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BH e outras cidades de MG entram em alerta para chuva forte e deslizamentos

Belo Horizonte e outras cidades de Minas Gerais entram em alerta nas próximas horas desta quinta-feira (22) por causa de um episódio intenso de chuva, que pode concentrar quase 30% de toda a precipitação prevista para janeiro em um curto intervalo de tempo. O volume eleva o risco de deslizamentos de encostas, alagamentos e transtornos urbanos em áreas já vulneráveis.

Alerta máximo e cidade em atenção redobrada

O dia começa com sensação de vigilância permanente em Belo Horizonte. Órgãos de meteorologia projetam núcleos de chuva forte sobre a capital e a Região Metropolitana, com picos concentrados entre o fim da tarde e a noite. A previsão, segundo técnicos ouvidos pela reportagem, é de pancadas volumosas em poucas horas, cenário que costuma pressionar córregos, drenagens antigas e encostas ocupadas.

Autoridades municipais e estaduais reforçam mensagens de cautela. A orientação é clara: quem mora em áreas de risco deve buscar abrigo seguro, sobretudo em regiões de morro, fundos de vale e proximidades de córregos canalizados. “Quando chove muito em pouco tempo, o solo satura rápido e a chance de deslizamento aumenta de forma expressiva”, explica um engenheiro civil especializado em geotecnia, que acompanha a situação em Minas há mais de uma década.

Risco de deslizamentos e rotina sob pressão

O temor de deslizamentos se concentra em bairros com histórico de ocupação irregular e encostas instáveis, muitos deles na periferia da capital e de cidades da Grande BH. Nesses locais, a combinação de casas construídas em terrenos íngremes, drenagem precária e solo encharcado forma um quadro conhecido pelos moradores, que convivem com rachaduras em muros e pisos a cada novo período chuvoso. “A gente dorme leve. Qualquer barulho mais forte na madrugada já assusta todo mundo”, relata uma moradora da região Norte da capital.

A possibilidade de registrar quase um terço da média mensal em poucas horas preocupa técnicos de Defesa Civil, que monitoram encostas, córregos e pontos recorrentes de alagamento. Em situações semelhantes nos últimos anos, a capital enfrentou avenidas tomadas pela água, ônibus desviados de trajeto e famílias desabrigadas após deslizamentos. Dados da Defesa Civil municipal mostram que, em episódios extremos, alguns bairros registram em um único dia a chuva esperada para uma semana inteira.

Impactos na mobilidade e na infraestrutura urbana

O transporte público entra no radar de risco. Linhas de ônibus que cruzam regiões de baixada ou pontes sobre córregos tendem a enfrentar atrasos e interrupções, caso o cenário de chuva intensa se confirme. Em anos anteriores, bastou uma sequência de 30 a 40 minutos de chuva forte para interditar cruzamentos importantes e túneis sob vias expressas. O tráfego de carros e caminhões também é afetado por buracos que se abrem em pavimentos já desgastados, o que amplia o risco de acidentes.

A rede de drenagem urbana, dimensionada para uma outra realidade de ocupação do solo, volta a ser testada. Córregos canalizados, hoje cobertos por asfalto, se tornam gargalos em períodos de grande volume de água. Galerias antigas recebem não só a chuva, mas também lixo acumulado em bocas de lobo, o que reduz a capacidade de escoamento e contribui para alagamentos repentinos. “A água procura seu caminho natural. Quando o curso é bloqueado, ela volta para a rua, para dentro das casas, para onde encontra menos resistência”, comenta um urbanista que estuda as cheias em Belo Horizonte.

Histórico recente e vulnerabilidades expostas

O atual episódio se soma a uma sequência de temporadas chuvosas cada vez mais intensas em Minas Gerais. Nos últimos verões, deslizamentos de terra e enchentes deixaram mortos, feridos e milhares de desabrigados em diferentes regiões do estado, com destaque para a Região Metropolitana, Zona da Mata e Vale do Aço. Especialistas relacionam a frequência desses eventos à combinação de mudanças no regime de chuvas e expansão urbana desordenada, sem infraestrutura compatível.

Na capital, o mapeamento oficial de áreas de risco aponta milhares de imóveis em situação de vulnerabilidade, muitos deles com alguma restrição à ocupação justamente por risco geológico. Mesmo assim, famílias seguem nesses locais por falta de alternativa habitacional. “O alerta de hoje não é um fato isolado, ele expõe um problema estrutural que se agrava a cada verão”, avalia um pesquisador em gestão de riscos de desastres da Universidade Federal de Minas Gerais. Para ele, o desafio está em combinar ações emergenciais com planejamento urbano de longo prazo.

Recomendações de segurança para as próximas horas

A Defesa Civil orienta a população a acompanhar os canais oficiais de informação, manter atenção a sinais do terreno e evitar deslocamentos desnecessários nas horas de maior instabilidade. Rachaduras novas em paredes e pisos, portas que emperram sem explicação e estalos em estruturas são indicativos de possível movimentação de solo. Em áreas sujeitas a alagamentos, moradores são aconselhados a elevar móveis, proteger documentos e desligar a energia em caso de entrada de água.

O quadro previsto para esta quinta-feira funciona como mais um teste para o sistema de prevenção e resposta a desastres em Minas. A efetividade dos alertas, a rapidez de remoções preventivas e a capacidade de recuperação de áreas atingidas devem orientar o debate público nas próximas semanas. Enquanto nuvens carregadas avançam sobre a capital e o interior, a cidade volta a se perguntar até quando seguirá reagindo a cada alerta de chuva, em vez de enfrentar de forma estruturada as causas da vulnerabilidade que se repete a cada verão.

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