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Botafogo tem desfalques e promove garotos para encarar o Bangu

O Botafogo divulga nesta sexta-feira (24) a lista de relacionados para enfrentar o Bangu, neste sábado, pela quarta rodada do Carioca, no Rio. A relação confirma a ausência do zagueiro Bastos, preservado por controle de carga, e abre espaço para jovens do sub-20 no elenco principal.

Garotos ganham espaço em meio a desfalques

A convocação de Martín Anselmi chega às 12h15, é atualizada às 13h26 e expõe o momento do elenco alvinegro em janeiro. Entre lesões, limite físico e bloqueios administrativos, o treinador precisa costurar a escalação com cuidado e aposta na base para manter a equipe competitiva.

A principal novidade é a presença dos meias Arthur Novaes e Miguel Caldas, destaques do sub-20, que sobem para completar o grupo no Nilton Santos. Os dois se juntam aos profissionais em um cenário de pressão por resultado, com o Botafogo buscando somar pontos para se firmar na parte de cima da tabela do Campeonato Carioca ainda na quarta rodada.

Bastos, que vinha sendo opção importante na defesa, não entra na lista por decisão de controle de carga física, estratégia cada vez mais comum em elencos que encaram calendário cheio ao longo do ano. A comissão técnica monitora minutagem, desgaste em treinos e histórico de lesões para evitar um problema maior em fevereiro e março, quando começam as decisões em outras frentes.

O setor ofensivo também segue desfalcado. Joaquín Correa e Chris Ramos ainda tratam lesões e continuam fora, deixando o ataque sem dois nomes apontados como peças-chave para a temporada. A ausência prolongada pressiona o restante do grupo e obriga Anselmi a testar alternativas com atletas mais jovens e jogadores que costumam atuar em outras funções.

Lesões, transfer ban e calendário moldam o elenco

O cenário não se resume aos machucados. O técnico também não conta com o zagueiro Kaio Pantaleão, que só deve voltar a ficar à disposição no segundo semestre, o que reduz a margem de manobra na defesa neste início de ano. Cada ausência pesa em um elenco que tenta se equilibrar entre renovação e ambição esportiva.

O quadro se complica com o chamado transfer ban, punição administrativa que impede o clube de registrar novas contratações até que pendências sejam resolvidas. Por causa desse bloqueio, Ythallo e o argentino Lucas Villalba, já acertados com o Botafogo, não estão inscritos no estadual e ficam fora da relação para enfrentar o Bangu. Na prática, o clube tem jogadores contratados, mas ainda sem possibilidade de estreia.

Kadir, que estava com a seleção do Panamá, também não entra na lista deste fim de semana, o que mexe no desenho do meio-campo e nas opções de banco. Em vez de reclamar publicamente das restrições, Anselmi sinaliza internamente que pretende aproveitar a oportunidade para acelerar a integração de jovens formados em General Severiano. A presença de Arthur Novaes e Miguel Caldas na delegação traduz essa ideia de forma concreta.

A política de mesclar experiência e juventude ganha força em um momento em que o clube precisa administrar orçamento, desgaste físico e expectativas da torcida. Cada partida do Carioca funciona como laboratório, mas também como vitrine e termômetro: o desempenho dos meninos pode mudar planos de reforços, rota de empréstimos e até prioridades em futuras janelas de transferência.

Jogo vira teste para a base e para o planejamento

O duelo com o Bangu, que em outros anos poderia soar protocolar, se transforma em exame relevante para o Botafogo. A equipe entra em campo sob o impacto de ausências importantes e com a responsabilidade de somar pontos para não perder terreno na corrida por vaga nas semifinais do estadual, objetivo imediato nesta primeira fase. Cada tropeço pesa em uma competição curta, em que a classificação costuma se definir em detalhes.

Arthur Novaes e Miguel Caldas chegam ao grupo principal com a chance de encurtar o caminho até uma efetivação definitiva. Uma boa atuação, mesmo que partindo do banco, pode render novas convocações, espaço em treinos táticos e minutos em jogos decisivos ao longo de 2026. Para o clube, o sucesso da dupla significaria mais opções de baixo custo em um momento em que o transfer ban limita movimentos ousados no mercado.

O departamento de futebol acompanha de perto a resposta do time a um jogo em que o elenco não está completo. O comportamento defensivo sem Bastos e Kaio Pantaleão, a criatividade do meio sem Kadir e a capacidade de pressionar o adversário mesmo sem Correa e Chris Ramos são pontos que devem pesar na análise interna após a partida. O resultado contra o Bangu não define o ano, mas influencia decisões de curto prazo, como o ritmo de retorno de lesionados e o grau de risco aceito na rotação do elenco.

A quarta rodada do Carioca, em pleno janeiro, expõe sem filtros os limites e as possibilidades do Botafogo de 2026. O jogo deste sábado indica até que ponto a base pode responder em cenário de emergência e quanto o clube ainda depende da resolução de questões administrativas para liberar reforços já contratados. A atuação no Nilton Santos ajuda a responder uma pergunta que acompanha o torcedor desde o início da temporada: o elenco atual, com garotos e desfalques, consegue sustentar a ambição que o Botafogo traça para este ano?

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