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Bill Gates admite casos extraconjugais e erro grave ao se aproximar de Epstein

Bill Gates admite ter mantido dois casos extraconjugais e classifica como “grave erro” sua aproximação com Jeffrey Epstein, em reunião com funcionários em 25 de fevereiro de 2026. O bilionário nega qualquer envolvimento nos crimes sexuais do financista e tenta conter o desgaste sobre sua imagem e a da Fundação Gates.

Confissão interna em meio a pressão pública

O fundador da Microsoft, hoje um dos filantropos mais influentes do mundo, escolhe um auditório interno da Fundação Gates, nos Estados Unidos, para fazer o acerto de contas. Diante de centenas de funcionários, em assembleia geral na terça-feira (24), cuja gravação é posteriormente analisada pelo jornal The Wall Street Journal, ele fala sem rodeios sobre o passado recente.

Gates, 70, confirma que se relaciona com Jeffrey Epstein a partir de 2011, três anos depois de o financista se declarar culpado de solicitar uma menor para prostituição. Chama a aproximação de “um grande erro” e lamenta ter organizado reuniões entre executivos da fundação e o ex-gestor de fundos, condenado por crimes sexuais. “Foi um grande erro passar tempo com Epstein e organizar reuniões entre executivos da fundação e o financista”, afirma aos presentes.

A fala vem no dia seguinte à divulgação de novos documentos do arquivo Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os papéis detalham amizades próximas, acordos financeiros e registros de encontros com algumas das figuras mais poderosas do mundo. O nome de Gates aparece com destaque, o que reacende dúvidas sobre o alcance da relação entre os dois e pressiona a fundação filantrópica, que movimenta bilhões de dólares em saúde global e educação.

No mesmo material, um rascunho atribuído a Epstein sustenta que a parceria com Gates incluiria “ajudar Bill a conseguir drogas para lidar com as consequências de ter feito sexo com garotas russas” e facilitar encontros “ilícitos com mulheres casadas”. A insinuação vai além da vida conjugal e sugere cumplicidade em um circuito de abusos. A versão de Gates, porém, é taxativa: “Não fiz nada ilícito. Não vi nada ilícito”.

Casos extraconjugais e dano à reputação

O bilionário não tenta negar o comportamento privado que os documentos expõem. “Sim, tive casos amorosos; um com uma jogadora russa de bridge, que conheci em eventos de bridge, e outro com uma física nuclear russa, que conheci em atividades de negócios”, relata, diante da equipe. Ele fala em dois casos pontuais, sem citar datas, mas admite o impacto pessoal e institucional dessas relações fora do casamento.

O casamento com Melinda French Gates termina oficialmente em 2021, após 27 anos, já sob o rumor persistente da proximidade com Epstein. Agora, ao confirmar detalhes que até então circulam em forma de vazamento e especulação, Gates tenta redesenhar a narrativa. Assume infidelidade, mas nega qualquer elo com o sistema de exploração sexual que cerca o financista, encontrado morto em uma prisão de Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.

A estratégia é clara: reconhecer o que é incontornável e traçar uma linha vermelha em torno dos crimes. “Saber o que sei agora torna isso cem vezes pior, não apenas em termos de seus crimes no passado, mas agora está claro que havia uma conduta imprópria contínua”, afirma à equipe. O verbo no presente, combinado ao adjetivo “grave”, expõe um cálculo de risco: perder capital moral na esfera privada para preservar a integridade legal e institucional.

A Fundação Gates, com sede em Seattle e orçamento anual superior a US$ 7 bilhões, sente o efeito direto da crise de imagem. Em comunicado enviado à agência AFP, a instituição procura reforçar o tom de responsabilidade: “Bill falou com franqueza, respondeu a várias perguntas em detalhes e assumiu a responsabilidade por suas ações”. O texto indica preocupação com a confiança de doadores, parceiros multilaterais e governos que, há duas décadas, veem a entidade como peça central em campanhas de vacinação e combate a doenças infecciosas.

Nas redes sociais, o movimento produz reações imediatas. Críticos cobram por que Gates mantém contato com Epstein mesmo depois da condenação de 2008, enquanto apoiadores defendem que a admissão pública e a ausência de indícios de crime devam pesar na avaliação. Em fóruns de tecnologia e saúde global, a discussão se desloca para a fronteira entre vida privada, responsabilidade pública e governança de grandes fundações filantrópicas.

Pressão por transparência e próximos capítulos

A confissão de Gates ocorre em um momento em que o escrutínio sobre a elite global se intensifica. A publicação dos arquivos de Epstein pelo Departamento de Justiça continua em etapas, alimentando ondas periódicas de revelações e reinterpretações de relações passadas. Cada novo lote de documentos reacende perguntas sobre quem sabia o quê, quando e em que medida se beneficiou da rede do financista.

Advogados especializados em direito empresarial e compliance avaliam, em conversas reservadas, que a fala de Gates reduz o espaço para acusações futuras de omissão ou de tentativa de encobrimento. Ao mesmo tempo, abre margem para novas investigações jornalísticas e, eventualmente, inquéritos parlamentares sobre o papel de grandes doadores em universidades, laboratórios e organismos internacionais. A combinação entre poder financeiro e influência em políticas públicas passa a ser examinada com mais cuidado.

A Fundação Gates tenta blindar sua atuação operacional do vendaval reputacional. Programas em andamento em países da África, da Ásia e da América Latina dependem de previsibilidade de recursos e de credibilidade política. Em conversas com parceiros, executivos reforçam que a governança inclui conselhos independentes e mecanismos de auditoria externa, elementos que, na visão da entidade, separam a biografia do fundador da rotina dos projetos.

Os próximos meses indicam um teste concreto dessa tese. A partir da repercussão das declarações de Gates, parlamentares em Washington e em capitais europeias podem intensificar pedidos de audiência e relatórios detalhados sobre doações, parcerias e interlocução com governos. No ambiente digital, novos vazamentos ou trechos adicionais da gravação interna têm potencial para reaquecer o debate a cada semana.

Gates, que há duas décadas tenta se reposicionar como filantropo e voz influente em saúde global, agora precisa lidar com uma narrativa em que sua vida privada e suas escolhas de relacionamento ganham peso comparável ao trabalho de sua fundação. A pergunta que permanece é se a admissão de erro e a negação firme de crimes bastam para conter os danos, ou se a relação com Jeffrey Epstein continuará a assombrar seu legado por muitos anos.

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