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Brasil perde do México em amistoso e liga alerta antes do Fifa Series

A seleção brasileira feminina perde por 1 a 0 para o México neste sábado (7), na Cidade do México, em amistoso preparatório para o Fifa Series de abril. O resultado encerra a Data Fifa de março com a segunda derrota em três jogos e expõe a falta de eficiência nas finalizações.

Domínio sem gol e pênalti defendido

No Estádio Ciudad de los Deportes, o roteiro favorece o Brasil nos primeiros minutos. Aos 3, Thaís Ferreira chega atrasada, pisa em Ovalle dentro da área e o VAR confirma o pênalti. Bernal bate no canto direito, mas Lelê acerta o lado, espalma com a mão direita e segura o empate. A defesa dá fôlego à equipe de Arthur Elias, que passa a controlar o jogo.

Com a bola no pé, o Brasil empurra o México para o próprio campo. Yasmim aparece duas vezes na área, mas finaliza fraco na primeira e manda para fora na segunda. Em bola parada, recebe de novo na medida e cruza para Jheniffer, que estica a perna e chuta por cima. A superioridade se traduz em chances, não em gol.

O México reage com Ovalle, principal ponto de escape da equipe. A camisa 11 limpa a marcação de Thaís Ferreira e chuta de esquerda, no meio do gol, para nova defesa de Lelê. O susto não muda o cenário geral. Pouco depois, Jheniffer acerta o travessão de Barreras em finalização da entrada da área, e a bola ainda toca nas costas da goleira antes de a zaga afastar.

O primeiro tempo termina com mais uma bola brasileira na trave. Já nos acréscimos, Tainá Maranhão recebe em profundidade, ganha na corrida e tira de Barreras, mas acerta o pé da trave esquerda. Antes, a camisa 7 já havia parado em boa defesa da goleira mexicana. O intervalo chega com zero a zero no placar e sensação de desperdício.

Gol em escanteio e fim amargo da Data Fifa

O segundo tempo começa mais físico. As disputas ficam duras e o jogo perde ritmo. Tainá Maranhão leva puxão forte de Farmer em lance perto do meio-campo, e as brasileiras cercam a árbitra canadense Carly Shaw-Maclaren, pedindo expulsão. Sai só o amarelo para a zagueira mexicana, o que aumenta a irritação em campo.

Com o relógio avançando, o Brasil mantém mais posse, mas encontra dificuldade para entrar no último terço ofensivo. Tainá Maranhão e Duda Sampaio tentam destravar a partida em chutes de média distância. A camisa 7, de novo, obriga Barreras a se esticar para evitar o gol. A pressão, porém, não se converte em vantagem.

O castigo vem em jogada simples de bola parada. Aos 30 minutos da etapa final, Corral cobra escanteio da direita, a defesa brasileira se perde na marcação e Greta Espinoza surge por trás das zagueiras para cabecear e fazer 1 a 0. Lelê, decisiva no início, nada pode fazer desta vez.

Depois do gol, o México se fecha com duas linhas compactas, gasta o tempo e limita o Brasil a poucos espaços. Arthur Elias lança o banco, com entradas de Adriana, Luany, Ana Vitória e Brena para renovar fôlego no ataque. A melhor chance sai justamente de Adriana, que recebe na área, gira e finaliza travada por Barreras, atenta no lance. O apito final confirma a derrota brasileira por 1 a 0, com gol solitário de Espinoza.

O revés fecha a série de três amistosos nesta Data Fifa de março. O Brasil vence a Costa Rica, perde para a Venezuela e cai diante do México, com saldo de uma vitória e duas derrotas. Em um ciclo que mira competições oficiais nos próximos anos, a sequência serve menos para a tabela e mais como termômetro de desempenho.

Alerta aceso antes do Fifa Series em Cuiabá

A derrota na Cidade do México reforça um diagnóstico incômodo para a comissão técnica: o time cria, mas falha na hora de decidir. São duas bolas na trave neste sábado, um pênalti defendido pelo México em jogada construída, finalizações repetidas em cima da goleira e uma sensação de gol “amadurecido” que não vem. Na conta da noite, o Brasil finaliza mais, pressiona mais, mas volta ao vestiário sem marcar.

O destaque individual de Lelê ameniza o cenário, mas não esconde o problema coletivo. A goleira evita que o México abra o placar logo no início e segura o time em momentos de instabilidade. No entanto, o setor ofensivo oscila, e as variações de Arthur Elias ainda não se traduzem em consistência. As entradas de jovens como Tainá Maranhão e Aline Gomes mostram potencial, mas também expõem a necessidade de maturação num calendário curto.

Os amistosos de março têm função clara: preparar a seleção para a primeira edição do Fifa Series, marcado para abril, na Arena Pantanal, em Cuiabá. O torneio reúne Brasil, Canadá, Coreia do Sul e Zâmbia e coloca a equipe diante de adversários de estilos diferentes em quatro dias de competição. O desempenho recente, com duas derrotas, transforma a competição em casa em teste de pressão extra.

Para o México, a vitória diante de um rival tradicional fortalece o projeto de consolidação no cenário internacional. O 1 a 0 deste sábado, somado ao crescimento da liga local e ao investimento em categorias de base, ajuda a construir a imagem de seleção competitiva e capaz de encarar equipes de ponta. No curto prazo, o resultado alimenta confiança para as próximas datas Fifa e pode mexer com o desenho tático para futuros confrontos contra sul-americanas.

Próximo capítulo: ajustes e cobranças em casa

O retorno ao Brasil abre uma janela curta de ajustes. Arthur Elias e sua comissão terão poucas semanas para revisar vídeos, definir correções e afinar o modelo de jogo antes da estreia no Fifa Series, em abril. A necessidade é clara: transformar volume de jogo em gol e reduzir falhas de concentração em lances de bola parada, como o escanteio que decide o duelo na Cidade do México.

O torneio em Cuiabá representa uma oportunidade dupla. A seleção joga diante da própria torcida, em um estádio que recebe quatro seleções e ganha visibilidade em rede global, e tenta responder em campo às dúvidas que surgem nesta Data Fifa. A questão que fica após o 1 a 0 para o México é direta: o Brasil conseguirá, em um mês, converter o potencial mostrado em desempenho consistente contra rivais de nível semelhante ou superior?

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