Bodo/Glimt elimina Inter, Atlético avança com show de Sorloth e gol de Johnny
O Bodo/Glimt elimina a Inter de Milão e avança aos playoffs da Champions League nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026. No mesmo dia, o Atlético de Madrid confirma a vaga com atuação decisiva de Alexander Sorloth e gol do brasileiro Johnny Cardoso no Metropolitano.
Zebra norueguesa derruba a Inter em pleno San Siro
O roteiro que se desenha na Champions League ganha um protagonista improvável. O Bodo/Glimt volta a desafiar a lógica do futebol europeu e transforma a Inter em mais uma vítima. O time norueguês vence por 3 a 1 em casa, na ida, e volta a surpreender em Milão, com triunfo por 2 a 1 que sela a classificação com 5 a 2 no agregado.
San Siro lota, pressiona, empurra a Inter. O peso da camisa e o orçamento milionário, porém, não encontram resposta em campo. O Bodo/Glimt mostra a mesma intensidade que já havia derrubado Juventus nos playoffs anteriores e supera os italianos com organização, marcação compacta e uma frieza incomum em um clube de país fora do eixo tradicional. O apelido de “matador de gigantes” deixa de ser exagero e passa a funcionar quase como credencial.
O jogo de volta não oferece espaço para relaxamento. A Inter tenta acelerar desde o primeiro minuto e sufocar os visitantes, mas esbarra em uma defesa sólida e bem posicionada. Cada recuperação de bola norueguesa vira contra-ataque direto, em passes verticais e poucas firulas. O gol fora de casa, ainda no primeiro tempo, muda a atmosfera do estádio e transforma a noite em teste emocional para os italianos.
A Inter ainda reage, empata, tenta se apoiar na força da torcida e na necessidade de três gols para levar o duelo à prorrogação. O Bodo/Glimt não se desorganiza. Mantém a posse quando precisa respirar, recua em bloco quando é pressionado e volta a balançar a rede na etapa final. O segundo gol acaba com qualquer dúvida sobre quem manda naquele confronto e amplia a sensação de crise em Milão, que vê um investimento de centenas de milhões de euros ruir diante de um orçamento modesto do Norte europeu.
Atlético controla a pressão e vê brasileiro decidir no Metropolitano
Em Madri, o clima é diferente, mas a pressão pesa tanto quanto. Depois do empate por 3 a 3 na Bélgica, o Atlético corre risco real diante de um Club Brugge valente, que sente o cheiro da zebra e chega ao Metropolitano disposto a complicar a noite da equipe de Diego Simeone. A torcida colchonera lota o estádio e cobra reação imediata.
O Atlético responde com intensidade. A equipe impõe ritmo alto desde o início e tenta travar o Brugge no campo de defesa. Aos 23 minutos, Sorloth aproveita a primeira chance clara e abre o placar, aliviando parte da tensão. O gol, porém, não fecha o jogo. Ordóñez empata ainda no primeiro tempo e devolve o peso da responsabilidade para o time espanhol. O intervalo chega sob um silêncio desconfiado nas arquibancadas.
A conversa no vestiário funciona. O Atlético volta mais agressivo, adianta as linhas e começa a empurrar o Brugge para perto da própria área. O brasileiro Johnny Cardoso aparece como peça chave nessa virada de postura. Ele se aproxima mais da área, pisa no campo ofensivo e, em uma chegada precisa, marca o gol da virada. O chute, já na segunda etapa, muda o clima no estádio e recoloca o Atlético no controle do confronto.
Johnny transforma uma atuação segura em momento de protagonismo e ajuda a fortalecer a imagem do jogador brasileiro como decisivo na Champions. A partir daí, Sorloth assume o espetáculo. O centroavante completa o hat-trick com mais dois gols, fecha a vitória e garante a classificação com autoridade. O Atlético vence a volta, aumenta a vantagem no agregado e evita qualquer risco de surpresa desagradável em casa.
Leverkusen administra vantagem, Newcastle sofre susto e brasileiros seguem em destaque
A noite de Champions ainda registra outros capítulos importantes. Na Grécia, o Bayer Leverkusen joga para segurar a vantagem de 2 a 0 construída na ida frente ao Olympiacos. O time alemão cria as melhores chances, mas para no goleiro adversário e no sistema defensivo grego. O 0 a 0 em Pireu garante a vaga com placar agregado confortável, embora sem brilho ofensivo no segundo duelo.
O Olympiacos conta com o lateral brasileiro Rodinei, que participa da tentativa de reação e ajuda a manter o equilíbrio defensivo em casa. A equipe corre, luta, chega ao ataque em cruzamentos e bolas paradas, mas não encontra o gol que poderia reacender o confronto. O apito final encerra a participação grega e reforça a eficiência pragmática do Leverkusen, que faz o suficiente para seguir vivo sem correr riscos extremos.
Na Inglaterra, o Newcastle encara uma volta que parecia protocolar. O 6 a 1 construído no Azerbaijão contra o Qarabag transforma o compromisso em teste de foco. Os Magpies abrem 3 a 0 no agregado ao marcar dois gols ainda no primeiro tempo em casa, ampliando a diferença para 8 a 1. A classificação parece completamente assegurada.
O Qarabag, porém, se recusa a aceitar um roteiro passivo. O time reage na segunda etapa, marca dois gols em sequência, em um intervalo de apenas sete minutos, e devolve a partida a um clima de tensão inesperado. O Newcastle sente o golpe, mas administra a vantagem. O brasileiro Joelinton deixa o dele, o confronto termina com 9 a 3 no acumulado e a vaga fica em St. James’ Park sem sobressaltos maiores.
Impacto da zebra norueguesa e protagonismo brasileiro na Champions
Os resultados desta terça-feira mexem com o mapa de forças da Champions League. A classificação do Bodo/Glimt entra na lista das maiores surpresas recentes da competição. Em menos de uma temporada, o clube norueguês elimina Juventus e Inter e soma vitórias marcantes sobre Atlético de Madrid e Manchester City na fase de liga. O desempenho desafia projeções, expõe fragilidades de gigantes e obriga o mercado a olhar com mais atenção para um centro historicamente periférico.
O sucesso norueguês abre uma discussão prática: clubes de ligas menores conseguem competir quando apostam em projeto de longo prazo, análise de dados e renovação constante do elenco por valores mais baixos. O contraste com orçamentos de centenas de milhões de euros de times como Inter e Juventus evidencia um desequilíbrio diferente do habitual. Não é só dinheiro contra azarão; é também planejamento contra acomodação.
Para o torcedor brasileiro, a noite também reforça uma narrativa conhecida. Johnny Cardoso e Joelinton ampliam a lista de brasileiros decisivos em fases eliminatórias de Champions. O gol de Johnny na virada do Atlético e a participação de Joelinton no passeio do Newcastle alimentam o interesse do público no país e aumentam a exposição desses jogadores. A presença de Rodinei pelo Olympiacos reforça a extensão dessa influência, ainda que em cenário de eliminação.
Os clubes europeus seguem enxergando o Brasil como mercado prioritário de talentos, e atuações como a de Johnny ajudam a consolidar essa percepção. Cada participação decisiva em mata-mata gera valorização imediata, melhora posição em futuras negociações e alimenta debates sobre convocação para a seleção. A Champions volta a funcionar como vitrine máxima para jogadores formados em gramados brasileiros.
Próxima fase ganha novo protagonista e expectativa por novos confrontos
A classificação de Bodo/Glimt, Atlético, Leverkusen e Newcastle reorganiza o tabuleiro da próxima fase. O sorteio ganha peso extra com a presença do clube norueguês entre adversários de tradição centenária. Nenhum grande quer cruzar com o “matador de gigantes” em um confronto de ida e volta, depois das quedas em série de Juventus e Inter.
O Atlético de Madrid entra no pote com confiança renovada, amparado pela atuação dominante no Metropolitano e pelo crescimento de Sorloth e Johnny. O Newcastle confirma poder de fogo alto, ainda que mostre lapsos de concentração que podem custar caro em fases mais duras. O Leverkusen reforça a imagem de equipe competitiva, capaz de controlar contextos hostis na Grécia.
A Champions de 2026 caminha para um mata-mata em que orçamento e tradição seguem importantes, mas já não explicam tudo. O Bodo/Glimt prova que a margem para surpresas permanece aberta. O próximo passo da competição responde a uma pergunta central: até onde um clube fora do eixo pode ir quando aprende a conviver com o papel de zebra que já não surpreende ninguém?
