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Carnaval 2027 terá 15 escolas na Sapucaí com novo formato gradual

O Carnaval do Rio muda de cara em 2027. A Marquês de Sapucaí passa a receber 15 escolas de samba em um novo formato de desfile, anunciado por Eduardo Cavaliere, da prefeitura, e Gabriel David, da Liesa, para o próximo Carnaval.

Transição gradual para um novo modelo

O anúncio confirma uma mudança desenhada nos bastidores desde o fim do último Carnaval. Prefeitura e Liesa trabalham em uma transição gradual, que amplia o número de escolas sem esticar o limite da avenida nem sacrificar a qualidade do espetáculo. O novo desenho prevê uma estrutura progressiva, com ajustes de tempo, ordem e operação a cada noite de desfile ao longo de 2027.

O objetivo declarado é reorganizar a engrenagem da Sapucaí, reduzir atrasos e melhorar a experiência de quem desfila e de quem assiste, seja na arquibancada, no camarote ou pela TV. A cidade recebe mais de 2 milhões de turistas durante o período de folia, segundo estimativas da própria prefeitura, e a passarela do samba segue como vitrine principal desse movimento. A aposta de Cavaliere e Gabriel David é que um modelo ampliado e mais preciso de desfile fortaleça o Carnaval como ativo cultural e econômico.

Impacto na avenida, na cidade e nas comunidades

A decisão de levar 15 escolas para o desfile de 2027 altera um formato consolidado há décadas. A ampliação abre espaço para mais agremiações disputarem o protagonismo na Marquês de Sapucaí, o que significa mais enredos em cena, mais comunidades representadas e mais horas de programação voltadas ao samba. Para a economia do Carnaval, cada escola carrega centenas de empregos diretos e indiretos, do barracão ao comércio informal no entorno da avenida.

Ao planejar a mudança de forma escalonada, prefeitura e Liesa tentam evitar o colapso logístico que qualquer acréscimo de tempo poderia provocar. A previsão é de ajustes finos na minutagem, na concentração, na dispersão e no intervalo entre desfiles, com testes já no próprio Carnaval de 2027. A ideia é encaixar as 15 escolas sem ultrapassar o limite da madrugada, uma queixa recorrente de moradores do Centro e de turistas que dependem de transporte público. Internamente, dirigentes veem a medida como uma chance de valorizar agremiações que ficam anos no limbo entre acesso e grupo principal, mas temem que a competição se torne ainda mais acirrada na disputa por patrocínios, cotas de TV e atenção da mídia.

Desafios, expectativas e próximos passos

O desenho do novo formato exige coordenação milimétrica. Técnicos da prefeitura estudam a sincronização com o esquema de trânsito, a segurança e a limpeza urbana, que já mobilizam milhares de servidores a cada fevereiro. A Liesa revisa o regulamento e o calendário de ensaios técnicos para evitar gargalos na concentração das escolas, que ocupam a região do Sambódromo por mais de 12 horas seguidas em cada noite. A mudança também impacta a negociação com emissoras e plataformas de streaming, que precisam acomodar mais enredos em janelas comerciais limitadas.

O Carnaval de 2027 se torna, assim, um laboratório a céu aberto para o futuro da festa. Se a experiência com 15 escolas e formato progressivo funcionar, o modelo pode se consolidar como padrão nas próximas edições e inspirar ajustes em outras grandes festas populares do país. A avenida volta a ser palco não só de disputas de samba-enredo, mas de uma discussão mais ampla: até onde o Carnaval pode crescer sem perder o ritmo que o transformou em símbolo do Rio e do Brasil.

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