Caiado anuncia filiação ao PSD e mira Planalto em 2026
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anuncia nesta terça-feira (27) a filiação ao PSD e confirma a intenção de disputar a Presidência em 2026. O movimento é apresentado como parte de um projeto coletivo com os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS).
Vídeo conjunto marca entrada no PSD e recado para 2026
O anúncio ocorre em um vídeo publicado no Instagram de Caiado, em que os três governadores aparecem lado a lado. A gravação, divulgada em 27 de janeiro de 2026, funciona como primeira vitrine nacional de um bloco que pretende disputar o Planalto sob a mesma legenda.
Na mensagem, os três se apresentam como pré-candidatos em potencial, mas insistem no discurso de que apenas um deles estará na cédula. “Ao lado desses dois colegas, governadores muito bem avaliados, nós iremos disputar essa eleição em 2026. Aqui não tem interesse pessoal, aquele que for escolhido, o que sair daqui candidato terá apoio dos demais”, afirma Caiado.
A cena é calculada. Coloca no mesmo enquadramento três nomes que, nos últimos anos, circulam em conversas sobre terceira via ou reorganização do centro político. Caiado vem de Goiás, reduto consolidado da direita desde 2018. Ratinho Jr. governa o Paraná pela segunda vez, com base robusta no interior. Eduardo Leite tenta se firmar como rosto de uma centro-direita liberal após a experiência no Rio Grande do Sul.
No vídeo, Leite reforça o tom de projeto nacional, não apenas de disputa interna. “Antes da nossa aspiração pessoal como agentes políticos, vem nossa aspiração como brasileiros. O Brasil precisa encontrar um rumo que devolva esperança às pessoas. Constituímos um partido que pensa no país e que quer fazer a diferença”, diz o gaúcho.
Ratinho Jr. mira o eleitorado conservador e repete a ideia de união. “É um prazer ter alguém com tua força (Caiado) junto com a gente, em união pelo Brasil para virar essa página e fazer um país moderno, que cuide das pessoas que mais precisam”, afirma o governador do Paraná.
PSD ganha peso na corrida presidencial e pressiona adversários
A entrada formal de Caiado no PSD reposiciona o tabuleiro para 2026. O partido, que hoje governa estados como Paraná e Rio Grande do Sul e comanda prefeituras relevantes, passa a concentrar três presidenciáveis no mesmo guarda-chuva. O movimento reforça a estratégia de lançar um nome competitivo nacionalmente e negociar alianças a partir de uma base já robusta.
Nos bastidores, dirigentes do PSD falam em construir uma candidatura capaz de dialogar com o eleitorado que rejeita a polarização entre governo federal e oposição tradicional. A aposta está no desempenho regional dos três governadores, que controlam estados com cerca de 20% do PIB brasileiro somados e mais de 17 milhões de eleitores. A leitura interna é que essa capilaridade facilita a montagem de palanques estaduais e a atração de partidos médios.
Caiado sinaliza que a mudança de legenda é pensada para esse cenário mais amplo. Ao se despedir do União Brasil, ele escreve nas redes que encerra um ciclo, mas mantém o discurso de coerência. “Sou grato ao União Brasil, onde construí uma trajetória de coerência e defesa do país. Mas chegou a hora de dar um passo adiante e hoje, com total desprendimento, nos juntamos para construir um projeto de verdadeira mudança para um novo Brasil”, afirma.
O gesto não é apenas simbólico. União Brasil perde um dos seus principais nomes com visibilidade nacional, o que tende a enfraquecer o partido em futuras negociações para 2026. Ao mesmo tempo, o PSD amplia seu espaço no campo de centro-direita e passa a disputar recursos, tempo de TV e alianças com siglas que hoje orbitam em torno de governos estaduais e bancadas no Congresso.
Especialistas em estratégia eleitoral avaliam que a formação desse trio tende a pressionar outras legendas a antecipar decisões sobre candidaturas presidenciais. Siglas que aguardam 2025 para testar pesquisas e cenários podem ser empurradas a acelerar conversas, sob risco de ver o PSD ocupar sozinho o espaço de alternativa moderada.
Disputa interna, construção de consenso e próximos passos
A promessa pública dos três governadores é de unidade. Caiado, Ratinho Jr. e Leite repetem que o escolhido terá apoio integral dos demais. Na prática, o PSD terá de construir um mecanismo de seleção que preserve essa imagem de coesão. O partido pode recorrer a pesquisas internas, prévias informais ou acordos em convenção nacional, prevista para 2025, a pouco mais de um ano do primeiro turno de 2026.
Até lá, a movimentação deve se dar em duas frentes. No campo interno, cada governador buscará mostrar força política, capacidade de articulação e desempenho em pesquisas. No campo externo, a prioridade será atrair apoios regionais, prefeitos de grandes cidades e bancadas temáticas, como frentes da agropecuária, da segurança pública e do empreendedorismo.
A estratégia de apresentar o projeto como “desprendido” tem função clara. A narrativa tenta afastar a ideia de uma disputa personalista e posicionar o PSD como partido disposto a ceder espaço em nome de um programa comum. O teste concreto dessa promessa virá quando pesquisas mostrarem diferenças de desempenho entre os três nomes e quando grupos econômicos e políticos passarem a pressionar por uma definição.
O cenário eleitoral de 2026 ainda está em construção, mas o movimento desta semana indica que o centro político se organiza com mais antecedência que em 2018 e 2022. O PSD se coloca como polo estruturado, com governadores em três estados estratégicos e um discurso que tenta combinar gestão fiscal, investimento em infraestrutura e foco nas camadas mais pobres.
O próximo capítulo passa por Brasília e pelas capitais. As conversas com outras siglas, especialmente partidos de centro e centro-direita, devem se intensificar nos próximos meses. A dúvida que permanece é se o discurso de unidade resistirá ao avanço da campanha e à pressão por protagonismo individual quando a corrida ao Planalto sair das redes sociais e ganhar as ruas.
