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Brasil goleia Argentina, vai à semi e garante vaga no Mundial Sub-17

A Seleção Brasileira sub-17 vence a Argentina por 3 a 0 nesta sexta-feira (10), mantém 100% de aproveitamento no Sul-Americano e garante vaga na Copa do Mundo da categoria. Riquelme marca duas vezes, Eduardo Conceição fecha a conta e o resultado carimba também a classificação antecipada para a semifinal.

Noite de Riquelme e domínio brasileiro no clássico

O clássico sul-americano pela terceira rodada da fase de grupos começa equilibrado, intenso e com divididas fortes. A Argentina tenta impor pressão alta, mas o Brasil suporta o início argentino, ajusta a marcação e passa a controlar a partida a partir da metade do primeiro tempo.

O primeiro golpe vem aos 14 minutos. Em cruzamento da esquerda, a bola cruza a área, sobra para João Bezerra, que cabeceia e vê o goleiro defender parcialmente. No rebote, Riquelme se antecipa, testa firme e abre o placar, sem chance de reação para a defesa argentina.

O gol muda o clima em campo. O Brasil ganha confiança, passa a trocar passes com mais calma e encontra espaço nas costas da defesa rival. A Argentina responde em chutes de média distância, mas para em uma linha defensiva atenta, que evita finalizações perigosas.

Riquelme volta a aparecer aos 38 minutos. Kauê Furquim recebe em profundidade pela direita, invade a área em velocidade e cruza rasteiro para o meio. O camisa 11 surge livre na marca do pênalti e empurra para o gol, ampliando para 2 a 0 e consolidando uma atuação de protagonismo ainda antes do intervalo.

O Brasil leva a vantagem de dois gols para o vestiário com controle emocional e eficiência ofensiva. Em 45 minutos, a seleção transforma um duelo tenso em cenário favorável, somando o segundo jogo consecutivo sem sofrer gols no torneio e se aproximando da vaga antecipada.

Acusações de racismo, confusão e impacto esportivo

O segundo tempo começa mais travado. Com 2 a 0 contra, a Argentina aposta em bolas longas e cruzamentos, mas esbarra em uma defesa compacta, bem posicionada e segura pelo controle do meio-campo brasileiro. A seleção passa a administrar o placar e escolhe com calma os momentos de acelerar.

O clima esquenta na metade final da etapa. Jogadores brasileiros acusam o argentino Benítez de ter cometido ato racista em campo. O árbitro ouve as reclamações, conversa com alguns atletas, mas decide não acionar o protocolo de combate ao racismo previsto para competições da Conmebol, e o jogo segue.

A ausência de uma intervenção mais firme amplia a tensão. A cada dividida, a sensação é de que algo está prestes a sair do controle. Mesmo nesse ambiente hostil, o Brasil mantém a disciplina tática, recua um pouco as linhas e aposta nas transições rápidas, sempre com Riquelme, David Nogueira e Eduardo Conceição prontos para acelerar.

O terceiro gol chega aos 44 minutos do segundo tempo e encerra qualquer dúvida sobre o resultado. David Nogueira arranca pela esquerda, passa pela marcação e encontra Eduardo Conceição na entrada da área. O atacante do Palmeiras finaliza com precisão, rasteiro, e define o 3 a 0 no clássico.

O apito final não esfria os ânimos. Jogadores argentinos partem para o confronto físico, há empurrões e tentativa de briga, enquanto os brasileiros tentam se afastar e comemorar a classificação. Goytia, da Argentina, é expulso depois da confusão, em mais um episódio que expõe o nível de tensão da partida.

O placar de 3 a 0 mantém o Brasil com 100% de aproveitamento na competição e reforça a liderança do grupo. Em três jogos, a equipe soma nove pontos, se garante na semifinal do Sul-Americano sub-17 e assegura com antecedência a vaga na Copa do Mundo da categoria, prevista para o fim de 2026.

Renovação em curso e próximos passos do Brasil sub-17

A atuação contra a Argentina consolida uma tendência da campanha brasileira. O time combina talento individual com organização coletiva, marca forte, cria com velocidade e sofre pouco defensivamente. O rendimento de Riquelme, decisivo com dois gols no clássico, simboliza uma geração que surge com potencial para alimentar a seleção principal nos próximos anos.

O desempenho de Eduardo Conceição, que entra na etapa final e participa ativamente da construção do 3 a 0, reforça a profundidade do elenco. Jogadores como Kauê Furquim e David Nogueira também se destacam, oferecendo ao treinador alternativas variadas de ataque em um torneio curto, de calendário apertado e jogos a cada poucos dias.

O resultado tem impacto direto no planejamento da comissão técnica. Com a classificação garantida com antecedência, o Brasil pode administrar a carga física dos atletas na rodada final da fase de grupos, testar variações táticas e preservar titulares para a semifinal, que passa a ser o foco imediato.

As acusações de racismo contra Benítez, por outro lado, deixam um ponto de interrogação fora das quatro linhas. O episódio reacende o debate sobre a eficácia dos protocolos atuais, ainda mais em competições de base, em que atletas de 16 e 17 anos já convivem com situações de violência verbal e discriminação.

A Confederação Brasileira de Futebol tende a cobrar explicações formais da organização, enquanto entidades e movimentos antirracistas podem pressionar por investigações mais profundas. A forma como o caso será conduzido pode influenciar a postura de árbitros e federações em futuros jogos de base no continente.

Em campo, o Brasil volta a jogar pela última rodada da fase de grupos já com a vaga no Mundial garantida e a semifinal à vista. A missão passa a ser manter o nível de atuação, evitar suspensões e lesões e chegar ao mata-mata com a mesma autoridade exibida no 3 a 0 sobre a Argentina. A partir de agora, a campanha deixa de ser apenas um bom início de torneio e passa a ser um teste real para a próxima geração da seleção brasileira.

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