Caminhada de 240 km de Nikolas em apoio a Bolsonaro termina no Planalto
A caminhada de 240 quilômetros liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em apoio a Jair Bolsonaro termina neste sábado (24.jan.2026) diante do Palácio do Planalto, em Brasília. O ato político reúne apoiadores do ex-presidente e força o governo a reforçar a segurança no entorno da sede do Executivo federal.
Planato cercado e fim da marcha
Grades metálicas cercam o Palácio do Planalto desde as primeiras horas da manhã. A estrutura controla o acesso à Praça dos Três Poderes e cria corredores específicos para manifestantes, agentes de segurança e jornalistas. A cena contrasta com o gramado ocupado por bandeiras do Brasil e camisetas verde-amarelas, marca registrada dos atos de apoio ao ex-presidente.
A chegada de Nikolas encerra uma marcha de 240 quilômetros, iniciada dias antes, que se transforma em ato político em favor de Bolsonaro e de sua agenda. O deputado caminha cercado por assessores, seguranças e apoiadores que o tratam como uma das principais vozes da nova geração bolsonarista na Câmara. A cada parada, ele grava vídeos para redes sociais e reforça o discurso de que a mobilização demonstra, nas suas palavras, que “a base continua viva e organizada”.
Tensão política e disputa de narrativa
A manifestação ocorre em um ambiente político ainda marcado pelas investigações sobre atos antidemocráticos e pelos reflexos das invasões de 8 de janeiro de 2023. O cerco com grades em torno do Planalto não é um gesto simbólico apenas; é também um protocolo de segurança que passa a ser regra em eventos de maior porte no centro do poder. Policiais militares, agentes da Polícia Federal e equipes de segurança institucional monitoram movimentos, controlam acessos e orientam o fluxo de pessoas.
Entre os manifestantes, o clima é de celebração e desafio. Faixas em apoio a Bolsonaro e críticas ao atual governo circulam ao lado de cartazes que exaltam Nikolas como herdeiro político do ex-presidente. Em conversas informais, apoiadores afirmam que a caminhada até Brasília “mostra coragem” e “prova força de base”. A concentração na capital federal, porém, também evidencia o grau de polarização que continua a marcar o debate público, quase dois anos após o fim do mandato de Bolsonaro.
No Congresso, aliados do ex-presidente acompanham a movimentação e veem na cena uma oportunidade de reorganizar o campo conservador para as próximas disputas eleitorais. Deputados e senadores do PL falam em “demonstração de fôlego” e destacam o engajamento em redes sociais, medido por milhões de visualizações de vídeos publicados ao longo dos 240 quilômetros percorridos. Integrantes da base do governo, por outro lado, tratam o ato como tentativa de manter Bolsonaro no centro da agenda política e apontam riscos de radicalização.
Segurança reforçada e impacto eleitoral
O cercamento do Planalto revela a preocupação com a segurança em manifestações de forte conteúdo político. A experiência de janeiro de 2023 leva as autoridades a adotar protocolos mais rígidos, com definição de áreas de acesso restrito e revista em pontos de concentração. A presença das grades cria uma barreira física entre manifestantes e o prédio que abriga a Presidência, o que, na prática, reduz o risco de invasões e empurra o ato para áreas delimitadas.
Especialistas em segurança pública ouvidos ao longo das últimas semanas avaliam que esse tipo de estrutura tende a se tornar padrão em eventos de massa em Brasília, especialmente quando envolvem figuras políticas polarizadoras. O custo financeiro não é divulgado oficialmente, mas integrantes do governo estimam que cada grande operação mobiliza centenas de agentes, viaturas, drones e centros de monitoramento, com impacto no orçamento de segurança do Distrito Federal e da União.
No campo eleitoral, a caminhada de 240 quilômetros e o ato diante do Planalto são usados pelo entorno de Bolsonaro como vitrine de mobilização. A narrativa apresentada por Nikolas e por dirigentes do PL é a de que a militância conservadora mantém capacidade de deslocar milhares de pessoas, em diferentes estados, para um evento na capital federal. A mensagem mira 2026, ano de eleições municipais em diversas cidades importantes e de preparação para a próxima disputa presidencial, marcada para 2026.
Analistas políticos enxergam na movimentação um recado a possíveis rivais dentro do próprio campo da direita. Ao liderar uma caminhada longa, documentada passo a passo em vídeos, Nikolas busca consolidar sua imagem nacional, ampliar sua base fora de Minas Gerais e se credenciar para voos mais altos. A conexão direta com Bolsonaro, símbolo central do ato, ajuda a fixar essa associação na memória do eleitorado bolsonarista mais fiel.
O que fica após o ato em Brasília
O fim oficial da caminhada não encerra seus efeitos. Nas redes, apoiadores de Nikolas planejam transformar trechos do percurso em material de campanha e de arrecadação de fundos. O PL calcula como capital político cada imagem de aglomeração, cada bandeira e cada transmissão ao vivo feita a partir da marcha de 240 quilômetros. A estratégia dialoga com um eleitorado acostumado a acompanhar a política pelo celular e não pelas instâncias tradicionais de partido.
A presença de grades em torno do Planalto, por outro lado, alimenta um novo debate sobre o equilíbrio entre liberdade de manifestação e controle de público. Entidades de direitos civis cobram transparência nos critérios usados para limitar acesso e circulação em áreas públicas simbólicas, enquanto setores alinhados ao governo defendem o endurecimento das regras como forma de prevenir novos episódios de violência política. Entre esses dois polos, permanece a pergunta sobre até que ponto o Brasil consegue garantir segurança sem esvaziar as ruas como espaço de disputa democrática.
