruído. Muitas passam a noite fora de casa, acolhidas por parentes e amigos, com medo de novas quedas de estrutura. A rua permanece parcialmente interditada enquanto máquinas retiram entulho e equipes avaliam a estabilidade de paredes remanescentes.

O desabamento deste domingo se soma a outros episódios recentes de colapsos estruturais no Rio e pressiona autoridades municipais e estaduais a tratar a segurança habitacional como prioridade, e não apenas reação a tragédias. A resposta que será construída nas próximas semanas, entre perícias, laudos e eventuais novas normas, definirá se o acidente no Engenho Novo será apenas mais um alerta ignorado ou um ponto de virada na forma como a cidade encara suas próprias casas.

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