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Casa Branca atribui hematoma na mão de Trump a pancada em Davos

A Casa Branca atribui a um acidente em Davos o hematoma que surge na mão esquerda de Donald Trump na manhã desta quinta-feira (22). O episódio, registrado em vídeo durante evento do Conselho da Paz, reacende dúvidas sobre a rotina médica do presidente dos Estados Unidos e o uso diário de aspirina em dose elevada.

Acidente diante das câmeras em Davos

Trump participa, em Davos, na Suíça, de um encontro do Conselho da Paz quando, segundo a própria Casa Branca, bate a mão na quina da mesa de assinatura. A batida ocorre enquanto ele se inclina para firmar documentos à vista de chefes de Estado, empresários e da imprensa internacional.

“No evento do Conselho da Paz hoje em Davos, o presidente Trump bateu a mão na quina da mesa de assinatura, causando um hematoma”, afirma a secretária de imprensa Karoline Leavitt em comunicado oficial. A fala tenta encerrar, em poucas linhas, uma onda de especulações sobre a saúde do presidente que cresce há meses e ganha novo combustível com as imagens da manhã suíça.

Imagens de vídeo mostram que, no início do evento, a mão esquerda do presidente não exibe marcas evidentes. Ele cumprimenta participantes, ergue os documentos, gesticula como de costume. Cerca de dez minutos depois, já sentado, um hematoma escuro começa a aparecer, visível quando ele segura a caneta e apoia a mão sobre o papel.

Um funcionário da Casa Branca, em conversa com a CNN Internacional, reforça a versão. Segundo ele, as fotos feitas na quarta-feira (21) e nas primeiras horas desta quinta demonstram que “não há hematomas” antes da batida na mesa. O auxiliar lembra que o presidente e seus médicos admitem que ele “é propenso a hematomas nas mãos devido ao uso diário de aspirina”.

Uso de aspirina e histórico de marcas nas mãos

O episódio em Davos não surge do nada. Trump aparece em público, há meses, com hematomas visíveis na mão direita, anteriores ao retorno mais recente à Casa Branca, segundo a CNN Internacional. As marcas chamam mais atenção à medida que ele passa a tentar escondê-las com maquiagem pesada, bandagens e o gesto constante de cobrir a área com a outra mão.

Um hematoma na mão esquerda, registrado no fim do ano passado, amplia o escrutínio sobre seu estado de saúde. As imagens circulam em redes sociais e canais de notícias, alimentando teorias e questionamentos sobre problemas cardiovasculares, distúrbios de coagulação e possíveis quedas não reveladas. A Casa Branca evita, até aqui, abrir detalhes, mas admite a causa mais simples: batidas, vasos frágeis e muita aspirina.

Em entrevista ao Wall Street Journal publicada no início de janeiro, o próprio Trump revela que toma uma dose diária de aspirina superior à recomendada pelos médicos. “A aspirina é boa para afinar o sangue”, diz, em tom de justificativa, ao admitir a prática. O médico da Casa Branca, Sean Barbabella, detalha ao jornal que o presidente ingere 325 miligramas por dia.

Pelo protocolo de prevenção cardiovascular, a Clínica Mayo considera dose baixa de aspirina aquela que varia de 75 a 100 miligramas, com 81 miligramas como valor mais comum. A mesma instituição aponta que o tratamento diário costuma ficar “entre 75 e 325 miligramas”, faixa em que se encaixa a rotina do presidente. O ponto de atenção, na avaliação de cardiologistas ouvidos por veículos americanos, não está apenas no número, mas no fato de Trump insistir em uma dose maior do que a sugerida pela equipe médica, o que aumenta a chance de sangramentos e hematomas.

O novo machucado, agora em Davos, oferece um retrato didático dessa combinação. Uma pancada em uma quina de madeira, que passaria quase despercebida em muitos adultos, produz em minutos uma mancha roxa nítida no líder da maior economia do mundo. O contraste entre o gesto banal e a repercussão global evidencia como qualquer sinal físico no presidente dos Estados Unidos se converte em dado político.

Transparência, repercussão e próximos movimentos

O caso do hematoma chega à opinião pública em um momento de disputa intensa por narrativas sobre a saúde de líderes globais. Aliados de Trump tentam tratar o episódio como um acidente trivial, produto da agenda apertada em Davos e de um medicamento de uso disseminado entre pessoas com risco cardiovascular. Adversários exploram a imagem de um presidente que esconde marcas com maquiagem, desafia recomendações médicas e vê o corpo denunciar escolhas feitas longe dos holofotes.

A repercussão internacional é imediata. Em redes sociais, usuários comparam vídeos de dias diferentes para medir o avanço das manchas nas mãos. Analistas em canais de notícias revisitam exames e laudos divulgados em outros momentos de sua carreira política, em busca de sinais que possam indicar um quadro mais complexo. A Casa Branca responde com notas sucintas, repete a versão da pancada na mesa e evita se comprometer com um novo relatório médico detalhado.

No curto prazo, a tendência é que o hematoma desapareça em poucos dias, como qualquer contusão superficial. A dúvida central está em outro lugar: se o episódio leva Trump a ajustar a dose de aspirina, ouvir com mais atenção seus médicos e adotar uma política de transparência mais consistente sobre sua saúde.

Enquanto o roxo na pele some, o desgaste político pode permanecer. Num cenário em que imagens correm o mundo em segundos e cada detalhe físico vira arma retórica, o que se espera da Casa Branca não é apenas a explicação para uma batida na mesa em Davos, mas uma resposta clara sobre até que ponto o presidente está disposto a expor sua rotina médica a um escrutínio compatível com o peso de seu cargo.

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