Bhumjaithai abre ampla frente e consolida poder nas eleições da Tailândia
O partido Bhumjaithai, liderado pelo primeiro-ministro Anutin Charnvirakul, assume ampla vantagem nas eleições gerais da Tailândia neste domingo, 8 de fevereiro de 2026. A contagem parcial dos votos indica uma vitória suficiente para garantir a continuidade do governo e isolar os principais rivais, o Partido Popular Progressista e o Pheu Thai.
Contagem de votos redesenha o mapa político
Os primeiros números divulgados pela Comissão Eleitoral tailandesa mostram o Bhumjaithai à frente em boa parte das 400 cadeiras de circunscrição em disputa na Câmara dos Representantes, além de liderar com folga na votação proporcional, que define outras 100 vagas. Com mais de 70% das urnas apuradas no início da noite em Bangkok, fontes do organismo apontam que o partido de Anutin pode se aproximar da maioria simples, na casa de 250 assentos, ao somar cadeiras diretas e de lista partidária.
A vantagem numérica não se traduz apenas em mais cadeiras. Ela encerra semanas de incerteza sobre a capacidade de o primeiro-ministro manter o controle do governo, em um sistema político marcado por coalizões frágeis e intervenções militares recorrentes desde o início dos anos 2000. O cenário que se desenha hoje é de continuidade: aliados tradicionais do Bhumjaithai já se movimentam para formalizar o apoio à nova legislatura, reduzindo o espaço de manobra da oposição parlamentar.
Oposição encolhe e governo ganha fôlego
O Partido Popular Progressista, que tenta se firmar como alternativa reformista desde as últimas eleições, aparece em segundo lugar, mas distante. Projeções iniciais colocam a sigla com pouco mais de 20% dos votos válidos na votação proporcional, contra uma fatia próxima ou superior a 40% atribuída ao Bhumjaithai em algumas regiões-chave, como o nordeste do país. O tradicional Pheu Thai, herdeiro político do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, repete um desempenho aquém das expectativas e perde espaço sobretudo entre eleitores jovens urbanos.
A leitura imediata é de um claro voto de confiança na gestão atual. Ao longo da campanha, Anutin insiste no discurso de estabilidade e continuidade de políticas sociais e de infraestrutura, com promessas de ampliar investimentos em transporte, saúde e programas de transferência de renda. “Os eleitores pedem previsibilidade e resultados concretos”, afirma um assessor próximo ao premiê, sob condição de anonimato. A votação confirma que esse discurso encontra eco em um eleitorado cansado de crises políticas sucessivas.
Economia, bem-estar e disputa regional em jogo
A vitória expressiva tem repercussão imediata sobre a agenda econômica. Um governo fortalecido tende a avançar em reformas consideradas sensíveis, como a revisão de benefícios fiscais a grandes conglomerados e a reorganização de subsídios agrícolas, pilares da economia tailandesa. Investidores estrangeiros acompanham de perto o desfecho desde o início da campanha, e analistas em Bangkok apontam que a confirmação da estabilidade política pode destravar projetos represados nas áreas de indústria automobilística, tecnologia e turismo, setor que responde por mais de 15% do PIB do país.
No campo social, a continuidade do Bhumjaithai significa a preservação de programas lançados nos últimos anos, com foco em saúde pública, educação técnica e apoio a pequenas empresas. A ampla vantagem eleitoral amplia a margem de manobra do governo para ajustar essas políticas, seja ampliando a cobertura de benefícios, seja recalibrando gastos para enfrentar eventuais desacelerações econômicas globais. Organizações da sociedade civil, no entanto, cobram garantias de que a maioria parlamentar não será usada para restringir liberdades civis ou limitar o espaço da oposição.
Impacto regional e desafios de governabilidade
No tabuleiro do Sudeste Asiático, o resultado confirma a Tailândia como um dos polos de estabilidade relativa em uma região marcada por disputas geopolíticas crescentes entre China e Estados Unidos. Um governo com base sólida no Parlamento tem mais condições de negociar acordos comerciais, aprofundar cooperação em defesa e participar de iniciativas multilaterais, como a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Diplomatas em Bangkok avaliam que a previsibilidade política pode atrair novos fluxos de investimento direto, especialmente em energia renovável e logística.
Em casa, o novo equilíbrio de forças impõe um redesenho da estratégia oposicionista. Lideranças do Partido Popular Progressista e do Pheu Thai admitem, nos bastidores, a necessidade de rever discursos e alianças após a confirmação dos resultados finais, prevista para os próximos dias. Sem uma bancada robusta, a oposição tende a concentrar esforços em temas sensíveis para a opinião pública, como transparência no uso de recursos públicos, custo de vida e preservação ambiental, na tentativa de conter o capital político acumulado por Anutin.
Próximos passos e dúvidas no horizonte
A Comissão Eleitoral deve divulgar o resultado oficial até o fim da semana, após a consolidação de todas as seções e a análise de eventuais contestações. Se os números atuais se mantêm, o Bhumjaithai começa a próxima legislatura com fôlego para ocupar os principais postos da Câmara, definir a pauta de votações prioritárias e conduzir negociações com pequenos partidos para ampliar ainda mais sua base. O calendário prevê a sessão inaugural do novo Parlamento em até 30 dias, seguida pela votação de confirmação do primeiro-ministro.
O desafio de Anutin, a partir de agora, é transformar a vantagem nas urnas em capacidade efetiva de governo diante de uma economia global volátil e de tensões regionais em alta. A Tailândia entra em um novo ciclo político com a promessa de estabilidade e continuidade, mas carrega as mesmas perguntas que rondam democracias em todo o mundo: até que ponto um mandato robusto garante respostas rápidas às demandas sociais e econômicas que se acumulam nas ruas?
