Ciencia e Tecnologia

Capcom confirma Resident Evil Requiem rodando sem cortes no Switch 2

Resident Evil Requiem chega em 27 de fevereiro de 2026 também ao Nintendo Switch 2, após a Capcom superar o ceticismo inicial e atestar o novo console como potente o bastante para rodar o jogo sem cortes. A decisão reforça a estratégia de lançamento simultâneo em PC, PlayStation 5, Xbox Series X/S e marca a volta de um título inédito da franquia a um videogame da Nintendo no dia da estreia.

Capcom sai do ceticismo à confiança no Switch 2

O diretor de Resident Evil Requiem, Koshi Nakanishi, admite que a equipe duvida, no início, da capacidade gráfica do Nintendo Switch 2. O histórico de hardware menos potente em relação a concorrentes de Sony e Microsoft pesa nessa avaliação. O ceticismo dura pouco, porém, depois que o estúdio coloca o novo console à prova em testes internos.

Em episódio recente da série Creator’s Voice, publicado no canal da Nintendo no YouTube, Nakanishi conta que a reação inicial é de surpresa. “O sistema Nintendo Switch 2 tem especificações gráficas melhoradas, então nos perguntamos se Requiem poderia rodar nele — e rodou, com facilidade”, afirma. Ele descreve uma espécie de “tripla verificação” de desempenho antes da confirmação final.

Quando a equipe segura o aparelho pela primeira vez, a dúvida resiste por alguns instantes. “Quando nós, da equipe de desenvolvimento, o vimos pela primeira vez em nossas mãos, também ficamos céticos. […] Pensamos entre nós: ‘Oh, isso realmente está rodando no Nintendo Switch 2?’”, diz o diretor. O resultado convence a Capcom de que não será necessário lançar uma edição reduzida ou em nuvem para o console da Nintendo.

O lançamento simultâneo em 27 de fevereiro de 2026 coloca o Switch 2 no mesmo patamar de prioridade de PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S, algo que a franquia não oferece a um videogame da Nintendo há mais de uma década. O último caso é Resident Evil Revelations, de 2012, que estreia no Nintendo 3DS antes de migrar para outros sistemas. Desde então, os consoles da empresa recebem versões adaptadas, coleções ou jogos em streaming, mas raramente dividem a vitrine principal no dia um.

Nakanishi vê esse retorno como oportunidade para alcançar um público que historicamente não acompanha a série. “Faz muito tempo que não temos um novo jogo Resident Evil lançado em uma plataforma Nintendo no mesmo dia que outras plataformas”, observa. “Espero que isso dê às pessoas que normalmente não jogam Resident Evil a oportunidade de jogar. Ficaria feliz se essas pessoas pudessem perceber coisas como ‘Então é assim que Resident Evil é como jogo’ ou ‘É isso que é interessante nele’.”

Impacto para o Switch 2, mercado e fãs de survival horror

A confirmação de que Requiem roda “como está” no Switch 2 funciona, na prática, como um selo de validação técnica para o novo console. A série Resident Evil se apoia em cenários detalhados, iluminação pesada e personagens complexos, recursos que exigem processamento gráfico robusto. Se um título desse porte chega sem cortes a um hardware tradicionalmente visto como mais modesto, o recado ao mercado é direto: o sucessor do Switch entra na disputa também em jogos de alto desempenho.

Para a Nintendo, o movimento reforça o esforço de aproximar o catálogo de lançamentos das ofertas de PlayStation e Xbox no dia da estreia. Em um cenário em que o Brasil figura consistentemente entre os dez maiores mercados de games do mundo, segundo dados de consultorias do setor, cada grande lançamento multiplataforma conta. Jogadores que antes escolhem o console da Nintendo como segunda opção, focado em jogos próprios da marca, passam a enxergar o aparelho como alternativa única de consumo.

Para a Capcom, o ganho é de alcance. A base instalada do Switch original ultrapassa 140 milhões de unidades globalmente. Mesmo que o Switch 2 não repita esse número, a herança de uma comunidade ativa e engajada cria ambiente fértil para um novo Resident Evil. O estúdio mira tanto os veteranos da série quanto famílias e jogadores casuais que têm no videogame híbrido sua principal porta de entrada para o entretenimento digital.

O momento técnico positivo contrasta, porém, com um desafio crescente de controle de informação. A poucos dias do lançamento, spoilers completos da história inundam redes sociais e sites de vídeo. A Capcom fala em “medidas severas” contra os responsáveis e afirma acreditar que o material, incluindo trechos do final, vem de cópias obtidas “por meios ilegais”. A circulação de vídeos de gameplay em grande volume pressiona a empresa a agir rápido para preservar a experiência de quem espera pelo lançamento desde os primeiros trailers.

A reação no meio dos desenvolvedores também ganha tom mais emocional. Hideki Kamiya, diretor do clássico Resident Evil 2 e figura influente na indústria japonesa, critica abertamente quem espalha spoilers. Em declarações recentes, ele diz que aqueles que se divertem estragando surpresas para os outros “merecem mil mortes” e “serão amaldiçoados a nunca mais poderem jogar”. O exagero da frase expõe o tamanho da irritação de criadores diante do vazamento de anos de trabalho em questão de dias.

Na outra ponta, a expectativa crítica é alta. Em prévia publicada, o IGN Brasil avalia que o potencial de Resident Evil Requiem “não é de apenas figurar entre os melhores games da franquia, mas sim do gênero survival horror”. A análise destaca mistérios em torno da doença de Leon, do envolvimento de Alyssa e dos planos de Victor Gideon como motores da curiosidade do público até 27 de fevereiro de 2026.

Próximos passos e o que o lançamento simultâneo sinaliza

O desempenho de Requiem no Switch 2 tende a ser observado de perto por outras produtoras. Se as vendas em um console da Nintendo acompanham os resultados em plataformas concorrentes, ganha força a ideia de que o novo hardware deixa de ser destino secundário para grandes jogos. A confirmação pública da Capcom funciona como primeiro teste de estresse para essa tese e pode influenciar decisões de investimento em projetos de 2026 em diante.

No curto prazo, a prioridade da empresa é reduzir o alcance dos vazamentos e preservar o fator surpresa, peça central em um jogo de terror. A partir do dia 27 de fevereiro, o foco migra para a recepção crítica e a resposta de vendas, especialmente em mercados emergentes como o brasileiro, onde o preço do hardware pesa, mas a demanda por grandes franquias permanece alta. Resta saber se o Switch 2 conseguirá sustentar, nos próximos anos, a promessa que Requiem antecipa: ser um palco viável para blockbusters de terror e ação, sem concessões técnicas.

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